O enredo ganha contornos dramáticos por conta do passado: foi exatamente neste mesmo estádio, há dez anos, na final da Copa América Centenário de 2016 contra o Chile, que um Messi desolado após perder um pênalti anunciou em lágrimas que sua trajetória com a camisa albiceleste havia chegado ao fim.
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"A seleção acabou para mim", disse naquela noite.
Para os torcedores argentinos, veio o alívio. Aquela declaração, feita de "cabeça quente", não passou de um impulso. Messi voltou, conquistou a Copa do Mundo no Catar, em 2022, e agora está a apenas 90 minutos de um feito que parecia impossível: o bicampeonato mundial consecutivo.
Se o título deste ano vier na "Copa das Copas" — a primeira da história com 48 seleções e três países-sede —, a conquista não apenas fechará uma ferida histórica em solo norte-americano, mas empurrará o mundo do futebol para um debate inevitável e incômodo para os brasileiros.
Se Messi conquistar o Mundial de 2026, ele passa Pelé como o maior de todos os tempos? Essa é uma gaveta que o torcedor brasileiro se recusa terminantemente a abrir, mas que, para analistas internacionais e até companheiros de profissão, já foi escancarada. Antes da final, o volante espanhol Rodri alimentou a fogueira ao declarar categoricamente que Messi é o maior jogador da história, sem espaço para discussões.
Para entender a força desse debate, o confronto estatístico e de impacto em Copas do Mundo entre o Rei do Futebol e o craque argentino atinge níveis impressionantes.
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Pelé: O ápice do aproveitamento
O eterno camisa 10 brasileiro disputou quatro Copas do Mundo (1958, 1962, 1966 e 1970) e conquistou três títulos — um recorde absoluto e isolado na história do esporte.
Em 14 partidas disputadas em Mundiais, Pelé marcou 12 gols e distribuiu 8 assistências. Sua média de gols (0,86 por jogo) e o fato de ter sido o catalisador da era de ouro do futebol brasileiro aos 17 anos dão o tom de sua majestade intransponível.
Messi: A longevidade dos recordes
Lionel Messi, por sua vez, caminha para a sua sexta Copa do Mundo de forma consecutiva (2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026). Ele já é o jogador com mais partidas na história do torneio (superando os 26 jogos de Lothar Matthäus) e o maior artilheiro da Argentina em Mundiais.
Campeão em 2022 como o craque incontestável do torneio, Messi chega à final de 2026 com a chance de igualar as duas Copas consecutivas de Pelé (58-62) e Garrincha.
Além disso, com 21 gols em Copas do Mundo, ele é o vice-artilheiro da história da competição, um tento atrás de Mbappé, que tem 22.
A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho na América do Norte. Veja tudo o que você precisa saber sobre o torneio:
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Tem debate?
A discussão ganha tração porque, no futebol moderno, a longevidade de Messi no topo do mundo por quase duas décadas — empilhando Bolas de Ouro, Champions Leagues e mantendo um nível de competitividade brutal — rivaliza diretamente com o peso mítico das três taças de Pelé em uma era em que a Copa do Mundo era o único e definitivo medidor de grandeza.
Para muitos, a discussão é infundada e a coroa do Rei do Futebol jamais será tocada. Para outros, um Messi bicampeão do mundo aos 39 anos, carregando uma Argentina em transição no maior torneio de todos os tempos, é o argumento final para encerrar o debate.
A resposta definitiva poderá ser dada no mesmo MetLife Stadium que um dia viu Messi desistir, provando que o futebol adora dar segundas chances a quem tem a genialidade nos pés.
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