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Exclusivo: Gareca dá conselho para Mano Menezes na seleção do Peru

Ricardo Gareca, ex-técnico das seleções de Peru e Chile
Ricardo Gareca, ex-técnico das seleções de Peru e ChileFELIPE ZANCA/PHOTOSPORT / PHOTOSPORT / PHOTOSPORT VIA AFP

Com passagem pela Copa do Mundo como técnico e ídolo no Peru, Ricardo Gareca conversou com exclusividade com o Flashscore sobre seu futuro, sua visão sobre o jogador peruano e o que Mano Menezes pode fazer na seleção.

Gareca foi o técnico que dirigiu mais jogos na história da seleção do Peru. Mano Menezes foi anunciado para o cargo em janeiro de 2026 e, agora, recebeu uma mensagem direta do ídolo peruano.

"Diria que, sem dúvida, é um técnico muito respeitado, ele sabe o que tem que fazer. Acho que o que foquei na época foi tentar valorizar a criatividade do jogador peruano. Acho que é fundamental que essa característica seja respeitada, mas o Mano tem que viver sua própria experiência", afirmou.

Para resumir sua filosofia de jogo, o técnico defendeu consistência na identidade e exigência de alto nível dos jogadores.

"Tivemos um estilo bem definido, reconhecido tanto pela imprensa internacional quanto local e, no geral, tivemos apoio. Os jogadores achavam que a seleção tinha que dar oportunidade para todo mundo e eu não dava. Precisavam reunir condições importantes, como estar em ótima forma física e técnica, porque onde íamos competir eram ligas de alto nível e a exigência era maior", declarou.

Desempenho recente do Peru
Desempenho recente do PeruFlashscore

"Tínhamos nossos críticos, que infelizmente não confiavam muito nisso, apesar dos resultados, mas reconheciam como o Peru jogava, respeitando seu estilo histórico. O que tentamos foi isso, respeitar a identidade de como o peruano gosta de jogar; não um jogo tão vertical, o que me interessava era explorar a criatividade do jogador peruano", completou.

Futuro em aberto: clube ou seleção

Livre de compromissos após o fim de sua participação no programa "La Sustancia", Gareca afirmou estar aberto tanto a comandar um clube quanto uma seleção.

"Estou aberto a tudo, se tiver que dirigir um clube, vou dirigir, não passa por aí", declarou.

O treinador revelou ainda ter recebido sondagens do Melgar e do Talleres de Córdoba durante o período em que estava vinculado ao programa, mas descartou qualquer proposta concreta até o momento. Questionado sobre um possível retorno ao Independiente de Avellaneda, clube em que encerrou a carreira como jogador, foi cauteloso diante do cenário político do time.

"Agora tem um técnico novo, tem que ver como ele vai. Os técnicos sempre dependem dos resultados, não sabemos onde vamos acabar dirigindo", contou.

Cienciano nas quartas da Sula 23 anos depois

Sobre o retorno do Cienciano às quartas de final da Copa Sul-Americana, mais de duas décadas após o título histórico do clube, Gareca elogiou a capacidade da equipe de competir também fora de casa.

"Não só usa a altitude, sabe administrar e fora de casa é um time que ficou forte".

O treinador destacou o trabalho de Hohberg, jogador que ele próprio convocou para a seleção peruana e que hoje lidera o Cienciano como camisa 10. "Agora está vivendo um momento brilhante, se tornando o líder do time", afirmou.

A passagem pela seleção peruana

Ao tratar do processo de reconstrução da seleção peruana rumo à Rússia 2018, Gareca foi enfático sobre a necessidade de romper preconceitos enraizados no país.

"Diziam que o jogador peruano não corre, mas ele corre até nas piores condições: corre e joga a mais de 3.000 metros de altitude, joga no calor, corre em gramado sintético", afirmou. Segundo o treinador, o uso de câmeras nos estádios ajudou a desconstruir esse mito e a convencer os próprios atletas de sua capacidade competitiva.

Ricardo Gareca e Paolo Guerrero em coletiva de imprensa durante a Copa América de 2019
Ricardo Gareca e Paolo Guerrero em coletiva de imprensa durante a Copa América de 2019RAÚL ARBOLEDA / AFP / AFP / Profimedia

Gareca também revisitou o momento mais delicado de sua gestão à frente do Peru: a decisão de deixar de fora nomes consagrados como Pizarro, Zambrano e Vargas a partir da sétima rodada das Eliminatórias. O treinador contou que teve apoio direto do então presidente da federação peruana, Edwin Oviedo, que lhe deu liberdade total para conduzir o projeto.

"Ele me deu liberdade para tomar qualquer decisão, e a primeira coisa que fizemos foi conhecer melhor o jogador do futebol local e dar oportunidade para alguns garotos que tinham muita qualidade", disse.

Mesmo com a eliminação ainda na primeira fase da Rússia 2018, após derrotas para Dinamarca e França e vitória sobre a Austrália, Gareca destacou a identidade construída pela equipe.

"Em nenhum momento deixamos de jogar, sempre tentamos jogar de igual para igual até contra a França, que foi campeã do mundo. O time tinha identidade e por isso a torcida nos apoiou o tempo todo", avaliou.

Sobre o segundo ciclo à frente da seleção – marcado pelo vice-campeonato na Copa América de 2019 e pela eliminação na repescagem para o Catar 2022 –, Gareca fez questão de contextualizar os resultados diante do histórico do país no ranking da FIFA.

"O que conseguimos em 2017 foi ficar entre as 10 melhores seleções do mundo, e para o Catar mantivemos isso", disse, citando vitórias sobre Brasil e Croácia e atuações duras diante de França e Argentina como prova da competitividade peruana naquele período.

Últimos jogos do Peru
Últimos jogos do PeruFlashscore

Os anos como jogador

Ao relembrar sua trajetória, Gareca não escondeu a carga emocional de um dos momentos mais marcantes de sua carreira como jogador: o gol que classificou a Argentina diante do Peru, na repescagem para o México 86.

"Aquela partida foi muito traumática, muito sofrida, porque o Peru tinha um timaço e estávamos perdendo por 2 a 1 para a Copa do México em 1986, num clima muito tenso no estádio", recordou.

Segundo o próprio treinador, a jogada nasceu de um cruzamento de Burruchaga, cabeceio de Passarella e um desvio na trave que terminou com ele completando de carrinho para o gol – um lance que, mais de 40 anos depois, ainda carrega o peso daquele empate decisivo.

Formado sob o comando de dois dos nomes mais influentes do futebol argentino, Gareca fez questão de destacar as diferenças – e semelhanças – entre César Luis Menotti e Carlos Bilardo.

"São bem diferentes, embora parecidos em algumas coisas. Diferem na forma de comunicar, mas os dois gostavam de jogar bem, do bom futebol", explicou.

Enquanto Menotti apostava na segurança emocional e na sedução pela palavra, Bilardo era obcecado por repetição e detalhe: "às vezes repetíamos um escanteio 30 vezes até sair certo".

"Fui mais influenciado por Bilardo porque estive com ele desde o início do processo das Eliminatórias para a Copa de 1986 até o fim", admitiu.

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