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Infantino acusa os críticos da Copa do Mundo de espalharem ódio em carta aberta

Gianni Infantino, Trump e Rodri
Gianni Infantino, Trump e RodriREUTERS / Hannah Mckay

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, respondeu às críticas direcionadas à Copa, acusando seus detratores de disseminar ódio e desinformação, enquanto defende o torneio como um sucesso que celebra a união, a segurança e a inclusão.

Em uma carta aberta publicada na segunda-feira (27), Infantino afirmou que os críticos ignoraram a alegria e o clima festivo vividos por milhões de torcedores ao redor do mundo acompanhando o torneio, que foi vencido pela Espanha e organizado nos Estados Unidos, Canadá e México.

"Vocês estavam tão consumidos pelo ódio e pela crítica que perderam tudo isso. Para aqueles que, atrás de suas canetas e papéis, atrás de suas telas, espalham ódio e boatos falsos, quero dizer que, enquanto vocês ficam de fora, nós, na FIFA, estamos na linha de frente organizando, trabalhando duro e entregando o maior espetáculo do mundo. Não tivemos nenhum ato violento, nenhum incidente, segurança 100%, só alegria e felicidade".

A FIFA recebeu críticas em vários aspectos durante o torneio, especialmente pelo debate em torno das restrições de visto dos Estados Unidos que afetaram torcedores e oficiais de diversos países, assim como pelas preocupações com times vindos de regiões em conflito.

A carta de Infantino também foi publicada após a análise da gestão da FIFA sobre o processo disciplinar de Folarin Balogun, uma decisão de suspender a punição automática de um jogo após seu cartão vermelho contra a Bósnia e Herzegovina, depois da intervenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Algumas decisões da arbitragem na partida entre Argentina e Egito também geraram muito debate entre os torcedores e observadores. Embora Infantino não tenha mencionado casos específicos, defendeu que muitas das decisões de arbitragem e disciplinares criticadas durante o torneio são comuns em diferentes competições ao redor do mundo.

"Os cartões vermelhos ou amarelos que podem parecer injustos, ou as decisões posteriores de não punir jogadores em certas situações, são comuns e amplamente aceitas em alguns dos campeonatos mais importantes do mundo. É curioso que os mesmos países que aplicam essas práticas sejam os que criticam".

Polêmicas sobre os vistos

Infantino destacou a participação de países que enfrentam tensões políticas, crises internas ou desafios de saúde como prova da capacidade do futebol de superar divisões.

Enquanto a participação do Irã aconteceu em meio a um conflito com os Estados Unidos, os problemas decorrentes da crise interna no Haiti e a epidemia de ebola na RD Congo também colocaram em evidência as restrições de visto e viagem.

O árbitro somali da Copa, Omar Abdulkadir Artan, não conseguiu entrar nos Estados Unidos mesmo tendo um visto válido.

"O Irã entrou nos Estados Unidos sem incidentes ou conflitos. O time iraniano conseguiu vistos para entrar porque o futebol é paz. Não é política. Os países que enfrentam graves problemas de saúde ou outros desafios conseguiram vistos". 

"Quando o futebol permitiu que o Haiti se mostrasse ao mundo, um país para o qual muitos não podem ou não querem viajar, talvez seja hora de largar as canetas e os teclados e mostrar um pouco de respeito aos times que jogaram".