Para outros jogadores, os 39 anos são sinônimo de aposentadoria. Mas Messi mostrou na América do Norte que é o primeiro entre os imortais de uma Argentina que teve que ressurgir repetidas vezes.
Saiba tudo sobre a final da Copa do Mundo
Depois da conquista em 2022, a primeira do país em 36 anos, o camisa 10 deixou em dúvida sua participação na competição atual. Ele questionava se sua idade permitiria isso.
Mas em plena Copa do Mundo de 2026, mostrou um nível próximo daquele que o colocou entre os maiores da história do Barcelona. E a Albiceleste, que desembarcou em meio a dúvidas nos Estados Unidos, vai disputar a final contra a Espanha neste domingo (19), em Nova Jersey.
Embora o mundo tenha se rendido aos seus pés, Messi garante que esta é sua sexta e última participação no maior palco do futebol, independentemente do resultado da final.
"Não, não, isso não", disse o craque ao descartar qualquer possibilidade de participar da Copa de 2030, na qual a Argentina sediará um dos jogos de abertura — para a decepção de sua legião de fãs.

"O melhor da história"
Com viradas dramáticas e resiliência, a Argentina caminha rumo ao quarto título mundial, liderada por um jogador de 1,70m de altura que se tornou um gigante nos gramados americanos.
Com 21 gols, Messi tem disputado com Kylian Mbappé a honra de se tornar o maior artilheiro da história da Copa do Mundo e de conquistar sua primeira Chuteira de Ouro no torneio (com oito gols).
O francês soma 22 e 10, respectivamente, após marcar duas vezes na derrota por 6 a 4 para a Inglaterra, neste sábado (18), na disputa pelo terceiro lugar.
Mas os números parecem pouca coisa diante das demonstrações de talento na reta final de sua carreira. E isso apesar de passar a maior parte do tempo caminhando em campo.
Um momento memorável? Quando ele driblou quatro jogadores ingleses na semifinal, incluindo Harry Kane, e passando a bola por entre as pernas de Anthony Gordon, antes de ser derrubado.
"O que mais ele precisa fazer para ser considerado o maior da história?", perguntou o técnico da Argentina, Lionel Scaloni, sem encontrar outras palavras para descrever seu capitão: "lenda", "o melhor jogador que o mundo já viu".

A relação de Messi com a Copa do Mundo foi, a princípio, uma história de decepções: eliminações precoces em 2006, 2010 e 2018, além de uma final perdida para os alemães na prorrogação em 2014.
Mas Scaloni deu ao astro algo que outros não haviam dado: um grupo de soldados prontos para morrer por ele. Um líder que se mostrou vulnerável na América do Norte, de choro e sorriso fáceis, em meio aos problemas de saúde de seu pai, Jorge, também seu empresário e porto seguro.

Conquistar um povo
Por ironia do destino, o vencedor de oito Bolas de Ouro vai em busca de seu segundo título mundial no MetLife Stadium. É o mesmo local onde, há uma década, anunciou sua aposentadoria da seleção após perder sua segunda final consecutiva da Copa América para o Chile.
Mas ele voltou dois meses depois para tentar conquistar um povo que, cativado pela memória de Diego Maradona, o via há anos como alguém distante e o criticava sem trégua.
Messi se transformou a partir daquele momento. Deixou de ser uma peça fundamental, porém de poucas palavras, para assumir a braçadeira de capitão e a liderança de uma seleção que se uniu em torno dele, deixando claro quem era o líder do grupo.
Deixou o futebol de elite em 2023 para assinar com o Inter Miami, da MLS, uma liga menos competitiva, e levou a equipe ao seu primeiro título no ano passado.
Sem grandes rivais e com um calendário mais leve, Messi praticou um futebol sob medida: evitava jogos em campo de grama sintética e administrava sua minutagem sempre que julgava necessário.
Tudo isso com o objetivo de chegar à Copa do Mundo na melhor forma e manter a geração mais vitoriosa da Argentina no topo.
"Não há palavras para descrever a responsabilidade e a qualidade que ele demonstra: ele é simplesmente o líder e o jogador fundamental de qualquer equipe em que joga", elogiou Thomas Tuchel, técnico da Inglaterra, vítima de Messi na semifinal da Copa.
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