Além do polonês, que trocou a Espanha pela MLS dos Estados Unidos, Ferran Torres também deixou o Barcelona para jogar no PSG. Marcus Rashford, por sua vez, retornou ao Manchester United depois que o clube decidiu não exercer a opção de compra.
As saídas representam uma perda considerável de produção ofensiva. Na última edição de La Liga, Lewandowski marcou 14 gols e Rashford, mesmo sem ser titular absoluto, fez 8.

O jeito encontrado por Deco, diretor esportivo azulgrana, foi ir às compras. O Atlético de Madrid, porém, rejeita até agora qualquer oferta por Julián Álvarez (e uma delas já teria chegado aos 100 milhões de euros). Lautaro Martínez, da Inter de Milão, também foi consultado, mas os italianos não demonstraram disposição para negociá-lo. Com as duas operações difíceis, o Barcelona passou a avaliar outras alternativas, entre elas Nicolò Tresoldi (jovem alemão de 22 anos do Brugge); Ayoze Pérez (do Villarreal) e Georges Mikautadze (georgiano que também joga no Villarreal).
As duas principais contratações para o ataque, porém, têm características diferentes das de um centroavante tradicional. Karim Adeyemi chegou do Borussia Dortmund como um atacante de velocidade, capaz de atuar pelos lados e também atacar espaços por dentro. Seus números ajudam a explicar por que, ao menos em princípio, ele não parece ser uma reposição direta para Lewandowski. Em uma única temporada da Bundesliga, seu melhor desempenho pelo Borussia Dortmund foi de sete gols.

Anthony Gordon, contratado do Newcastle, tem perfil semelhante. Parte normalmente de uma das pontas, mas pode aparecer em zonas mais centrais e explorar a velocidade para chegar ao gol. Também não carrega, até aqui, números de um goleador de referência. Seu melhor desempenho em uma temporada da Premier League foi de 11 gols, em 2023/24. Nas duas temporadas seguintes, marcou seis vezes em cada uma.
Nenhum dos dois, portanto, representa uma reposição direta para Lewandowski, agora jogador do Chicago Fire. Adeyemi e Gordon ampliam as possibilidades de movimentação do ataque, mas não oferecem, pelo menos pelos números apresentados até aqui, a mesma referência de área. A questão para o Barcelona é justamente saber de onde virão os gols deixados por quem saiu.
Flick, na pré-temporada, buscou respostas com os jogadores que tem nas mãos. Sem um 9 definido, o treinador experimentou Lamine Yamal como falso centroavante e utilizou Dani Olmo, Raphinha, Fermín López, Adeyemi e Gordon em posições mais próximas da área.

A ideia é fazer o ataque funcionar a partir das trocas de posição, da movimentação e da chegada de jogadores que normalmente começam pelos lados ou pelo meio. Em vez de simplesmente substituir o papel de Lewandowski por outro jogador com características semelhantes, Flick pode modificar a maneira como o Barcelona ocupa o setor ofensivo.
Os testes também envolvem jogadores mais jovens. Hamza Abdelkarim recebeu oportunidades na pré-temporada e apareceu entre as alternativas para a posição. A comissão técnica, portanto, trabalha em duas frentes enquanto a janela de transferências continua aberta. De um lado tenta encontrar no mercado um centroavante capaz de assumir a função e, ao mesmo tempo, desenvolve soluções dentro do próprio elenco.
A escolha terá impacto direto sobre a maneira como o Barcelona vai distribuir seus gols. Com as saídas de Lewandowski, Rashford e Ferran, o time precisará compensar parte da produção ofensiva perdida, seja com a chegada de um novo centroavante, seja pela soma de gols de jogadores com funções diferentes.

A discussão ganha um peso particular pela história do clube. Lionel Messi, que usava a 10, é o maior artilheiro do Barcelona, com 672 gols oficiais. Entre os donos da 9, os maiores goleadores são Luis Suárez, Samuel Eto'o e Patrick Kluivert. Lewa é o quarto maior artilheiro que usou a 9, com 120 gols.
Os brasileiros Ronaldo e Romário, apesar de passagens curtas, também aparecem entre os centroavantes de destaque do Barça. O fenômeno fez 47 gols em 49 jogos (passagem curta de uma temporada espetacular em 1996–97). Enquanto o baixinho marcou 39 gols em 65 jogos (brilhou intensamente na temporada 1993–94).
A camisa 9, portanto, não é apenas uma posição no desenho tático. Ela carrega uma parte importante da história ofensiva do Barcelona. E, neste momento, é justamente essa lacuna que Flick e Deco tentam preencher. A janela fecha no início de setembro.
