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Scaloneta vai vingar 94? Veja história do hit que é combustível da Argentina na Copa

Torcida da Argentina tem novo hit em busca do tetra
Torcida da Argentina tem novo hit em busca do tetraReuters

A torcida argentina tem chamado a atenção pelo amplo repertório de cânticos desde o início da Copa do Mundo. A novidade da vez é "La cuarta estrella", escrita pelo compositor Palmito, que é argentino e criador de jingles.

A letra resgata a Guerra das Malvinas, o banimento de Maradona na Copa de 1994, a gratidão a Messi e o amor incondicional pela Albiceleste.

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Com apenas 40 segundos e 14 versos, o principal trecho da canção traduz a esperança dos argentinos pelo tetracampeonato mundial.

A música já ecoa também nos bastidores: após as classificações diante da Suíça e da Inglaterra, o elenco de Lionel Scaloni entoou o cântico no vestiário, provando que o novo hit está na ponta da língua dos jogadores.

Soy hincha de La Selección (Sou torcedor da Seleção)

La aliento con el corazón (A apoio com o coração)

Ganamos la tercera con Lionel (Ganhamos a terceira com Lionel)

Queremos ser campeones otra vez (Queremos ser campeões outra vez)

A letra destaca que, sob a liderança de Lionel Messi, o tão sonhado tricampeonato veio em 2022, mas deixa claro que a grande fase da equipe permite uma ambição ainda maior: buscar mais uma Copa do Mundo.

O aproveitamento do craque argentino na edição atual do torneio credencia o sonho dos torcedores. Com oito gols e quatro assistências, o camisa 10 tem sido um líder na busca pela quarta estrela, superando os números na última Copa.

Números de Messi na Copa de 2022
Números de Messi na Copa de 2022Flashscore/Reuters

A polêmica da Copa de 94

Y treinta y dos años después (E 32 anos depois)

La Scaloneta va a vengar (A Scaloneta vai vingar)

La copa que le robaron al 10 (A Copa que roubaram do 10)

La que no nos dejaron levantar (A que não nos deixaram levantar)

Os Estados Unidos testemunharam o último gol de Diego Maradona com a camisa da Argentina em Copas. Na goleada por 4 a 0 sobre a Grécia, no Mundial de 1994, o craque de 33 anos balançou as redes e desabafou olhando para a câmera.

A comemoração furiosa eternizou "El grito". Aquele seria, de fato, o seu último ato nos Mundiais.

Maradona comemorando o gol contra a Grécia na Copa de 94
Maradona comemorando o gol contra a Grécia na Copa de 94AFP

Logo após o jogo seguinte, contra a Nigéria, o camisa 10 foi banido do torneio após testar positivo no exame antidoping. A defesa do craque afirmou que a substância efedrina vinha de uma suplementação alimentar e não visava ganho de performance, mas o impacto da suspensão foi fatal.

Sem seu capitão, a Argentina caiu nas oitavas de final ao perder por 3 a 2 para a Romênia.

Trinta e dois anos depois, a ferida segue aberta. Quem ouve o verso “La copa que le robaron al 10” entende perfeitamente que o torcedor argentino ainda não engoliu a punição que encerrou a era de seu maior mito, e deposita na “Scaloneta” a esperança de uma vingança pelo banimento de Maradona naquele ano.

Amor do início ao fim

Quiero ver la cuarta estrella (Quero ver a quarta estrela)

Brillar en la camiseta (Brilhar na camisa)

Soy argento de la cuna hasta el cajón (Sou argentino desde o berço até o caixão)

A paixão em torno da Albiceleste é algo tão avassalador que ultrapassa fronteiras e gerações. Quem acompanhou a trajetória da equipe neste Mundial certamente notou a presença ilustre de Pauline Kana nas arquibancadas. 

Aos 99 anos, a carismática torcedora e fã confessa de Messi virou um símbolo dos apaixonados por futebol que dão vida à letra da música, provando que o amor pela seleção é eterno e não tem idade para começar, muito menos para terminar.

Pauline Kana, torcedora símbolo da Argentina
Pauline Kana, torcedora símbolo da ArgentinaČTK / DPA / Tom Weller

Relembrando a história

Por Malvinas, por El Diego (Pelas Malvinas, pelo Diego)

Por la última de Leo (Pela última de Leo)

Argentina, quiero verte bicampeón (Argentina, quero te ver bicampeã)

O último trecho da música relembra os 74 dias da Guerra das Malvinas, que ocorreu em 1982 e vitimou 649 argentinos. O conflito territorial com a Inglaterra visava o controle do arquipélago localizado no Atlântico Sul.

Atualmente, as Ilhas Malvinas, chamadas de Falkland Islands pelos britânicos, são administradas pelo Reino Unido. Entretanto, a Argentina considera o arquipélago — que fica a 550 quilômetros do litoral argentino — como parte de seu território.

Guerra das Malvinas em 1982
Guerra das Malvinas em 1982AFP

Para os argentinos, a capital das ilhas se chama Puerto Argentino; para os britânicos, Stanley.

O desfecho da canção amarra o passado e o presente ao decretar que a taça do Mundial pertence a duas divindades para os argentinos: Diego Maradona, o eterno mito, e Lionel Messi, o gênio contemporâneo que se despede dos Mundiais.

Neste domingo (19), o mundo vai parar para ver se o novo hit dos sul-americanos terá, enfim, seu final feliz.

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