Fábrica da tristeza: Conheça Cleveland, cidade de Brasil x Egito onde até o dono do time fugiu

Torcedor brinca com apelido infame de "Fábrica da tristeza", dado ao palco do jogo entre Brasil e Egito
Torcedor brinca com apelido infame de "Fábrica da tristeza", dado ao palco do jogo entre Brasil e EgitoNICK CAMMETT / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

Para os torcedores locais do Cleveland Browns, acostumados com as frustrações da NFL, ver as cinco estrelas no peito da camisa do Brasil no gramado do Huntington Bank Field será um choque de realidade. A Seleção entra em campo contra o Egito neste sábado (6), às 19h (de Brasília), no último amistoso antes da Copa.

Se a torcida brasileira reclama do jejum de 24 anos sem conquistar uma Copa do Mundo, o torcedor do Cleveland Browns, equipe dona do estádio que recebe a Seleção, convive com uma espera ainda mais cruel: jamais viu o time disputar sequer um Super Bowl.

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"Vocês não sabem o que é sofrer", esta é a resposta de um fã dos Browns ao brasileiro mais desacreditado. 

Os Browns são famosos pela "The Factory of Sadness" (Fábrica de Tristeza), apelido que o estádio ganhou na época em que o time perdia quase todos os jogos. 

Se o Arizona Cardinals, outra franquia da NFL, detém a maior seca matemática dos EUA (não vence desde 1947), o Huntington Bank Field abriga a seca mais traumática.

Jogar nos Browns significa pisar no único gramado da NFL que nunca viu seu time chegar a um Super Bowl e que faz parte de uma cidade que ostenta, ao mesmo tempo, o maior jejum do futebol americano e a maior fila do beisebol com os Guardians (a equipe não ganha a World Series desde 1948 — são, portanto, 78 anos de fila).

O Brasil, com suas cinco Copas, definitivamente estará jogando no santuário da resiliência (ou do azar) mundial.

Acompanhe Brasil x Egito com narração ao vivo no Flashscore 

Nem o dono aguentou

Nos anos 1990, Art Modell, antigo dono dos Browns, pegou a franquia e a mudou de cidade, transformando-a no Baltimore Ravens. Cleveland ficou sem time de 1996 a 1998.

Para piorar a humilhação do torcedor, os Ravens ganharam o Super Bowl logo depois. Os Browns foram recriados do zero em 1999 e, desde então, viraram sinônimo de fracassos, incluindo uma temporada histórica de 0 vitórias e 16 derrotas em 2017.

Fãs dos Browns protestam contra mudança do time para Baltimore
Fãs dos Browns protestam contra mudança do time para BaltimoreKIMBERLY BARTH / AFP

Só LeBron James quebrou a zica

Cleveland passou por uma das maiores secas de títulos da história do esporte americano. Foram 52 anos de jejum total (de 1964 a 2016). Mas a maldição foi quebrada quando LeBron James retornou a Ohio para finalmente levar os Cavaliers à glória na NBA. 

Em 2016, enfrentando o poderoso Golden State Warriors, a equipe operou o milagre de virar uma série final após estar perdendo por 3 a 1, feito jamais visto na história da liga. O ápice da redenção veio no dramático Jogo 7 com "The Block", o toco icônico de LeBron que garantiu a vitória por 93 a 89 e eternizou seu grito de desabafo: "Cleveland, isso é para você!".

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