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Exclusivo: Diretor explica por que o Viking, time novato da Champions, tem 2 técnicos

Bjarte Lunde Aarsheim e Morten Jensen, a dupla de treinadores do Viking
Bjarte Lunde Aarsheim e Morten Jensen, a dupla de treinadores do VikingBildbyran / ddp USA / Profimedia

Oito anos depois de estar a poucos dias de declarar falência, o clube norueguês Viking FK está prestes a conquistar seu primeiro campeonato nacional em 34 anos. Antes de disputar o título da Eliteserien, neste domingo, a equipe fará sua estreia na Champions League.

O time norueguês, localizado na Península de Stavanger, no sudoeste da Noruega, lidera o campeonato com um ponto de vantagem sobre o Bodo/Glimt, e uma vitória no jogo final em casa contra o Valenga garante o título.

O Viking Stadium, com capacidade para 16.600 pessoas, está com ingressos esgotados há meses, enquanto 50.000 pessoas — um terço da população de Stavanger — são esperadas no centro da cidade para uma grande festa caso o objetivo seja alcançado.

O Viking já conquistou oito campeonatos (o terceiro maior número de títulos da Eliteserien da Noruega), incluindo quatro títulos consecutivos entre 1972 e 1975, mas não terminou acima do terceiro lugar desde a última conquista, em 1991.

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Em 2020, o Viking ficou nada menos que 37 pontos atrás do Bodo/Glimt; hoje, está um ponto à frente deles, em grande parte graças ao trabalho iniciado pelo ex-Manchester United Erik Nevland, que assumiu como diretor esportivo do clube em 2021. Nesta entrevista exclusiva ao Flashscore, que Nevland conseguiu encaixar em uma semana muito corrida, o ex-jogador da seleção norueguesa fala sobre como o rebaixamento em 2018 acabou sendo uma bênção disfarçada para o clube, e como chegou à Liga dos Campeões.

Nevland também traz uma visão interessante sobre o trabalho com dois treinadores principais, como fazer tantos jogadores se entrosarem em campo, a concorrência e inspiração vinda de Bodo, além do incrível momento vivido pelo futebol norueguês, tanto nos clubes quanto na seleção nacional.

• Flashscore: Você pode conquistar o primeiro título do clube em 34 anos neste domingo. Como você descreveria o clima atual no clube?

Nevland: Quando uma temporada incrível se resume a um jogo só, é claro que ficamos muito nervosos e sentimos a pressão. Mas tentamos manter a calma e seguir com a mesma postura que tivemos nos outros jogos. A cidade inteira está de cabeça para baixo, o clima está eletrizante como nunca vi antes. Poderíamos facilmente ter lotado o estádio duas ou três vezes.

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Últimos sete jogos do Viking na Eliteserien da NoruegaFlashare

• Em 2018, o clube estava na segunda divisão e supostamente perto de declarar falência. Quais foram, na sua opinião, os passos mais importantes desde então para chegar ao nível atual?

Era uma situação muito ruim. Não havia dinheiro e o clube realmente sofria dentro de campo, então todo mundo sabia que algo precisava mudar. Mas às vezes o rebaixamento pode ser algo positivo, e para o Viking foi um divisor de águas. Estruturar de vez a base e apostar nos jovens formados em casa foi o caminho de volta ao sucesso, além de aproximar ainda mais a cidade do clube, criando parcerias com a torcida e com empresas locais.

Hoje, temos jovens locais na organização, com vontade de vencer e muito amor pelo Viking. Não enxergamos o Viking como um trampolim para outra carreira. Acima de tudo, as pessoas colocam o sucesso do clube acima dos interesses individuais.

• É bem incomum em clubes ter dois treinadores principais (Bjarte Lunde Aarsheim e Morten Jensen). Por que isso funcionou tão bem no Viking?

Sempre me perguntam isso, e a resposta está justamente na química especial entre esses dois. Acho que não daria certo com outras pessoas. As trajetórias deles se complementam, e a experiência e o conhecimento de jogo se misturam. Ao mesmo tempo, eles permitem que cada um tenha seu próprio sucesso, então nem sempre é sobre a dupla.

Hilmir Rafn Mikaelsson, do Viking, em partida do Norueguesão
Hilmir Rafn Mikaelsson, do Viking, em partida do NorueguesãoNTB, NTB / Alamy / Profimedia

• Quando se fala em futebol de clubes na Noruega, a maioria provavelmente vai citar o Bodo, já que eles ganharam reconhecimento mundial pelas suas campanhas. Existem exemplos do que eles fizeram lá que você também vê no Viking?

Antes de tudo, o que o Bodo fez foi excepcional. Não há dúvida de que eles elevaram o nível do futebol norueguês e foram uma grande inspiração para nós. Temos muitas semelhanças. Eles também começaram a reconstruir o clube após o rebaixamento e conseguiram sucesso apostando em muitos jovens da base. Financeiramente, eles estão muito à nossa frente, mas são uma inspiração do que pode ser alcançado. Só que não vamos copiar o que eles fazem; precisamos encontrar nosso próprio caminho, nossa identidade para chegar ao sucesso.

• O que funcionou tão bem para vocês dentro de campo nesta temporada?

Não temos muitos jogadores no elenco que já estavam aqui em 2021, quando assumi como diretor esportivo. Acima de tudo, fomos muito bons em integrar as pessoas. No ano passado, tivemos seis ou sete jogadores da base estreando no time, e neste ano contratamos nove jogadores, então foi um trabalho duro para fazer todo mundo se encaixar na nossa filosofia de jogo.

• Se o Viking conquistar o título, qual será o maior desafio antes da fase de classificação para a Champions League no ano que vem? Existem áreas que você acha que precisam melhorar para se preparar para a classificação?

Sempre existem pontos em que dá para fazer diferente, onde dá para melhorar, mas não podemos nos perder no processo se ganharmos o título e de repente tivermos que disputar a classificação para a Champions League. Mudar tudo só porque atingimos um objetivo seria o caminho errado. Não devemos fazer nenhuma loucura tentando competir com o Bodo. Financeiramente, eles estão em outro patamar; não devemos tentar copiá-los, mas sim focar em nós mesmos.

• Pessoas de fora da Noruega provavelmente vão se surpreender ao saber que há um time no país atualmente melhor que o Bodo. Se somar isso ao sucesso da seleção norueguesa, como você explica o surgimento de tantos talentos na Noruega neste momento?

O sucesso que o futebol norueguês está vivendo agora não aconteceu do dia para a noite. O futebol norueguês não estava bem há dez ou quinze anos. Percebemos que não dava para trazer jogadores islandeses medianos para a liga e barrar nossos próprios talentos. E agora começamos a ver o resultado disso.

Ao mesmo tempo, quando aparecem caras como (Erling Braut) Haaland e (Martin) Odegaard, isso mostra para os jovens que é possível jogar no Bryne e virar o melhor do mundo. Lançamos a base para o sucesso lá atrás, e agora a bola de neve só está crescendo.

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