Nenhum dos dois países realmente atingiu o nível de desempenho esperado até agora, mas ambos contaram com qualidade ofensiva para chegar entre os quatro melhores. Um ponto fraco evidente tanto para Inglaterra quanto para Argentina tem sido a surpreendente queda de rendimento de seus goleiros.
Jordan Pickford e Emiliano Martinez costumam ser confiáveis em competições internacionais, mas ambos estão abaixo do esperado na Copa do Mundo de 2026 – e o desempenho deles na quarta-feira pode ser decisivo para o time que avançar.

Pickford precisa reagir
O goleiro do Everton, Pickford, tem sido um dos principais nomes da seleção inglesa em grandes torneios há quase uma década, mas está tendo dificuldades no Mundial e atualmente tem a menor média de avaliação entre os jogadores com mais de 90 minutos em campo: 6,4.
Em termos estatísticos, seu índice de gols evitados está em -2,4, o segundo pior entre os goleiros do torneio com mais de 270 minutos jogados, o que significa, na teoria, que a Inglaterra sofreu quase 2,5 gols a mais do que deveria, considerando os chutes que Pickford enfrentou.
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Mesmo sem cometer erros gritantes o tempo todo, ele levou gols que normalmente seria esperado que defendesse – como o primeiro da Croácia, o gol surpreendente da RD Congo ou o chute de sorte da Noruega.
Dos 18 chutes que enfrentou, Pickford sofreu seis gols e defendeu 12, além de cometer um erro que resultou em finalização (contra a Noruega) e outro que resultou em gol (contra a RD Congo).

Seus dois jogos sem sofrer gols também vieram sem muita exigência, com apenas duas defesas contra o Panamá e sem enfrentar nenhum chute contra a Gana.
Na vitória marcante sobre o México, Pickford voltou a mostrar seu melhor nível, com duas defesas excepcionais em chutes de Raul Jimenez, além de intervenções heroicas no fim do jogo para manter o controle da área – o que talvez tenha distorcido seus números nesse aspecto.
O goleiro de 32 anos já fez 10 socos ao longo do torneio, mais do que qualquer outro goleiro, exceto um, e muito acima da média da competição, que é de 2,6.
Isso sugere uma postura mais proativa para proteger a área – assim como as sete saídas do gol e três bolas altas agarradas –, mas pode ser algo instável, como ficou claro contra a Noruega, quando alguns socos fracos não foram aproveitados pelo adversário.
A distribuição de Pickford costuma privilegiar lançamentos longos para os jogadores mais perigosos da Inglaterra, Harry Kane e Jude Bellingham, com resultados variados, o que é natural em passes longos.
O camisa 1 da seleção inglesa mostrou sinais preocupantes neste verão e vai precisar estar em alto nível contra a Argentina.

Martinez em dificuldade
O goleiro da Argentina, Martinez, também tem sido um dos nomes mais confiáveis do time nos últimos anos e foi protagonista na final da Copa do Mundo de 2022 – incluindo uma defesa memorável no fim do jogo para levar a decisão aos pênaltis, além de uma defesa durante a disputa que ajudou sua seleção a levantar o troféu.
Por isso, também surpreende o fato de ele não ter conseguido se impor no torneio atual, com média de apenas 6,6 na avaliação do Flashscore – a segunda mais baixa do elenco argentino.

Assim como Pickford, ele também tem um índice decepcionante de gols evitados: -1,52, o que significa que pelo menos um gol sofrido pela Argentina poderia ter sido defendido por Martinez.
Ele também sofreu seis gols, mas em apenas 14 chutes enfrentados, ou seja, os adversários estão marcando contra Martinez quase uma vez a cada dois chutes.
Mais uma vez, seus dois jogos sem sofrer gols pouco tiveram a ver com seu desempenho, já que não enfrentou nenhum chute contra a Argélia e apenas um contra a Áustria.
Martinez apresenta números um pouco mais confiáveis quando o assunto são as saídas do gol e a proteção da própria área.
O goleiro ainda não falhou em nenhum desses quesitos, com quatro de quatro bolas agarradas, duas de duas saídas e um soco – embora esses lances ocorram com menos frequência, sugerindo que ele é plenamente capaz quando necessário, mas menos propenso a agir como Pickford costuma fazer.
No quesito distribuição, Martinez costuma lançar mais bolas para a esquerda, abrindo espaço do outro lado do campo para Lionel Messi.

É preciso melhorar para a final
Uma coisa é certa para o duelo de quarta-feira: os dois goleiros precisam melhorar se quiserem chegar à final e ter sucesso quando chegarem lá.
Espanha já garantiu sua vaga na grande decisão após vencer a França e sofreu apenas um gol em toda a Copa do Mundo.
Por isso, não surpreende que o goleiro de 29 anos, Unai Simon, lidere as estatísticas entre os goleiros.
O espanhol defendeu 11 dos 12 chutes que enfrentou e tem média de 7,0 na avaliação do Flashscore por suas atuações na América do Norte.
Ter um goleiro confiável é fundamental para qualquer seleção de sucesso – e tanto Pickford quanto Martinez precisam crescer nos jogos restantes da Copa do Mundo de 2026.
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