A polícia realizou "buscas e apreensões" na sede da Federação Coreana de Futebol (KFA), investigando suspeitas de "obstrução de negócios" no processo de contratação do ex-técnico Hong Myung-bo, informou um porta-voz da polícia à AFP.
Hong, de 57 anos, pediu demissão em junho após a Coreia do Sul ser eliminada ainda na fase de grupos do torneio com 48 seleções nos Estados Unidos, México e Canadá, depois de uma surpreendente derrota por 1 a 0 para a África do Sul.
A Federação Coreana de Futebol já vinha sendo pressionada sobre a nomeação de Hong em 2024, mas as críticas aumentaram desde que o time não conseguiu avançar para a 2ª fase.
A polícia de Seul informou que investigadores de crimes financeiros estão "apurando se houve obstrução de negócios durante a nomeação de Hong Myung-bo", disse um porta-voz à AFP.
A imprensa local noticiou que as autoridades investigam se dirigentes da KFA intervieram de forma irregular na contratação de Hong, supostamente violando regras internas.

A imprensa sul-coreana classificou a seleção da Copa do Mundo de 2026 como uma "geração de ouro" e havia grande expectativa para um time com o ex-astro do Tottenham Son Heung-min, o zagueiro do Bayern de Munique Kim Min-jae e o ex-meio-campista do Paris Saint-Germain Lee Kang-in.
No fim de julho, Hong foi convocado para depor em uma comissão parlamentar, onde afirmou assumir "total responsabilidade" pelo desempenho ruim.
O presidente Lee Jae Myung atribuiu o fracasso a "pessoas incompetentes" promovidas à liderança, em declaração que fez referência à "lealdade e ao faccionalismo" contaminando o processo de recrutamento no alto escalão do esporte.
A KFA preferiu não comentar ao ser procurada pela AFP.
A decisão de Hong de deixar Son no banco no primeiro tempo do jogo decisivo contra a África do Sul na Copa do Mundo deixou muitos torcedores confusos e revoltados.
Em junho, torcedores sul-coreanos receberam Hong de volta da Copa do Mundo com vaias e gritos de "Fora, Hong!", enquanto aplaudiam os jogadores que desembarcavam atrás dele no aeroporto.

Hong admitiu que estava tendo dificuldade para entender o que deu errado.
Na audiência parlamentar do mês passado, deputados também levantaram a suspeita de que Hong teria recebido um salário de 3,8 bilhões de won (R$ 1,98 milhão) — valor considerado alto para técnicos de seleções nacionais.
Hong afirmou na ocasião que o valor estava errado, mas preferiu não revelar o número correto.
