Haaland de volante, Martinelli de meia: o quebra-cabeça tático de Ancelotti

Martinelli faz o segundo gol do Brasil contra o Japão
Martinelli faz o segundo gol do Brasil contra o JapãoREUTERS/Annegret Hilse

O passe preciso de Bruno Guimarães para Martinelli estufar a rede do goleiro Suzuki e marcar o gol mais tardio do Brasil em uma vitória em Copas do Mundo tem um desenho que realça as escolhas do técnico Carlo Ancelotti.

O acaso do futebol costuma deixar o reconhecimento ou o cancelamento divididos por uma linha tênue. No caso da partida contra o Japão, a alegria no vestiário verde-amarelo fez os elogios soarem mais alto do que as críticas.

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Um dos pontos positivos, a entrada de Martinelli como meia esquerda da seleção, empurrando Vini Jr. mais para o lado do campo, deve estar em campo novamente contra a Noruega.

Sem Paquetá, o hiato que pode surgir é na recomposição defensiva do meio-campo brasileiro. Será que o atacante do Arsenal conseguirá dar a proteção de que Casemiro precisa?

Caso Bruno Guimarães tenha funções mais defensivas para segurar Nusa, Odegaard, Haaland e Sorloth, como ficarão os passes decisivos, limpos, que ele tem dado no ataque para colocar os seus companheiros na cara do gol?

O quebra-cabeça tático de Ancelotti pode ser montado de outra forma, com Danilo Santos fechando o losango pela esquerda. Casemiro atrás, Bruno Guimarães pela direita e Matheus Cunha na frente, para se aproximar de Vini Jr. e Rayan.

Dessa forma, a segurança defensiva tende a ser um pouco maior contra uma seleção nórdica que não foge muito das suas digitais ofensivas, ao contrário do que fez o Japão.

Passes do meio-campo Bruno Guimarães para o pedaço final do campo
Passes do meio-campo Bruno Guimarães para o pedaço final do campoStats Perform/Opta

Haaland de volante

Não há exagero em afirmar que o todo-poderoso atacante da Noruega, Erling Haaland, jogou quase como um volante contra a Costa do Marfim.

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O mapa das posições médias dos noruegueses mostra que o goleador, que marcou cinco vezes em quatro jogos na Copa, não tem nenhum DNA de ficar apenas na banheira. Com vigor físico, ele não se furta a fazer uma constante recomposição para ajudar Berg e Berger a proteger a zaga europeia, que tende a jogar com uma linha de quatro.

Na frente, a vantagem do móvel time dirigido por Solbakken é que as pontas costumam funcionar para, dentro da área e com poucos toques na bola, Haaland empurrar para as redes. “A atenção tem que ser grande para não darmos nenhuma bola a ele. É disso que ele precisa apenas para decidir”, disse Bruno Guimarães na véspera do jogo, válido pelas oitavas de final do Mundial.

Posição média da seleção da Noruega contra Costa do Marfim: Haaland (9) ficou a maior parte do tempo no campo de defesa
Posição média da seleção da Noruega contra Costa do Marfim: Haaland (9) ficou a maior parte do tempo no campo de defesaStats Perform/Opta

O sempre tenso quinto jogo, principalmente no caso do Brasil, que, desde o último título, em 2002, deixou a seleção fora da Copa quando o adversário era europeu, vai ter outros ingredientes extracampo, que também vão obrigar os dois treinadores a ter todo o elenco na mão.

Com quase 40 graus de temperatura, segundo a eficiente previsão meteorológica americana, as mudanças para revigorar fisicamente os times tendem a ser decisivas.

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Se o meio-campo do Brasil será mais uma vez vital para colocar o Brasil em condições de criar mais chances claras de gol, o equilíbrio defensivo é a principal preocupação do treinador Ancelotti.

Ainda temos que melhorar no Mundial”, afirmou o treinador na entrevista pré-jogo. Segundo ele, após começar com uma nota 5 na partida contra Marrocos, “chegamos a 7,5 contra o Japão, porque terminamos o jogo alegres”, ratificou.

Mapa de calor do Martinelli contra o Japão
Mapa de calor do Martinelli contra o JapãoStats Perform/Opta

Uma defesa que não passe por sustos vai envolver ainda laterais mais bloqueados e, principalmente, maior pressão contra as transições e bolas longas, além dos chutes de fora da área. Os outros quatro jogos do Brasil na Copa deixaram vários sinais de alerta.

Cada um dos gols sofridos contra Marrocos e Japão saiu de fora da área e pelo corredor central. Na estreia, diante dos africanos, houve uma bola longa enfiada desde o meio-campo por Brahim Díaz.

Contra o Japão, o chute saiu após uma bola carregada de muito longe pelo meia Sano. A Noruega também é o time mais alto da Copa. O Brasil ainda não fez gols de bolas paradas na competição.

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