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Federação Norueguesa de Futebol vai apresentar queixa sobre caso Balogun

Donald Trump, à direita, e o presidente da FIFA Gianni Infantino
Donald Trump, à direita, e o presidente da FIFA Gianni InfantinoDaniel Torok/White House / Zuma Press / Profimedia

A Federação Norueguesa de Futebol se prepara para apresentar uma queixa oficial junto à comissão de ética da FIFA devido à interferência do presidente norte-americano Donald Trump no caso da suspensão do atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos. Lise Klaveness, presidente da federação, alerta para qualquer tentativa de varrer este escândalo "para debaixo do tapete".

A tensão atingiu o auge quando a FIFA suspendeu a sanção aplicada ao atacante norte-americano Folarin Balogun durante o mata-mata da Copa do Mundo. O presidente norte-americano Donald Trump desempenhou um papel nesta decisão, tendo depois afirmado publicamente que pediu ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, para reconsiderar a suspensão.

Agora, o caso parece entrar em nova fase. Lise Klaveness, presidente da Federação Norueguesa de Futebol, revelou em entrevista ao The Times que a federação pretende apresentar uma queixa à FIFA sobre este caso polêmico.

"Quando se dobra uma regra desta forma, entra-se num caminho perigoso que põe em risco todo o futebol. É preocupante para o futebol quando as regras fundamentais do jogo são desrespeitadas. Acima de tudo, isto nunca deveria ter acontecido. Agora é fundamental falar sobre o assunto de forma honesta", sugere.

"Todos sabemos que esta decisão foi influenciada por forças externas e que não respeitou o procedimento adequado. Precisamos que a FIFA reconheça que se tratou de um erro. Se se começa a adaptar desta forma aos chefes de Estado e à política, altera-se o próprio comportamento e o da organização — e também se deslocam os limites do que os chefes de Estado podem influenciar. E foi exatamente isso que aconteceu", afirma Lise Klaveness.

Abrindo precedentes

Ao mesmo tempo, Lise Klaveness sublinha que o problema não se limita a este caso específico, mas sim aos princípios que estão na base da decisão.

"Quando se tomam decisões polêmicas - sobretudo quando uma voz externa poderosa sussurrou ao ouvido - é essencial que a decisão seja tomada em conjunto. Se tal não acontecer, é um erro. Este caso foi tão grave e preocupante que espero que leve as pessoas a se manifestarem e a não terem receio de levantar questões. Pretendo abordar o tema numa reunião do conselho de administração e discuti-lo com o meu conselho, para depois agirmos", projeta.

"Para mim, isto se enquadra no mesmo âmbito de uma queixa por violação da ética. Tentar varrer este caso para debaixo do tapete não vai resultar. Muitas pessoas - treinadores, jogadores e torcedores - sentiram que isto foi longe demais e prejudicou o próprio jogo", pontua.