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Aline Pellegrino revela como a FIFA quer transformar a Copa do Mundo 2027 em legado

O legado da Copa de 2027 está sob o comando de quem já brilhou como capitã do Brasil, Aline Pellegrino
O legado da Copa de 2027 está sob o comando de quem já brilhou como capitã do Brasil, Aline PellegrinoFlashscore / Wagner Meier / Getty Images South America / Getty Images via AFP

A Copa do Mundo Feminina de 2027 pode ser muito maior do que um mês de futebol no Brasil. Para Aline Pellegrino, diretora de Legado da FIFA para o Mundial, o grande objetivo da competição é deixar mudanças que possam ser percebidas no futebol feminino brasileiro anos depois do apito final.

Em entrevista ao Flashscore, Aline conversou com Elaine Trevisan e Fran Alberto sobre a preparação para a Copa, a expectativa de público, os estádios e, principalmente, os planos para transformar o impacto do Mundial em ações duradouras.

A preocupação com o que ficará depois de 2027 começa dentro da própria organização do Mundial. Segundo Aline, a FIFA trabalha atualmente com 68 áreas funcionais para a realização da Copa no Brasil e, pela primeira vez na história da competição, o legado passou a ser uma dessas áreas.

A ideia é fazer com que o impacto gerado pela competição não fique restrito ao período do torneio. Para isso, a FIFA estabeleceu três pilares para o trabalho no Brasil: desenvolvimento do futebol feminino, impacto social e infraestrutura.

No primeiro deles, o foco está em aproveitar o momento de crescimento da modalidade no país. Aline citou a evolução das competições nacionais, que hoje contam com três divisões do Campeonato Brasileiro, além da Copa do Brasil, da Supercopa e de torneios de base.

Legado vai além das quatro linhas

O segundo pilar está relacionado ao impacto social. A Copa será utilizada também como uma oportunidade para ampliar a presença feminina em posições de liderança e discutir questões que ultrapassam o futebol, incluindo a violência contra as mulheres e a necessidade de políticas públicas.

A própria estrutura da FIFA no Brasil, segundo Aline, apresenta uma maioria feminina. Dos quatro diretores executivos, três são mulheres, enquanto elas representam 66% dos colaboradores do escritório da entidade no país.

Formiga e Aline Pellegrino revelaram troféu da Copa do Mundo Feminina
Formiga e Aline Pellegrino revelaram troféu da Copa do Mundo FemininaCARL DE SOUZA / AFP

O terceiro pilar envolve a infraestrutura. A proposta não é necessariamente construir novos estádios, mas discutir como os espaços esportivos existentes podem ser mais ocupados por mulheres e meninas.

“Eu acho que a gente só vai enraizar quando a gente massificar”, explicou Aline, defendendo que a Copa seja um estímulo para ampliar a prática do futebol feminino desde a base e nas comunidades.

Expectativa de recorde de público em 2027

O Mundial também chega ao Brasil cercado pela expectativa de um novo recorde de público. Aline lembrou que a Copa de 2019, na França, levou aproximadamente 1,1 milhão de pessoas aos estádios.

Quatro anos depois, a edição disputada na Austrália e na Nova Zelândia se aproximou dos 2 milhões.

“A nossa expectativa é que a gente possa continuar crescendo”, afirmou Aline, que aposta no potencial de um Mundial disputado em um dos países mais apaixonados por futebol.

A preparação dos estádios também está entre as prioridades. Embora o Brasil tenha herdado uma estrutura construída ou reformada para a Copa do Mundo masculina de 2014, já se passaram 12 anos desde o torneio, e os padrões de entrega da FIFA evoluíram.

A entidade trabalha em parceria com cidades-sede, gestores dos estádios, CBF e governos para garantir que as arenas estejam preparadas para receber as melhores seleções e jogadoras do mundo.

O futuro que Aline Pellegrino quer ver

Mais do que números de público ou estruturas renovadas, o principal indicador de sucesso da Copa de 2027 será, para Aline, a capacidade de transformar oportunidades para meninas que querem jogar futebol.

“É enraizar o futebol feminino no Brasil. A gente ter a certeza de que qualquer menina, onde ela estiver no Brasil, se ela quiser jogar futebol, vai ter oportunidade”, afirmou.

A dirigente também espera que o futebol feminino consiga ocupar cada vez mais espaço na televisão, no streaming e nos grandes estádios, até que clubes, atletas e competições façam parte naturalmente das discussões esportivas do país.

Um dos símbolos dessa transformação estará justamente no Maracanã. O estádio receberá a final da Copa de 2027 e será palco, pela primeira vez, de uma decisão de Copa do Mundo Feminina.

Para Aline, a competição representa uma oportunidade histórica. O desafio agora é fazer com que, daqui a cinco, 10 ou 20 anos, o Brasil ainda consiga enxergar os efeitos daquela Copa.