"Primeiro, vou perguntar ao Conselho se deseja contratar uma revisão externa independente do atual modelo de governança da FIFA para grandes iniciativas estratégicas e recomendar possíveis melhorias," escreveu Infantino ao Conselho da FIFA e aos presidentes das 211 associações membros em uma carta a qual a Reuters obteve acesso.
Infantino também disse que vai propor consultas com confederações, associações membros e outros interessados para fortalecer o processo de tomada de decisão da FIFA. As propostas analisariam quem tem voz nas principais iniciativas, incluindo o presidente, Bureau, Conselho e Congresso, e como aprimorar a transparência e a responsabilidade.
O dirigente enfrentou forte reação negativa após propor a venda de 20% dos direitos comerciais da FIFA, incluindo a Copa do Mundo, para investidores privados. O plano foi abandonado em julho após oposição e ameaças de boicote, com a UEFA, a Confederação Asiática de Futebol e a CONCACAF posteriormente pedindo mudanças na liderança da FIFA.
Infantino afirmou que o plano abandonado buscava avaliar se a venda de uma participação minoritária em uma empresa comercial controlada pela FIFA poderia gerar mais recursos para o desenvolvimento do futebol. Segundo ele, isso não envolveria abrir mão do controle sobre decisões esportivas.
No entanto, a proposta se tornou pública antes de ser apresentada integralmente ao Conselho e às associações membros, de acordo com Infantino.

"Reconheço que, sem o contexto completo, isso gerou preocupação e criou a impressão de que decisões já haviam sido tomadas. Não foi o caso. Permaneceu como uma proposta, não uma decisão, e sempre esteve sujeita às aprovações necessárias do Conselho e das Associações Membros. Agora foi retirada e não terá continuidade", explicou.
Infantino disse que ouviu opiniões divergentes sobre quem deveria decidir questões estratégicas importantes. Alguns defendiam a necessidade de acordo unânime no Bureau, enquanto outros queriam que esses temas fossem levados diretamente ao Congresso e às associações membros.
"Meu papel não é pré-julgar essa discussão. Quem apoia determinado modelo deve ter a oportunidade de expor claramente seus argumentos," escreveu.
Sugestões recebidas até a reunião do Conselho em 15 de outubro poderão ser discutidas na ocasião, e propostas enviadas posteriormente também serão consideradas dentro de um prazo ainda a ser definido. Qualquer alteração nos estatutos da FIFA precisaria de aprovação do Congresso.
Infantino também afirmou que as posições das associações membros sobre propostas ou questões de governança não afetarão seu tratamento pela FIFA, cujos programas de desenvolvimento e solidariedade continuarão seguindo as regras atuais.
"O tratamento de nenhuma associação vai depender de sua posição sobre qualquer proposta ou questão institucional. Permaneço totalmente comprometido em liderar a FIFA e confiante no que podemos conquistar juntos", afirmou.
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