Peça importante do elenco, o brasileiro Guilherme Smith vive um momento de ascensão. Com 20 jogos pelo Union Saint-Gilloise e cinco participações em gols na temporada, o ex-Botafogo conversou com o Flashscore.
Saiba tudo sobre Union Saint-Gilloise x Club Brugge
Na entrevista, o atacante projetou a sequência decisiva e detalhou sua adaptação tática e mudança de posição no futebol europeu, além de relembrar os maiores desafios de sua trajetória profissional.
Veja a entrevista completa:
Quem é Guilherme Smith?
Revelado nas categorias de base do Botafogo, Guilherme Smith construiu uma carreira marcada pela resiliência no futebol europeu. O atacante acumula passagens por Zorya Luhansk (Ucrânia), Braga (Portugal) e Kalju (Estônia).
No entanto, a trajetória foi atravessada por um evento extracampo que mudou sua perspectiva: a guerra na Ucrânia, que o forçou a interromper o sonho europeu e retornar ao Brasil.

O jogador relembra o período como o mais crítico de sua vida, destacando os desafios físicos e psicológicos que enfrentou para sobreviver ao conflito:
“A maior dificuldade foi ter passado pela guerra. Eu tinha 18 anos, estava longe da minha família e vivendo tudo aquilo sozinho. Passei frio, fome e cheguei a caminhar mais de 70 km. Foi, sem dúvida, o momento mais difícil da minha vida. Mas sou mentalmente muito forte e não deixei isso me abater. Mesmo ficando um ano sem jogar, consegui dar a volta por cima”, relata o atacante.
Versatilidade tática: a nova função na Bélgica
Os dados da Opta revelam uma metamorfose interessante no estilo de jogo de Guilherme Smith. Embora seja um atacante de origem, o brasileiro precisou se adaptar a um sistema mais defensivo desde que desembarcou no futebol belga.
Ao observar o gráfico, nota-se um volume elevado de intervenções típicas de um jogador de retaguarda.

Atuando como ala, Guilherme tem conciliado seu instinto ofensivo com um alto índice de precisão nos desarmes e intensidade na recomposição — características que o tornaram peça-chave no equilíbrio tático do Saint-Gilloise.
A mudança para uma das ligas mais competitivas da Europa foi graças ao ótimo desempenho na Estônia. Na temporada passada, vestindo a camisa do Kalju, ele viveu a melhor fase de sua carreira: foram 17 participações diretas em gols em apenas 28 partidas.
Agora, consolidado na Bélgica, o jogador já soma 20 atuações pelo Union SG, acumulando três gols e duas assistências na atual campanha.

“Final antecipada” contra o Brugge
O clima de decisão toma conta do Estádio Joseph Marien. Separados por apenas um ponto na tabela, Union SG e Club Brugge fazem o que Guilherme Smith define como um divisor de águas na competição:
“Estamos um ponto à frente e teremos esse confronto direto em casa. O foco é total para abrir distância. O Brugge é um time gigante, está todo ano na Champions e bate de frente com as maiores potências da Europa. Sabemos do desafio e estamos prontos”, projetou o brasileiro.

O momento dos donos da casa é histórico. A última derrota do Union Saint-Gilloise ocorreu ainda em janeiro, diante do poderoso Bayern de Munique, pela Champions League. De lá para cá, a equipe ostenta uma invencibilidade de 14 jogos (10V, 4E).
Caso saia de campo sem ser derrotado neste domingo, o clube atingirá a marca de três meses invicto. O desafio, porém, não será simples: o Brugge também chega em excelente forma, vindo de cinco vitórias nas últimas seis partidas.
Copa da Bélgica: a busca pelo tetracampeonato
Em maio, o calendário do Union SG reserva um capítulo especial: a grande decisão da Copa da Bélgica. O adversário será o tradicional Anderlecht, e Guilherme Smith projeta como suas características individuais podem ser o diferencial para o clube erguer o troféu pela quarta vez em sua história.
“Os três gols que marquei até agora pelo Union SG foram em momentos decisivos, e acredito que posso fazer a diferença no terço final do campo. Teremos uma final duríssima contra o Anderlecht, que possui um elenco muito qualificado, mas confio que minhas finalizações e a criação de jogadas podem ajudar muito a equipe a buscar esse título”, afirmou o jogador.

Os números mostram que, embora tenha assumido responsabilidades defensivas, Guilherme não perdeu o seu faro no ataque. Os três gols marcados com um xG de apenas 0,7 mostram que o DNA ofensivo segue sendo uma característica do brasileiro.
Além disso, a eficiência nas finalizações de fora da área se tornaram um bônus adquirido pela nova posição no campo.
O sonho da amarelinha e o futuro no Brasil
Com o objetivo claro de disputar uma Copa do Mundo, Guilherme Smith é categórico: não cogita defender outra seleção que não seja a brasileira. Após realizar o sonho de atuar na Champions League, o atacante estabeleceu como meta consolidar sua carreira nas principais ligas europeias.
O foco é manter o alto nível para, em um futuro próximo, entrar no radar de Carlo Ancelotti.

Embora tenha construído sua base no Botafogo, onde disputou 32 partidas nas categorias de base, Guilherme projeta o retorno ao país natal apenas para o longo prazo:
“Eu quero mostrar um pouco do meu futebol para as pessoas me conhecerem mais no Brasil, mas agora não penso em voltar. Acredito que meus próximos passos serão aqui na Europa, mas, daqui a alguns anos, pretendo retornar ao futebol brasileiro para trazer alegria aos torcedores de algum clube”, revelou o atleta.
