Do lado inglês, o ambiente parecia menos carregado do que nos dias anteriores. Depois da vitória por 2 a 1 sobre a Noruega, na prorrogação, em Miami, Tuchel passou a conviver com questionamentos públicos por causa da avaliação crítica que fez da própria equipe — classificada por ele como “sortuda” e “desleixada” em alguns momentos.
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A reação de Jude Bellingham, principal nome inglês na partida, ajudou a inflamar o debate, ao responder que talvez o treinador “não saiba como é jogar nesse tipo de condição”.
Em Atlanta, porém, Tuchel se mostrou mais solto. Procurou esvaziar a leitura de atrito com Bellingham, disse que a imprensa tentava “criar rachaduras onde não há rachaduras” e adotou um tom mais conciliador ao tratar do episódio. Também apareceu mais acessível no trato com os jornalistas, distribuindo sorrisos e transitando com naturalidade por temas laterais à preparação do jogo.
Parte dessa imagem mais leve combina com o retrato traçado sobre a rotina do treinador na semana da semifinal: Tuchel costuma dar voltas de bicicleta por cerca de 15 minutos nos arredores do hotel da delegação e tomar um sorvete para esfriar a cabeça, num ritual que, segundo ele, o reconecta a uma versão mais simples da vida. Também na entrevista pré-jogo, ele falou sem dramatização sobre a história do confronto e até encarou com naturalidade a opção argentina pela camisa azul-escura, afirmando que faria o mesmo se houvesse superstição envolvida. Ele mesmo confessou ter suas superstições e rotinas pré-jogo. Mas sem revelá-las.
Se Tuchel soou mais acessível, Scaloni caminhou na direção oposta. O técnico argentino apareceu mais contido, mais rígido e menos disposto a concessões emocionais. Ao falar da campanha, preferiu reforçar o peso do que sua equipe vem construindo e cobrou reconhecimento. Após a classificação, havia dito que o que aquele grupo conquistou “é histórico”, ainda que a Argentina pudesse jogar melhor, e tratou a ida a mais uma semifinal como um lugar “privilegiado” no futebol.
Na abordagem do clássico, Scaloni também evitou qualquer retórica mais profunda. Repetiu que o duelo com a Inglaterra era “um jogo de futebol” e rejeitou misturar a partida com tensões históricas e políticas entre os países.
O discurso foi protocolar, mas a expressão transmitia outra camada: havia ali menos leveza e mais solenidade, quase como se o treinador procurasse lembrar que, para além do espetáculo, existe uma responsabilidade institucional na defesa de um título mundial.
Não se tratava, necessariamente, de um técnico tentando preparar desculpas prévias. Mas Scaloni deixou transparecer um ar mais sério, mais severo, como quem entende que a permanência da Argentina entre as grandes forças do torneio é uma responsabilidade que pesa nos ombros. Tuchel, por sua vez, pareceu buscar o caminho contrário: tirar peso do entorno para tentar devolver fluidez a um time que chega pressionado, porém vivo, a uma semifinal de Copa.
No fim, antes mesmo de a bola rolar, as duas coletivas já haviam oferecido uma síntese do que cerca cada seleção: de um lado, a tentativa inglesa de administrar ruídos sem perder espontaneidade. Do outro, a necessidade argentina de reafirmar a grandeza sem abrir espaço para distrações.
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