A responsabilidade não é novidade para o defensor de 33 anos. Gómez assumiu o papel de líder de uma seleção que voltou a disputar uma Copa do Mundo após 16 anos de ausência. Mais do que um dos principais jogadores da equipe, tornou-se o rosto de um grupo que recuperou a competitividade do futebol paraguaio sob o comando de Gustavo Alfaro.
A trajetória ajuda a explicar esse protagonismo. Revelado pelo Libertad, Gómez foi campeão argentino pelo Lanús antes de viver uma passagem discreta pelo Milan. A transferência para o Palmeiras, em 2018, mudou sua carreira. No clube paulista, conquistou 13 títulos oficiais, tornou-se o atleta mais vencedor da história alviverde e consolidou uma liderança que ultrapassou as fronteiras brasileiras. Hoje, é também o principal rosto da tentativa de recolocar o Paraguai entre as seleções competitivas do futebol mundial.

Em entrevista ao site oficial da FIFA, o ex-auxiliar da seleção paraguaia Gustavo Barros Schelotto afirmou que Gómez manteve as características tradicionais do zagueiro paraguaio — força física, imposição no jogo aéreo e competitividade —, mas desenvolveu um perfil de liderança lapidado durante os anos em que usou a braçadeira de capitão do Palmeiras.
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Em um país marcado por nomes históricos como Carlos Gamarra, ele representa a continuidade dessa escola de defensores e o símbolo da reconstrução da identidade da seleção.

Curiosamente, o protagonismo ofensivo que Gustavo Gómez construiu no Palmeiras não se repete com a camisa da seleção. Maior zagueiro artilheiro da história da Libertadores, o capitão paraguaio soma apenas quatro gols em 93 partidas pela Albirroja e não balança as redes desde a Copa América de 2021.
Em compensação, segue acumulando capítulos na história da equipe nacional: já é o sexto jogador com mais partidas pelo Paraguai e está a apenas cinco jogos de igualar Cristian Riveros no top 5 histórico.

Números na Copa
Nesta Copa, os números mostram por que a equipe gira em torno do camisa 15. Gómez lidera o Paraguai em afastamentos de cabeça, com 18, e apresenta 62,5% de aproveitamento nos duelos, o melhor índice entre os jogadores paraguaios que atuaram nas quatro partidas. É a principal referência de um sistema defensivo que cresceu ao longo da competição e se tornou a grande arma da equipe.

A liderança de Gómez também aparece na sequência impressionante de jogos disputados. Em levantamento realizado pelo Flashscore, o zagueiro do Palmeiras terminou o ciclo pré-Copa como o jogador com a maior carga de minutos do futebol mundial.
Entre o início das Eliminatórias, em 2023, e o mata-mata da Copa de 2026, acumulou 19.077 minutos em 220 partidas por clube e seleção, superando nomes como Federico Valverde e Bruno Fernandes. A marca evidencia a confiança depositada no capitão tanto no Palmeiras quanto na seleção paraguaia.

Defesa do Paraguai crescendo
A reação do Paraguai passa diretamente por essa solidez. Depois da derrota por 4 a 2 para os Estados Unidos na estreia, a seleção sofreu apenas mais um gol no Mundial — no empate por 1 a 1 com a Alemanha, antes de garantir a classificação nos pênaltis. No período, ainda venceu a Turquia por 1 a 0 e segurou um empate sem gols contra a Austrália, confirmando a evolução de um setor comandado por Gómez.

A necessidade de resistir atrás fica ainda mais evidente pelos números ofensivos. O Paraguai terminou a primeira fase como a segunda seleção classificada que menos finalizou, com apenas 23 chutes, e também registrou a segunda menor média de posse de bola da Copa, com 31,14%. Mesmo assim, conseguiu neutralizar a Alemanha, que chegava ao confronto com um dos ataques mais produtivos do torneio, e avançou com personalidade na disputa por pênaltis.
O desafio agora é ainda maior. A França chega às oitavas como uma das principais candidatas ao título e dona de um ataque que marcou pelo menos três gols em todos os jogos da Copa.
Para um Paraguai que historicamente construiu suas melhores campanhas sobre organização e força defensiva, a atuação de Gustavo Gómez pode definir muito mais do que uma classificação. No jogo de maior exposição internacional da seleção em muitos anos, o capitão terá a oportunidade de liderar mais um capítulo da tentativa de devolver ao futebol paraguaio o protagonismo que marcou gerações de grandes zagueiros.
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