Os primeiros sinais só ficaram claros para Lennon depois, durante as sessões de terapia. "Eu não percebi nada até ser tarde demais", lembra.
Perto do fim da passagem pelo Tottenham, ele sentia cansaço sem motivo, tinha dificuldade para dormir e foi perdendo aos poucos o prazer nas coisas que aconteciam ao seu redor. Quando chegou ao Everton, o novo desafio mascarou temporariamente os problemas, mas alguns anos depois eles voltaram e evoluíram para uma depressão profunda.
Mesmo assim, ele continuou seguindo a rotina normal diante dos companheiros e conseguiu esconder seu verdadeiro estado mental por muito tempo.

Ele não conseguia pedir ajuda, mesmo quando mais precisava. Sua personalidade e o ambiente do futebol profissional, onde admitir fraqueza é extremamente difícil, o impediram.
"Principalmente para os homens, é a coisa mais difícil dizer: Na verdade, hoje não estou bem, preciso conversar com alguém." Lennon estava acostumado a ajudar os outros, lidando com tudo sozinho durante boa parte da vida. Ele também tinha medo de que admitir suas dificuldades pudesse colocar em risco sua vaga no time titular.
A crise acabou levando à internação. "Eu estava tão mal que tive pensamentos suicidas, cheguei ao fundo do poço", recorda.
Lennon admitiu que, mesmo assim, não teria pedido ajuda por conta própria, e olhando para trás, vê o fato de ter sido levado ao hospital como o momento que salvou sua vida. Junto com Cech, ele também falou sobre como a abordagem em relação à saúde mental no futebol mudou desde então. Durante a carreira de Lennon, segundo eles, os clubes não tinham especialistas para lidar com questões psicológicas dos jogadores.
A versão completa para TV deste episódio da série documental Big Pete estará disponível no CANAL+ Sport e no serviço de streaming CANAL+ na República Tcheca, Eslováquia, França, Polônia, Mianmar, Bélgica, Holanda, Áustria, Romênia e Hungria, e no SuperSport na África do Sul e Suíça.
