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Futuro de Scaloni na Argentina: os três motivos que colocam sua permanência em dúvida

Seleção argentina ainda não tem acordo com Scaloni
Seleção argentina ainda não tem acordo com ScaloniPATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP

O técnico Lionel Scaloni tem contrato com a seleção argentina até 30 de dezembro de 2026, mas sua permanência após essa data está longe de ser garantida.

Depois de oito anos à frente da equipe e da derrota para a Espanha na final da Copa do Mundo, o treinador avalia se tem a energia e a motivação necessárias para encarar uma nova etapa.

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Na AFA, por sua vez, a intenção é clara: querem que Scaloni continue e já trabalham para convencê-lo a estender seu vínculo. O futuro do treinador é atravessado por vários fatores. Entre eles, o enorme processo de reconstrução que a seleção terá pela frente, algumas questões internas que geram mal-estar e um planejamento de amistosos que volta a estar em discussão.

Uma equipe que precisa se reconstruir

A saída de Lionel Messi marca um antes e um depois para a Argentina. O capitão decidiu se aposentar depois da Copa do Mundo, e sua ausência obriga o time a começar uma nova etapa.

Mas ele não é o único. Nicolás Otamendi também deixou a equipe, enquanto Leandro Paredes colocou sua continuidade em dúvida. A eles, se somam dúvidas sobre o futuro de Emiliano Martínez e Rodrigo De Paul.

O panorama também pode mudar na comissão técnica. Walter Samuel, um dos colaboradores mais importantes de Scaloni desde 2018, teria decidido deixar a seleção para iniciar sua carreira como treinador principal, com a intenção de buscar uma oportunidade na Europa.

Scaloni sabe que terá de reconstruir a equipe praticamente do zero em alguns aspectos. E essa situação é justamente uma das que mais o fazem hesitar.

Depois de oito anos à frente da seleção e de ter vivido um ciclo vitorioso, o treinador precisa avaliar se ainda tem o impulso necessário para começar outro projeto de longo prazo.

Após a final da Copa do Mundo, o próprio Scaloni havia deixado uma frase que agora ganha ainda mais relevância: "Sinto a necessidade de pensar, porque já não sei se vai ser possível fazer algo tão grande quanto isso".

O técnico também falou sobre a necessidade de "se resetar" para voltar a construir um grupo. O desafio agora será fazer isso sem Messi e com vários dos jogadores que foram fundamentais durante a etapa mais vitoriosa da história recente da seleção.

O mal-estar pelas dívidas da AFA

Outro ponto que gera preocupação dentro da seleção é o aspecto econômico.

A AFA mantém dívidas relacionadas a bônus e premiações com jogadores e membros da comissão técnica. A situação provoca mal-estar dentro do elenco, especialmente porque a entidade atravessa um dos períodos de maior crescimento econômico de sua história.

A reclamação, segundo quem conhece a situação interna, não passa apenas pelos valores pendentes, mas pela sensação de que os pagamentos deveriam ter sido resolvidos há mais tempo.

Para uma comissão técnica que trabalha há oito anos na seleção e que conquistou quatro títulos, esse tipo de situação também faz parte da análise que Scaloni precisa fazer antes de decidir se continua.

Os amistosos: outro ponto de conflito

O planejamento dos jogos amistosos é outro dos motivos históricos de preocupação para Scaloni. O treinador pretende que a Argentina enfrente seleções de maior nível sempre que o calendário permitir. A AFA, porém, vem tendo dificuldades para conseguir esse tipo de adversário.

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A situação ficou exposta novamente durante a preparação para a última Copa do Mundo. Depois que a Finalíssima contra a Espanha no Catar foi suspensa por causa do conflito bélico no Oriente Médio, a Argentina ficou sem jogos para a última data FIFA antes da Copa do Mundo.

A solução foi organizar rapidamente dois jogos no país contra adversários de menor hierarquia: Mauritânia e Zâmbia. Agora, o problema volta a aparecer.

A AFA tinha previsto anunciar os próximos amistosos durante esta semana, mas a confirmação atrasou. Entre os motivos, está a necessidade de definir se os jogos serão reconhecidos oficialmente pela FIFA como partidas de Classe A, algo que pode ter importância para as sanções recebidas após os incidentes da final mundial.

Burkina Faso e Benin aparecem entre os possíveis adversários, embora ainda não tenham sido oficializados. A ideia é que a Argentina jogue duas partidas em casa, uma no Monumental e outra no Mario Alberto Kempes.

Também se analisa a possibilidade de que Lionel Messi participe de alguma das homenagens previstas para se despedir oficialmente da seleção.

Para Scaloni, porém, a questão esportiva é prioritária: os próximos jogos deveriam servir para começar a construir a nova equipe e dar rodagem aos jogadores que assumirão protagonismo na nova etapa.

O tempo começa a pesar

A definição sobre o futuro de Scaloni começa a se tornar cada vez mais urgente.

A primeira janela FIFA após a Copa do Mundo será entre 21 de setembro e 6 de outubro, período em que a Argentina poderá disputar até três partidas. Depois, virá a última data FIFA do ano, entre 9 e 17 de novembro.

A AFA precisa saber quem será o treinador para começar a definir o novo ciclo: convocações, comissão técnica, planejamento de jogos e os jogadores que serão protagonistas após a saída de Messi e de outros ídolos.

Scaloni chegou à seleção em 2018, após a saída de Jorge Sampaoli. Desde então, dirigiu 104 partidas, conquistou 76 vitórias, 18 empates e apenas 10 derrotas, além de vencer quatro títulos e alcançar duas finais de mundial.

Agora ele tem pela frente uma decisão diferente de todas as anteriores. A AFA quer que ele continue. Scaloni, por sua vez, precisa decidir se quer recomeçar.

Depois de oito anos, quatro títulos e uma geração histórica que começa a se despedir, o futuro da seleção argentina também vai depender da resposta que seu treinador der.

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