Nesta sexta-feira, Portugal enfrenta a Croácia com a esperança de chegar às oitavas de final do Mundial. A partida reúne dois veteranos do futebol mundial e dois ex-companheiros de Real Madrid: Cristiano Ronaldo e Luka Modric.
Ambos já passaram dos 40 anos (41 e 40, respectivamente), e o lugar deles na história de seus países não está em discussão. No entanto, é válido questionar qual tipo de influência um jogador dessa idade pode exercer em um time, além de transmitir experiência.
Um chute no alvo contra a Colômbia
No último jogo da fase de grupos (0x0 contra a Colômbia), Ronaldo finalizou três vezes, mesmo número de João Felix conseguiu, mas apenas um foi na direção do gol.
CR7 deu apenas dois toques na área colombiana, sendo um deles o chute para fora. Quando se observa que Luis Diaz teve sete toques na área de Portugal e Jhon Arias teve seis, isso mostra que a presença Ronaldo não ajudou.

Passe e drible ruins
Analisando também a distribuição de passes do craque nessa partida, com 81,5%, ele teve o pior índice do time de Portugal.
Embora outros jogadores do time tenham tido menos toques totais (35) ou passes certos (22), eles apresentaram aproveitamento de passe bem superior.
De modo geral, e talvez mais preocupante para Ronaldo, é o fato de ele não ter feito nenhum drible, bem-sucedido ou não, nem ter disputado bolas aéreas na partida.
Esses fundamentos sempre foram marcas registradas do camisa 7.
Do ponto de vista defensivo, não ter tentado nenhum desarme ou interceptação pode ser mais um ponto negativo, mas nunca foi o estilo de jogo natural de Ronaldo.
Atuação irregular contra o Uzbequistão
No jogo anterior, contra o Uzbequistão, o camisa 7 foi o destaque, marcando dois gols, na goleada de Portugal por 5 a 0.
A diferença nos números ofensivos em relação ao jogo contra a Colômbia é impressionante, já que contra a seleção uzbeque Ronaldo finalizou sete vezes, cinco delas no alvo, conseguiu 10 toques na área adversária e cinco grandes chances criadas.
No entanto, os outros aspectos do jogo dele também deixar a desejar.
O aproveitamento de passes foi novamente o pior do time, apenas 68,4%, e ele acertou só 13 passes durante toda a partida. Um drible, que não teve sucesso, e apenas uma vez recuperou a posse de bola — pior índice do time, junto com o goleiro Diogo Costa — também não ajudam a esconder as falhas.
CR7 teve também um único desarme vencido, mas considerando que nenhum outro jogador de Portugal tentou mais de dois, é um dado aceitável.
Problemas desde a estreia
A estreia de Portugal foi contra a RD Congo, e empatar com um dos azarões do torneio claramente não foi o melhor começo para os europeus.
As três finalizações de Ronaldo foram o maior número dos portugueses, mas nenhuma foi no alvo. Cinco toques na área do Congo foram o segundo melhor índice, atrás apenas de Nuno Mendes (seis).
Começar a Copa do Mundo com 90,5% de aproveitamento nos passes foi um ótimo início, e apesar de mais uma partida sem tentar dribles, Ronaldo pelo menos participou de alguns duelos no chão, vencendo dois de três disputados, e também de duelos aéreos, vencendo novamente dois de três.

Defensivamente, porém, ele foi o único português em campo que não tentou desarme, não sofreu falta nem fez corte, e isso é relevante.
A Croácia, mesmo com um elenco envelhecido, tem jogadores — como Modric — que vão até o limite.
Esse é o tipo de dedicação que Ronaldo simplesmente não tem, ou pelo menos não mostrou nesta Copa do Mundo, e se ele e Portugal ainda quiserem sonhar com sucesso, vai precisar fazer muito mais do que apenas entrar em campo e estufar o peito.
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