A dominância continental explica a incrível consistência sul-coreana. Nas Eliminatórias Asiáticas para a Copa do Mundo de 2026, a Coreia do Sul se classificou de forma invicta. Foram 16 jogos, com 11 vitórias e 5 empates. Desde 2006, foram apenas 9 derrotas em 90 jogos qualificatórios dos Mundiais.
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No entanto, o fato de estar sempre presente nas Copas do Mundo não tem se traduzido em grandes campanhas. Excluindo a semifinal de 2002, quando foi país-sede, os sul-coreanos só possuem duas outras idas ao mata-mata na história. Elas foram em 2010 e 2022, quando caíram para Uruguai e Brasil, respectivamente, nas oitavas de final.
A pressão por uma campanha mais longa é real na Coreia do Sul. Existe a leitura de que a seleção tem qualidade técnica para furar o bloqueio do primeiro duelo de mata-mata. Galego, jogador brasileiro que atua no Bucheon FC, disse, em entrevista exclusiva ao Flashscore, que sente isso ao viver no país.
"Aqui a expectativa é muito alta. A Coreia do Sul é um país que vem crescendo no futebol e tem grandes jogadores que já se destacaram na Europa. O que o torcedor espera é que a seleção chegue à fase do mata-mata. Eles acreditam muito nessa seleção", analisou o atacante.

Estilo de jogo
A Coreia do Sul chega para a Copa do Mundo de 2026 comandada pela lenda Hong Myung-bo, capitão da histórica seleção de 2002. Porém, apesar do seus serviços prestados ao futebol sul-coreano, há muita contestação ao seu trabalho. Inclusive, o treinador chegou a ser vaiado em amistoso na última Data FIFA de 2025.

Os sul-coreanos vivem uma espécie de dilema com relação a sua proposta de jogo. Como possuem jogadores técnicos, tentam um jogo propositivo, contudo, isso evidentemente não deve ser aplicado contra seleções mais fortes. Assim, Hong Myung-bo tem variado a formação de acordo com o adversário. Diante de equipes mais fracas adota uma linha de quatro e, em partidas que sofrerá mais, utiliza três zagueiros.

Reduzir a exposição defensiva é o desafio para a Coreia do Sul. Isso ficou evidente nos últimos encontros entre os sul-coreanos e a Seleção Brasileira, por exemplo. Foram três goleadas do Brasil desde 2022, com um placar agregado de 14 a 2. Ao menos, quem espera entretenimento no Mundial terá isso nos jogos dos Tigres Asiáticos.
Passada a preocupação defensiva, a Coreia do Sul tem muita qualidade com a bola no pé. A equipe tem quatro grandes referências, uma em cada setor do campo. Kim Min-jae na defesa, Hwang In-beom no meio, Lee Kang-in na ponta e Son Heung-min atuando como centroavante neste momento da carreira.
A estrela
Quando pensamos em futebol e Coreia do Sul, é quase impossível não associar imediatamente a imagem de Son Heung-min. Maior jogador da história do país, o craque vai para a sua quarta Copa do Mundo e, talvez, a última. O jogador de 33 anos deixou o Tottenham e a Premier League em 2025 e hoje atua no Los Angeles FC, da MLS.

Distante da fase exuberante em que estava antes da Copa do Mundo de 2022, Son Heung-min ainda pode ser muito decisivo para a Coreia do Sul. Um dos trunfos é a parte física, já que a MLS está em início de temporada e ele chegará com desgaste muito inferior em relação aos jogadores que atuam na Europa. Em 2026, Son fez 18 jogos, com 2 gols e 10 assistências.
Evidentemente Son Heung-min é um ídolo nacional na Coreia do Sul. Mas, em relato impressionante, Galego contou sobre uma certa onipresença do jogador no país asiático. Segundo o brasileiro, a postura extracampo do sul-coreano ajuda na idolatria.

"Você anda na rua e vê cartaz dele, os ônibus públicos têm foto dele, todas as lojas que você entra têm imagem dele, as crianças usam a camisa dele. E não é só dentro de campo — fora dele ele é um cara muito educado, não se envolve em polêmica, trata bem os fãs. Isso faz as pessoas admirarem ainda mais. A grandeza do Son aqui na Coreia do Sul é extraordinária", relatou o jogador do Bucheon.
Candidato a surpresa
Com alguns jogadores de trajetória conhecida no futebol europeu, a Coreia do Sul possui um nome que pode despontar na Copa do Mundo: Lee Tae-seok. Lateral-esquerdo do Austria Vienna, o jogador de 23 anos chega ao Mundial após a sua primeira temporada no Velho Continente.

Pelo time austríaco, Lee se provou um lateral que tem boa capacidade ofensiva, com 3 gols e 4 assistências em 27 jogos. A companhia de um artilheiro como Son Heung-min pode potencializar o futebol do jovem.
Como é vivido o futebol na Coreia do Sul?
A Coreia do Sul é mais um dos países presentes no Mundial que tem uma relação diferente com o futebol, até porque o beisebol é o principal esporte do país. No entanto, Galego explica que a modalidade vem crescendo em popularidade.
"O esporte predominante aqui é o beisebol, mas o futebol vem crescendo muito. Diferente do Brasil — onde existe aquela pressão intensa, às vezes você perde um jogo e não consegue nem sair de casa — aqui eles são apaixonados, mas sabem separar o lado humano do profissional", analisou o jogador brasileiro.
Existe também uma evidente ligação entre o futebol brasileiro e a Coreia do Sul, já que a nossa última conquista de Copa foi co-sediada pelos sul-coreanos. Jogador do Bucheon FC, Galego conta que atua em vários estádios daquele Mundial, disputado em 2002.
"A gente jogou no estádio do Jeju, jogou no estádio de Seul — e você vê os detalhes dentro do vestiário, as fotos de jogadores e treinadores históricos daquela época (Copa do Mundo de 2002). É uma atmosfera muito especial", comentou.
Agenda da Coreia do Sul na Copa do Mundo
11/6 (quinta-feira)
23h - Coreia do Sul x República Tcheca (Guadalajara) - CazéTV e Flashscore (narração em áudio no site e no app)
18/6 (quinta-feira)
22h - México x Coreia do Sul (Guadalajara) - Globo, SporTV, CazéTV e Flashscore (narração em áudio no site e no app)
24/6 (quarta-feira)
22h - África do Sul x Coreia do Sul (Monterrey) - CazéTV
