Neste sábado (3), a história ganha mais um capítulo curioso. Pela segunda vez em mundiais, Bono terá pela frente justamente o Canadá, adversário de Marrocos nas oitavas de final da Copa do Mundo.
O reencontro tem um simbolismo especial. Afinal, Bono nasceu em Montreal e poderia estar do outro lado do campo, mas escolheu escrever sua trajetória vestindo a camisa dos Leões do Atlas.
A família de Bono viveu pouco tempo no Canadá. Quando ele tinha apenas três anos, os pais decidiram voltar para Casablanca, onde o goleiro cresceu, começou a jogar futebol e criou sua identidade. Foi ali que nasceu o sonho de defender Marrocos, muito antes de imaginar que um dia teria a oportunidade de representar outra seleção.
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A escolha de Bono
Essa escolha foi colocada à prova em 2013. Antes de estrear pela equipe principal marroquina, Bono recebeu uma convocação do Canadá. O então técnico Benito Floro queria aproveitar o goleiro nascido em Montreal, mas ouviu um não. Mesmo sem garantias de que seria chamado por Marrocos, ele preferiu esperar.
A recompensa veio poucos meses depois. Em agosto de 2013, Bono estreou pela seleção marroquina e nunca mais saiu do radar. Hoje, soma 94 partidas e faz parte da geração mais vencedora da história do país. Conquistou a Copa Africana de Nações, ajudou Marrocos a alcançar a semifinal da Copa de 2022 e se consolidou como uma das maiores referências da equipe.
Carreira em clubes
Paralelamente, a carreira nos clubes também decolou. Depois de deixar o Wydad Casablanca, passou pelo futebol espanhol e atingiu o auge no Sevilla, onde conquistou duas Ligas Europa, foi eleito o melhor goleiro da La Liga em 2021/22 e terminou entre os três melhores do mundo tanto no prêmio The Best quanto no Troféu Yashin. Desde 2023, defende o Al-Hilal.

Na atual temporada, Bono manteve o alto nível. O marroquino registrou 70% de aproveitamento nas finalizações defendidas e foi um dos responsáveis por levar o Al-Hilal a terminar o Campeonato Saudita com a segunda defesa menos vazada da competição. Aos 35 anos, segue sendo um dos goleiros mais confiáveis do futebol internacional.

A defesa diferente
Na Copa do Mundo, porém, sua grande atuação ficou reservada para o mata-mata. Depois de uma fase de grupos discreta, Bono voltou a mostrar por que ganhou fama de especialista em decisões por pênaltis. Contra a Holanda, defendeu a cobrança de Summerville com um movimento pouco convencional e decisivo para colocar Marrocos entre os 16 melhores.
O lance chamou a atenção pela mecânica. Em vez de apostar no mergulho, o goleiro permaneceu alto e fez apenas um deslocamento lateral antes da defesa. A escolha foi baseada em estudos da comissão técnica sobre o padrão de cobrança do atacante holandês. A imagem da defesa viralizou e virou assunto entre goleiros e analistas ao redor do mundo.

Agora, o destino coloca Bono diante do país onde tudo começou. O Canadá é o local de seu nascimento, mas nunca foi o destino que imaginou para a carreira. Treze anos depois de recusar a convocação canadense, ele chega às oitavas como um dos principais nomes de Marrocos e com a chance de eliminar justamente a seleção que um dia tentou convencê-lo a mudar de lado.
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