Mas não era acaso. Flamengo e Cruzeiro carregam uma relação de amizade entre suas torcidas, construída há décadas.
Veja como foi Flamengo 2x1 Cruzeiro
E foi justamente ela que permitiu que, mesmo em um duelo de oitavas de final de Libertadores, torcedores dos dois clubes circulassem juntos pelo entorno do Maracanã, sem que as camisas diferentes significassem qualquer clima de hostilidade.

No Bar dos Esportes, na Rua Eurico Rabelo, em frente ao setor Sul, a cena ficava ainda mais evidente. Torcedores dos dois clubes se concentravam em pé pelas ruas, circulavam entre os vendedores, conversavam, comiam e faziam o pré-jogo juntos.
Era uma imagem especialmente curiosa pelo tamanho do jogo. Não se tratava de uma partida amistosa ou de uma rodada qualquer do campeonato. Flamengo e Cruzeiro estavam em um mata-mata de Libertadores, a competição mais importante do continente.

Juntos também dentro do estádio
A convivência também aparecia dentro do Maracanã. Nas cadeiras cativas, setor que fica colado à área destinada aos visitantes, alguns torcedores do Cruzeiro acompanharam a partida com a camisa celeste, lado a lado com flamenguistas.
Não era um grande setor misto. Eram poucos cruzeirenses concentrados no canto das cativas, em uma situação possível justamente pela relação entre as torcidas. Eles torciam normalmente pelo Cruzeiro, enquanto, ao redor, predominava a torcida do Flamengo. Uma cena rara.

Entenda como nasceu a amizade
A história começa nos anos 1980, quando Flamengo e Atlético-MG construíram uma das maiores rivalidades interestaduais do futebol brasileiro. O Flamengo venceu o Galo na decisão do Brasileiro de 1980, avançou na polêmica partida da Libertadores de 1981 e voltou a eliminar o rival no Brasileiro de 1987.
A sequência fortaleceu a aproximação entre rubro-negros e cruzeirenses. A relação entre as torcidas ganhou forma com parcerias entre organizadas. A Máfia Azul teve primeiro uma aproximação com a Raça Rubro-Negra e, posteriormente, com a Torcida Jovem do Flamengo.
Foi a partir da Jovem Fla e da Máfia Azul que se consolidou a União Punho Cruzado, que também envolveu a Independente, do São Paulo.
Um dos capítulos mais simbólicos aconteceu em 15 de novembro de 1995. No Mineirão, no dia do centenário do Flamengo, a torcida do Cruzeiro cantou “Parabéns pra você” para os rubro-negros antes do jogo pela Supercopa. Foi uma homenagem que ficou marcada como um dos grandes símbolos da relação entre as duas torcidas.
Quando a bola rolou, porém, a amizade ficou para trás. Nas arquibancadas, o que apareceu foi uma verdadeira guerra de cantos: a torcida do Cruzeiro cantava, a do Flamengo respondia, e cada lado tentava mostrar quem conseguia empurrar mais forte o próprio time.
Sem brigas, sem hostilidade, as duas torcidas fizeram o que foram ao Maracanã para fazer: apoiar seus clubes em uma decisão de Libertadores. No fim, quem sorriu foi o Flamengo, que venceu por 2 a 1 e garantiu a classificação para as quartas de final da Libertadores.