O acaso do futebol costuma deixar o reconhecimento ou o cancelamento divididos por uma linha tênue. No caso da partida contra o Japão, a alegria no vestiário verde-amarelo fez os elogios soarem mais alto do que as críticas.
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Um dos pontos positivos, a entrada de Martinelli como meia esquerda da seleção, empurrando Vini Jr. mais para o lado do campo, deve estar em campo novamente contra a Noruega.
Sem Paquetá, o hiato que pode surgir é na recomposição defensiva do meio-campo brasileiro. Será que o atacante do Arsenal conseguirá dar a proteção de que Casemiro precisa?
Caso Bruno Guimarães tenha funções mais defensivas para segurar Nusa, Odegaard, Haaland e Sorloth, como ficarão os passes decisivos, limpos, que ele tem dado no ataque para colocar os seus companheiros na cara do gol?
O quebra-cabeça tático de Ancelotti pode ser montado de outra forma, com Danilo Santos fechando o losango pela esquerda. Casemiro atrás, Bruno Guimarães pela direita e Matheus Cunha na frente, para se aproximar de Vini Jr. e Rayan.
Dessa forma, a segurança defensiva tende a ser um pouco maior contra uma seleção nórdica que não foge muito das suas digitais ofensivas, ao contrário do que fez o Japão.

Haaland de volante
Não há exagero em afirmar que o todo-poderoso atacante da Noruega, Erling Haaland, jogou quase como um volante contra a Costa do Marfim.
O mapa das posições médias dos noruegueses mostra que o goleador, que marcou cinco vezes em quatro jogos na Copa, não tem nenhum DNA de ficar apenas na banheira. Com vigor físico, ele não se furta a fazer uma constante recomposição para ajudar Berg e Berger a proteger a zaga europeia, que tende a jogar com uma linha de quatro.
Na frente, a vantagem do móvel time dirigido por Solbakken é que as pontas costumam funcionar para, dentro da área e com poucos toques na bola, Haaland empurrar para as redes. “A atenção tem que ser grande para não darmos nenhuma bola a ele. É disso que ele precisa apenas para decidir”, disse Bruno Guimarães na véspera do jogo, válido pelas oitavas de final do Mundial.

O sempre tenso quinto jogo, principalmente no caso do Brasil, que, desde o último título, em 2002, deixou a seleção fora da Copa quando o adversário era europeu, vai ter outros ingredientes extracampo, que também vão obrigar os dois treinadores a ter todo o elenco na mão.
Com quase 40 graus de temperatura, segundo a eficiente previsão meteorológica americana, as mudanças para revigorar fisicamente os times tendem a ser decisivas.
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Se o meio-campo do Brasil será mais uma vez vital para colocar o Brasil em condições de criar mais chances claras de gol, o equilíbrio defensivo é a principal preocupação do treinador Ancelotti.
“Ainda temos que melhorar no Mundial”, afirmou o treinador na entrevista pré-jogo. Segundo ele, após começar com uma nota 5 na partida contra Marrocos, “chegamos a 7,5 contra o Japão, porque terminamos o jogo alegres”, ratificou.

Uma defesa que não passe por sustos vai envolver ainda laterais mais bloqueados e, principalmente, maior pressão contra as transições e bolas longas, além dos chutes de fora da área. Os outros quatro jogos do Brasil na Copa deixaram vários sinais de alerta.
Cada um dos gols sofridos contra Marrocos e Japão saiu de fora da área e pelo corredor central. Na estreia, diante dos africanos, houve uma bola longa enfiada desde o meio-campo por Brahim Díaz.
Contra o Japão, o chute saiu após uma bola carregada de muito longe pelo meia Sano. A Noruega também é o time mais alto da Copa. O Brasil ainda não fez gols de bolas paradas na competição.
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