“A gente olha para competições, projetos, formação… Tudo que tem sobrenome futebol feminino, a gente está envolvido para fazer ser ainda maior”, explicou Saito em entrevista exclusiva ao Flashscore.
Confira a tabela completa do Paulistão F
A dirigente destacou o momento de transformação estrutural da modalidade em São Paulo e reforçou o papel da federação como agente de desenvolvimento. Em bate-papo com Elaine Trevisan e Fran Alberto, Kin Saito ressaltou outras novidades para 2026, como o formato de disputa.
VAR em todos os jogos: um marco no Brasil
A principal novidade desta edição é a implementação do árbitro de vídeo em todas as partidas, desde a 1ª rodada até a final. Trata-se de algo inédito no futebol feminino brasileiro.
“Não foi simples colocar isso de pé. Existe um custo alto e uma exigência estrutural enorme. Não é só apertar um botão”, afirma Kin Saito.
Segundo a dirigente, a federação realizou vistorias detalhadas nos estádios indicados pelos clubes e exigiu adequações técnicas para efetivação da tecnologia. A FPF também consultou todas as equipes participantes e colocou o VAR como prioridade, após apontamento de atletas e clubes da competição.
“Perguntamos um por um: vocês querem VAR? E todos disseram que sim.”

A resposta unânime reforçou a demanda por mais justiça esportiva e um jogo melhor. A inovação chega como referência na modalidade no país e pode, mais uma vez, ser a pioneira no desenvolvimento do futebol feminino, a pouco mais de um ano da Copa do Mundo no Brasil.
Ao falar sobre o momento atual, Saito mostrou convicção de que o futebol feminino paulista está em um novo patamar.
“A gente espera que esse seja um daqueles passos que a gente dá para frente e não recua”, projeta a diretora.
Licenciamento? O termo que mudou o jogo
Entre os pontos de destaque para a evolução da competição, uma das mais tradicionais do país, está o licenciamento. O termo, incomum para alguns e que denota profissionalismo para outros, remete a critérios a serem cumpridos pelas equipes para estarem aptas a participar do campeonato.
Ou de forma ainda mais direta, como define a diretora executiva de futebol feminino da FPF:
“O licenciamento é um caderno de regras que vai subindo o nível com o tempo. A ideia é melhorar a gestão dos clubes.”

Com foco na melhoria contínua, o licenciamento vai elevando suas exigências a cada ano para possibilitar um desenvolvimento constante e gradual das equipes paulistas de futebol feminino.
O processo envolve não apenas requisitos administrativos, mas também estruturais e técnicos, incluindo planejamento financeiro, metodologia de trabalho e suporte às atletas.
“Hoje, por exemplo, profissionais como psicólogo, nutricionista e analista de desempenho deixaram de ser recomendação e passaram a ser exigência”, conta Kin Saito.
E o foco na modalidade acaba atingindo outros aspectos como um efeito cascata positivo para o esporte das mulheres, pois aumenta a competitividade, mesmo que inicialmente reduza o número de equipes participantes na elite do estadual.
“A gente precisou reduzir a quantidade de clubes para ofertar um Paulistão mais competitivo. Mas isso não significa abandonar quem ficou de fora, pelo contrário, a gente continua fomentando essas equipes”, esclarece.
Para as equipes que não atingem os critérios do licenciamento para o Paulistão F, a FPF oferece outras competições que também tem sistema de licenciamento, mas com outros critérios, como Copa Paulista e Taça Paulistana. Há um acompanhamento constante dos clubes e o repasse financeiro devido com base nos critérios cumpridos por cada clube.

Mudança até no nome: Paulistão F
As inovações atingem até o nome da competição: o estadual agora será chamado de Paulistão F. O reposicionamento da marca também tem um objetivo que vai além das quatro linhas. A decisão, segundo Kin Saito, busca normalizar o espaço da modalidade.
“É um movimento de tratar o futebol feminino com a mesma naturalidade. O futebol não tem gênero.”
A mudança passou por pesquisas e estudos com marcas de competições da modalidade em outros países e também pela cultura do esporte no Brasil. Assim, também visa um posicionamento estratégico que aponta para uma nova forma de consumo e entendimento do futebol feminino pelo público que o consome.
“Para a gente, o Paulistão já é o das mulheres. A gente não fala ‘Paulistão masculino’, então por que reforçar isso no feminino? É um movimento de naturalização”, explica.
Calendário e desafios
A dirigente também reconheceu os desafios do calendário, especialmente a concorrência com outras competições, como o Brasileirão e a Libertadores, o que pode impactar a dinâmica dos elencos dos clubes.
Apesar disso, reforçou a importância do Paulistão F dentro do cenário nacional e a preparação para uma edição competitiva e com grande destaque na modalidade.

Novo formato
Neste ano, o Paulistão F conta com a participação de oito clubes: Corinthians, São Paulo, Santos, Palmeiras, Ferroviária, Red Bull Bragantino, Mirassol e Taubaté. Eles disputam a primeira fase em turno único, com sete rodadas, de 6 de maio a 26 de agosto.
Os dois primeiros colocados vão direto para as semifinais. Quatro equipes, do 3º ao 6º luga, disputam o “play-in”, com jogos de ida e volta, pelas duas vagas restantes nas semifinais. Essa etapa ocorre entre 18 e 22 de novembro.
Os times que não se classificarem para as semifinais, assim como o 7º e o 8º colocados da 1ª fase, são redirecionados para a Copa Paulista, possibilitando calendário até o fim do ano.
As semifinais serão disputadas em dois jogos, em 9 e 13 de dezembro. E a grande final, fechando o calendário de competições das equipes paulistas, também ocorrerá em duas partidas, em 16 e 20 de dezembro.
A competição ainda segue pausas estratégicas para respeitar Datas FIFA, momentos decisivos de competições nacionais (Brasileirão e Copa do Brasil) e torneios continentais (Libertadores).
