De Ramon a Ancelotti: a transformação do Brasil antes do reencontro com o Marrocos

Amrabat e Lucas Paquetá durante confronto em 2023
Amrabat e Lucas Paquetá durante confronto em 2023Fadel Sena/AFP

Quando o Brasil enfrentou o Marrocos em março de 2023, no primeiro amistoso após o fracasso na Copa do Catar, mal poderia imaginar que encontraria ali seu adversário da estreia na Copa de 2026. Muita coisa aconteceu de lá para cá: trocas de treinadores, mudanças no comando da CBF, jogadores que chegaram, que saíram. Qual Brasil era aquele, que iniciava um novo ciclo, e qual Brasil é esse que chega para disputar mais um Mundial?

O Brasil foi derrotado naquele amistoso por 2 a 1. Foi a primeira de 10 derrotas que aconteceriam ao longo de um ciclo marcado por muitas oscilações. Casemiro marcou o gol brasileiro, enquanto Boufal e Sabiri balançaram as redes para os marroquinos.

Confira a tabela da Copa

Ramon Menezes, então responsável pela Seleção sub-20, era o técnico interino após a saída de Tite, que já estava anunciada independentemente do resultado no Catar. O nome de Carlo Ancelotti já aparecia na pauta da CBF. O então presidente Ednaldo Rodrigues admitia esperar pelo italiano. Enquanto isso, o treinador da base seguia no comando da equipe.

Números do Brasil no ciclo. Jogo contra o Marrocos em 2023 foi o primeiro
Números do Brasil no ciclo. Jogo contra o Marrocos em 2023 foi o primeiroOpta by Stats Perform/Buda Mendes/Getty Images via AFP

Confira os convocados por Ramon Menezes para o amistoso contra o Marrocos (com o time deles na época):

•    Goleiros: Ederson (Manchester City), Mycael (Athletico-PR) e Weverton (Palmeiras)

•    Laterais: Arthur (América-MG), Emerson Royal (Tottenham), Alex Telles (Sevilla) e Renan Lodi (Nottingham Forest)

•    Zagueiros: Ibañez (Roma), Éder Militão (Real Madrid), Marquinhos (PSG) e Robert Renan (Zenit)

•    Meio-campistas: André (Fluminense), Andrey Santos (Vasco), Casemiro (Manchester United), João Gomes (Wolverhampton), Lucas Paquetá (West Ham) e Raphael Veiga (Palmeiras)

•    Atacantes: Antony (Manchester United), Richarlison (Tottenham), Rodrygo (Real Madrid), Rony (Palmeiras), Vini Júnior (Real Madrid) e Vitor Roque (Athletico-PR)

Uma Seleção sem rumo

O que se viu foi uma Seleção sem identidade enfrentando um time com base sólida e que vinha de um quarto lugar histórico no Catar. É claro que, por se tratar de um início de ciclo, eram esperadas dificuldades. Nove jogadores faziam sua estreia com a amarelinha naquela partida. Muitos estavam atuando juntos pela primeira vez, e a combinação entre falta de entrosamento e pouco tempo de preparação em uma data FIFA resultou em uma equipe ainda distante do ideal.

Ramon Menezes era o técnico interino da Seleção em 2023
Ramon Menezes era o técnico interino da Seleção em 2023Abu Adem Muhammed/Anadolu via AFP

O principal problema, porém, era a falta de uma direção. Ancelotti viria ao final da temporada europeia? Era um sonho distante? Existia um plano B? Ramon poderia ser efetivado? O tempo mostrou que nem Ednaldo Rodrigues tinha essas respostas.

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No meio do ano, Fernando Diniz assumiu o comando, dividindo as atenções com o Fluminense. Depois, veio Dorival Júnior, que ficou apenas um ano no cargo, até finalmente chegar Ancelotti, dois anos e meio após a eliminação para a Croácia.

Quem chegou na Copa?

Dos 23 convocados por Ramon para aquele duelo contra o Marrocos, apenas sete estão no grupo de 26 jogadores de Ancelotti que podem enfrentar a seleção africana no Mundial. São eles: Ederson, Weverton, Ibañez, Marquinhos, Casemiro, Paquetá e Vini Júnior. Dois atletas eram nomes praticamente certos, mas lesões os tiraram da Copa: Rodrygo e Éder Militão.

Outros nomes tiveram pouca participação ao longo do ciclo. Jogadores como André, Robert Renan, Mycael, Emerson Royal e Raphael Veiga apareceram pouco nas convocações seguintes. Renan Lodi teve duas oportunidades com Diniz em 2023 e depois também deixou de figurar nas listas da Seleção.

O time titular contra o Marrocos em 2023. Dos 23 convocados para aquele jogo, apenas sete seguem na atual Seleção
O time titular contra o Marrocos em 2023. Dos 23 convocados para aquele jogo, apenas sete seguem na atual SeleçãoMauro Pimentel/AFP

Confronto na França em 98

A derrota em 2023 foi a primeira do Brasil em três confrontos contra os africanos. Em 1997, em um amistoso preparatório para o Mundial da França, a Seleção venceu por 2 a 0. Mas o encontro mais emblemático aconteceu justamente na Copa de 1998. Assim como em 2026, o Brasil também estava em um grupo com Marrocos e Escócia. Além deles, a Noruega completava a chave.

Depois de vencer a Escócia na estreia, a equipe comandada por Zagallo chegava embalada para enfrentar o Marrocos. E o que se viu foi uma grande atuação da Seleção. A partida ficou marcada pelo primeiro dos 15 gols de Ronaldo em Copas do Mundo. Além disso, Rivaldo marcou em um belíssimo cruzamento de Cafu (também o primeiro gol de Rivaldo em mundiais), e Bebeto fechou a conta após assistência do Fenômeno. Um show brasileiro em Nantes, na França.

O jogo também ficou marcado por uma discussão mais acalorada entre Bebeto e Dunga, causada por divergências na marcação. Dunga chegou a dar uma leve cabeçada no companheiro, e o lateral Leonardo precisou intervir para acalmar os ânimos.

Neste sábado, o Brasil reencontra o Marrocos 28 anos após o primeiro confronto em Mundiais e três anos e meio depois do duelo que abriu este ciclo. Agora reformulada, a equipe chega ainda buscando aprimorar aspectos técnicos e táticos após um período marcado por muita instabilidade.

A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções, 104 jogos e será disputado em 16 estádios.

 

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