O ataque belga é tão sufocante que a equipe é a líder de finalizações do torneio. Mas, nessa partida, o frenesi ofensivo deve encontrar maior resistência, já que a Espanha é a dona da melhor defesa da competição.
O terceiro lugar no ranking de desarmes pertence aos espanhóis e, se existe um personagem responsável por essa boa colocação, o nome dele é Rodri.
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O sufocante ataque belga
Se a Bélgica é a equipe da Copa que mais finalizou até aqui (107), é graças à grande movimentação de Youri Tielemans. Apesar de jogar mais recuado, o meia já deu 11 chutes e distribuiu 257 passes para seus companheiros — 86 deles no terço final do campo.

O mapa de conduções da Opta ilustra essa dinâmica: o belga inicia suas corridas na intermediária e avança quase sempre em direção ao campo ofensivo, raramente conduzindo a bola para trás. É esse parâmetro que o coloca como segundo jogador da Bélgica que mais buscou progressão vertical, sendo o motor que impulsiona todo o volume de jogo belga nesta Copa.

A Bélgica é a seleção que mais criou chances na Copa (85), e isso é graças a Tielemans, que já criou oito delas, gerando uma média de uma chance e meia clara de gol por jogo. Além de já ter balançado as redes duas vezes na virada histórica sobre Senegal, o meia tem conseguido ser um bom garçom para seus companheiros.
Os dados da Opta apontam que, apesar de ter ganhado seis dos sete desarmes tentados e da média de 1,5 duelos aéreos vencidos por jogo, o meia não tem sido um “protetor” no meio-campo do time belga, deixando a defesa desguarnecida em algumas ocasiões, acumulando apenas uma interceptação em toda a competição.
O baixo número de dribles tentados até o momento — apenas dois —, mostra que ele segue uma tendência que vem sendo adotada por grandes craques do Mundial: aproveitar os espaços vazios do campo para progredir.
Rodri: o xerife do meio-campo espanhol
Se por um lado a Bélgica conta com Tielemans para construir um ataque sufocante, por outro, a Espanha tem conseguido a sua solidez defensiva graças às boas atuações de Rodri. O mapa de calor do volante espanhol no jogo decisivo contra Portugal mostra a grande movimentação dele no campo, atuando como xerife na parte intermediária do gramado.

A Espanha tem a melhor defesa da Copa sem nenhum gol sofrido. O time ganhou 55 desarmes dos 77 tentados, fez 40 interceptações e recuperou a posse de bola do adversário em 209 oportunidades, demonstrando a eficiência da marcação dos jogadores.
É nesse cenário que Rodri ganha destaque. Ele recuperou 17 bolas no terço médio do campo, setor onde a presença dele é predominante. Além de ser o líder de desarmes do time (17), o volante tem se apresentado bem no setor ofensivo, criando sete chances até aqui para seus companheiros.
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O dono do meio de campo
A melhor estratégia para manter o adversário longe da sua área é monopolizar a posse de bola no campo de ataque. Essa tem sido a principal arma da Espanha nesta Copa, e a engrenagem desse modelo é Rodri, que concentra 22% de todas as suas ações de jogo justamente na intermediária ofensiva.

Em média, o volante dá 27 toques na bola por partida nesse miolo central do campo adversário. Ele é o grande termômetro espanhol na competição — acumulando 594 toques ao todo —, ditando o ritmo e servindo como o ponto de equilíbrio do time.
Desta forma, nenhum dos adversários anteriores — Cabo Verde, Arábia Saudita, Uruguai e Portugal — conseguiu tirar a bola dos espanhóis, fazendo com que o goleiro Unai Simón fosse incomodado apenas cinco vezes em todo o torneio.

Com o ataque mais sufocante do Mundial desafiando a defesa mais sólida da competição, a eliminatória coloca frente a frente duas filosofias distintas de controle de jogo.
Resta saber se o frenesi vertical de Tielemans e companhia será capaz de furar o bloqueio paciente e milimétrico orquestrado por Rodri. Em um duelo onde qualquer erro pode ser fatal, o meio-campo será o verdadeiro palco da sobrevivência em solo americano.
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