Após 40 anos, Inglaterra revive o “karma” do estádio Azteca diante do México

Bola histórica do gol de mão de Maradona em 1986 exposta na Inglaterra em 2022
Bola histórica do gol de mão de Maradona em 1986 exposta na Inglaterra em 2022ISABEL INFANTES / AFP

Thomas Tuchel reclamou da altitude, evitou treinar muito no México por causa de eventuais espionagens e ainda usou o termo "karma" para se lembrar da fatídica partida dos ingleses contra a Argentina, na Copa de 1986.

"Isso será recompensado. Nós receberemos isso de volta. É karma. O karma voltará a nosso favor. Vamos mudar essa história", disse Tuchel ao ser questionado sobre o retorno da Inglaterra ao estádio onde o famoso gol de Maradona — e sua espetacular arrancada individual, minutos depois — garantiram a vitória da Argentina por 2 a 1 nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986.

Confira a tabela da Copa

Aos 6 minutos do segundo tempo, Maradona domina a bola do lado esquerdo do campo de ataque. Carrega pelo meio, esquivando-se dos ingleses. Antes da meia-lua, abre para Valdano, à direita, na entrada da área.

Prévia de México x Inglaterra
Flashscore

O zagueiro inglês chega primeiro, mas tira a bola para trás. Maradona salta na altura da marca do pênalti para disputar a bola com o goleiro Peter Shilton. O craque argentino tenta a cabeçada, mas a bola bate em sua mão esquerda e morre no fundo do gol.

Siga México x Inglaterra com narração ao vivo do Flashscore

"É claro que eu me lembro da Copa do Mundo do Maradona", disse Tuchel nesta semana. "Dos dois gols contra a Inglaterra — aquele em que ele driblou todo mundo e o outro, que hoje em dia jamais seria validado."

Gol de mão de Maradona contra a Inglaterra em 1986
Gol de mão de Maradona contra a Inglaterra em 1986SVEN SIMON/DPA PICTURE-ALLIANCE VIA AFP

O treinador alemão da Inglaterra tem toda razão. Em tempos de VAR, a descarada mão na bola de Maradona não entraria para a história. Poucos entenderam, na hora, a reclamação dos ingleses. Os replays, a qualidade e a disponibilidade das imagens eram muito diferentes das atuais. Só quando as fotos dos fotógrafos surgiram nos jornais, no dia seguinte (não havia internet) ficou clara a jogada do argentino.

Se hoje o primeiro gol de Diego nem seria validado, o que Maradona fez três minutos depois, com toda a razão, entrou (e continuará sendo lembrado sempre) na história dos Mundiais.

Alguns metros antes da linha que divide o gramado, ele pisa na bola, gira e já deixa dois adversários para trás. Dispara pelo lado direito e atravessa todo o campo de ataque. Ainda se livra de três ingleses, incluindo o goleiro, e empurra, de mansinho, a bola para o gol, perto da pequena área. Histórico. Genial.

A Inglaterra diminuiria no fim da partida, mas, com a vitória por 2 a 1, a Argentina voltou a sonhar com o título. Depois passaria pela Bélgica na semifinal e conquistaria a Copa diante da Alemanha Ocidental.

A sombra que marcou uma Copa

"Tinha 13 anos quando a Alemanha jogou a final contra a Argentina", continua Tuchel. "Também me lembro de que havia algo suspenso no meio do Azteca, e a sombra nunca se movia. Parecia uma placa pendurada, e o sol estava tão a pino que a sombra permanecia sempre ao redor do círculo central."

A lembrança do atual técnico inglês é a mesma de toda criança que assistiu àquela Copa pela televisão. A tal sombra marcou as transmissões da Copa do Mundo de 1986. No centro do gramado, havia um desenho que lembrava um "sol" ou uma "aranha", dando a impressão, correta, de que havia um objeto suspenso sobre o campo.

Frame da imagem da sombra sobre o Azteca
Frame da imagem da sombra sobre o AztecaReprodução

A marca visual era produzida pela estrutura metálica do sistema de som do Azteca, conhecida como "La Araña" ("A Aranha"), instalada a cerca de 36 metros de altura sobre o círculo central.

O conjunto reunia dezenas de alto-falantes distribuídos em hastes radiais, cuja sombra era projetada sobre o gramado. Como muitos jogos eram disputados perto do meio-dia e o sol, na Cidade do México, permanecia quase a pino, a sombra se deslocava muito pouco durante os 90 minutos, tornando-se uma das imagens mais características da Copa de 1986.

O peso do karma

"Estou muito animado para esse jogo. É uma partida icônica, enfrentar o México no México. Mas sabemos que estaremos jogando contra o país inteiro, contra a energia de toda a nação, dentro do estádio deles."

Sobre o gol de mão de 40 anos atrás, Maradona, que passou muitos anos dizendo que era um gol "um pouco com a cabeça e um pouco com a mão de Deus", no fim da vida chegou a pedir desculpas pelo lance, admitindo a trapaça.

Villa Fiorito, periferia de Buenos Aires, onde nasceu Maradona
Villa Fiorito, periferia de Buenos Aires, onde nasceu MaradonaLUIS ROBAYO/AFP

O jogo contra os ingleses, naquela época, foi além da questão esportiva para os sul-americanos. Aquela Copa no México foi a primeira após o fim da ditadura argentina e ocorreu poucos anos depois da Guerra das Malvinas, entre ingleses e argentinos. Diego nunca se limitou a falar apenas sobre futebol.

Os tempos são outros e, agora, o duelo tem significados importantes para os dois lados apenas no aspecto esportivo. A Inglaterra, se vencer, além de despachar o karma, como diz Tuchel, entrará entre as oito melhores seleções do mundo pela terceira Copa seguida. Os donos da casa, se passarem, voltarão pela segunda vez na história a uma fase de quartas de final. A primeira foi exatamente há 40 anos, também em seu território.

Conteúdo patrocinado

Não fique de fora!

Assista a todos os jogos da Copa do Mundo ao vivo pela CazéTV no plano Premium do Disney+ a R$ 19,90/mês.

Oferta por tempo limitado.

Assine já!

Assine Disney+ para acompanhar ao vivo todos os jogos da Copa
Assine Disney+ para acompanhar ao vivo todos os jogos da CopaDisney+