O ex-atacante também comentou o momento do meia James Rodríguez e criticou a FIFA pelo aumento do número de times no Mundial.
Asprilla é uma lenda do Parma, com quem conquistou desde a Recopa Europeia até a Supercopa da UEFA, e também foi parte do inesquecível elenco da Colômbia que meteu 5 a 0 sobre a Argentina em Buenos Aires durante as elimiantórias da Copa de 1994. Asprilla jogou os Mundiais de 1994 e de 1998.

Confira a entrevista na íntegra:
• O que você achou dos amistosos recentes da Colômbia, pouco antes do início da Copa?
O problema dos amistosos tão próximos do início do torneio é que eles não permitem uma análise mais profunda. Os jogadores já estão com a cabeça na Copa do Mundo e não querem correr riscos desnecessários. Essas partidas são mais como treinos, onde os dois times só estão tentando encontrar ritmo.
• Como especialista no setor, qual sua avaliação do ataque da Colômbia?
A Colômbia chega ao torneio com dois ou três atacantes extremamente goleadores. Nossos dois centroavantes, Jhon Córdoba e Luis Suárez, junto com Luis Díaz, estão cheios de confiança. Eles estão marcando gols com facilidade em seus clubes e todos esperamos que consigam repetir esses números pela seleção, especialmente nesta Copa do Mundo.
• Na sua opinião, o Luis Díaz está entre os melhores do mundo na posição dele?
Tenho absoluta certeza de que, na posição dele, está entre os dois ou três melhores do mundo. Junto com o Khvicha Kvaratskhelia, do PSG, ele foi um dos grandes destaques da última temporada.

• Um tema recorrente segue sendo James Rodríguez. Como você avalia sua convocação se ele não teve regularidade nos últimos meses?
Não sei como o técnico pretende administrar o James na Copa do Mundo. Ele jogou muito pouco pelo clube e está sem entrar em campo há cerca de um mês. Mas, como vimos contra a Costa Rica, o James nem sempre precisa ser o centro do jogo. Com um único lance de genialidade, ele pode dar uma assistência decisiva ou decidir uma partida sozinho. É exatamente isso que esperamos dele agora.
• Qual é o seu sentimento sobre esta Copa do Mundo? Quem são seus favoritos?
Vai ser uma Copa do Mundo extremamente longa e exigente. Sinceramente, acho que muitas seleções participantes são desnecessárias. 48 times é realmente demais, mas agora temos que aceitar. Na fase de grupos, vamos ver alguns grandes jogos, mas também partidas que provavelmente serão bem chatas.
O grupo de candidatos ao título segue o mesmo: são as seleções que já conquistaram a Copa do Mundo. Todas as outras são apenas azarões tentando entrar nesse clube exclusivo. Para mim, os favoritos sempre são aqueles que já têm a Copa estampada no escudo.
• O que você acha das novas regras? Por exemplo, o limite de 10 segundos para substituições
Sempre existe uma tentativa de reduzir as injustiças no futebol, mas no fim das contas, ainda se encontram maneiras de favorecer as grandes seleções e prejudicar as menores. Isso, no futebol, provavelmente nunca vai mudar.
• Também há novas orientações sobre comportamento em campo, como a proibição de cobrir a boca ao falar. Você acha que isso pode afetar os jogadores durante os 90 minutos?
Para ser sincero, não entendo. Hoje em dia, estão tentando mudar radicalmente o futebol de todas as formas. Mas o esporte deveria ser vivido no campo – com emoções reais, comemorações e até um pouco de provocação entre os jogadores. Pessoalmente, eu preferia o futebol como era antes.
• Qual jogador atual mais te lembra o Faustino Asprilla em campo?
O futebol de hoje é quase impossível de comparar com o daquela época, é um mundo completamente diferente. Os jogadores não podem ser realmente comparados com os da minha geração. Mas se eu tivesse que escolher, talvez o Kylian Mbappé, pelo jeito de correr. Me vejo nisso, porque também apostava muito na velocidade. Ele é um pouco como eu, embora o Mbappé esteja em outro patamar. O instinto dele para o gol é simplesmente fenomenal, tem que reconhecer isso sem inveja.
• Você está entre os poucos atacantes que podem dizer: "Eliminei o Barcelona da Champions League com um hat-trick." Olhando para trás, o que esse feito significa para você?
Foi uma das partidas mais marcantes da história do clube, o primeiro jogo do Newcastle na principal competição europeia. São lembranças maravilhosas. Não é todo dia que se faz três gols no Barcelona. Sem dúvida, foi uma das melhores noites de toda a minha carreira.
