O debate de quem é o verdadeiro GOAT do futebol mantém-se e tem vindo a dividir a internet nas últimas décadas, mas é inegável que estes dois nomes marcaram a história do futebol e há muito ditam as regras do jogo, desafiando limites que os próprios foram impondo ao longo dos anos.
Confira a tabela da Copa do Mundo
No entanto, há um fator comum a todos os humanos, mesmo aqueles que, por vezes, parecem vindos de outro planeta. O tempo passa e nos muda por completo. Cristiano Ronaldo e Messi não são os mesmos jogadores de antes, mas continuam sendo as grandes referências das respetivas seleções.
Protagonismo evidente nos números
Apesar da idade, Portugal e Argentina continuam jogando para as suas estrelas e os dados da Opta comprovam que há, ainda, uma enorme dependência das duas seleções nos seus capitães, embora Roberto Martínez, técnico português, e Lionel Scaloni, técnico argentino, utilizem fórmulas diferentes para tentar tirar o melhor de ambos.
Portugal procura Ronaldo sobretudo para finalizar. Já a Argentina continua a depender de Messi para criar, acelerar e concluir os ataques.

Aos 41 anos, Ronaldo é o jogador com maior peso no xG da própria seleção entre todos os participantes que ainda se mantêm na disputa. De acordo com os dados analisados pela Opta, ele representa 56% do xG total de Portugal, sendo o único atleta do torneio acima dos 50%.
Na prática, mais de metade da qualidade das oportunidades criadas pela equipe portuguesa terminou nos pés ou na cabeça do capitão. Ronaldo acumulou 2,2 xG, marcou dois gols e realizou 13 finalizações em 270 minutos, com uma média de 0,17 xG por tentativa.

O mapa de chutes ajuda a perceber a forma como Portugal procura o seu capitão. Quase todas as ocasiões do atacante surgiram na faixa central, entre a pequena área e a marca de pênalti. Este acaba sendo um sinal positivo quanto à capacidade de CR7 para encontrar espaços em zonas privilegiadas de finalização, mas também pode denunciar alguma previsibilidade ofensiva por parte da seleção portuguesa.
Os adversários sabem que grande parte das melhores oportunidades portuguesas acaba passando por Ronaldo. Apesar da quebra de eficácia do capitão, que esteve 10 jogos consecutivos sem marcar em fases finais de Europeus e Mundiais, uma atenção especial ao camisa 7 pode ser suficiente para limitar grande parte do perigo ofensivo da seleção portuguesa.
Na Argentina, essa dependência manifesta-se de forma diferente. Messi representa 45% do xG da seleção, um valor inferior ao de Ronaldo, mas lidera de forma destacada o ranking de xG+xA: é responsável por 42% da produção ofensiva argentina.

A diferença reside no tipo de influência. Ao contrário de Ronaldo, Messi não aparece apenas no final das jogadas e participa na criação de oportunidades, na progressão com bola e na ligação entre setores, mantendo um papel central na forma como a Argentina constrói e acelera os ataques.
O argentino marcou seis gols em 200 minutos, após 15 finalizações, e apresentou uma média de 0,18 xG por tentativa. Três desses gols surgiram de fora da área.

Os dados da Opta mostram ainda a qualidade da finalização de Messi. O argentino transformou finalizações avaliadas em 1,9 xG num total de 2,9 xGOT, métrica que mede a qualidade do chute depois de a bola sair do pé do jogador. Ainda assim, os seis gols representam uma eficácia muito acima do esperado.
Ronaldo, pelo contrário, passou de 2,2 xG para 1,9 xGOT, o que sugere que a qualidade das suas finalizações reduziu ligeiramente o valor inicial das oportunidades.

Ronaldo não acompanha Messi
Apesar de ambas as seleções dependerem fortemente dos respectivos capitães, os números mostram que a influência de Messi e Ronaldo manifesta-se de formas bastante distintas. Enquanto o português continua sendo sobretudo um finalizador, o argentino mantém um papel determinante em praticamente todas as fases do ataque albiceleste.
O canhoto foi eleito melhor em campo nos dois encontros em que foi titular, com notas de 9,6 e 9,3 no Flashscore, tendo ainda alcançado 7,8 como reserva.
A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho na América do Norte. Veja tudo o que você precisa saber sobre o torneio:
Duelos já confirmados no mata-mata • Tabela dos próximos jogos • Siga a Seleção Brasileira • Previsões, odds e dicas de apostas
O argentino apresentou a melhor média da sua seleção no parâmetro de criação e ficou com o terceiro melhor registro em progressão. É precisamente esta capacidade de assumir várias funções no ataque de Scaloni que o separa de Ronaldo nesta comparação.
O peso ofensivo do português torna-se ainda mais evidente quando se analisa a distribuição das oportunidades. Cerca de 72% do xG de Ronaldo foi produzido apenas contra o Uzbequistão, duelo em que registou 1,6 xG e recebeu uma avaliação de 8,6 no Flashscore.
Nos outros dois jogos da fase de grupos, o capitão português teve uma influência bastante reduzida. Diante da Colômbia, o adversário teoricamente mais exigente, conseguiu apenas dois toques na área contrária.

"Ronaldo é responsável por mais de metade do xG total de Portugal, embora 72% desse valor tenha sido produzido apenas contra o Uzbequistão. Esta excessiva concentração no atacante como referência ofensiva pode ser um dos principais problemas da seleção portuguesa até o momento", analisa Marek Kabát, analista do Flashscore.
Parte desta concentração ofensiva resulta também das opções de Roberto Martínez. Tal como aconteceu na Euro, Portugal continua mostrando dificuldades em encontrar alternativas quando não consegue explorar o corredor central e ainda não tem conseguido retirar o máximo do trio formado por João Neves, Vitinha e Bruno Fernandes. Essa limitação acaba aumentando, naturalmente, a importância de Ronaldo na definição dos ataques.

O dado relativo ao xG+xA, que combina a qualidade dos remates com as ocasiões criadas para os colegas, reforça essa leitura. Ronaldo representa 30% da produção ofensiva de Portugal, enquanto Bruno Fernandes surge com 20%.
Dependência: força ou fragilidade?
Ter Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi como principal referência ofensiva continua sendo um privilégio para qualquer seleção. Ambos demonstram que, mesmo numa fase avançada da carreira, continuam capazes de concentrar uma fatia da produção ofensiva que a maioria dos jogadores não consegue alcançar. Porém, essa dependência também pode representar um risco e isso tem sido mais visível no jogo de Portugal, que apenas passou no 2º lugar do Grupo K.
"O fato de Messi ser responsável por quase metade, 42%, da produção ofensiva da Argentina, considerando xG e xA, representa um valor muito elevado. Por um lado, confirma o excelente momento que atravessa; por outro, levanta a questão sobre o que poderá acontecer se não conseguir manter este nível num dos jogos de mata-mata”, explica Marek Kabát.

Na segunda fase, as duas seleções têm diferentes desafios pela frente sobreacomodar e tirar o melhor das suas principais estrelas.
Se Portugal tem que encontrar soluções para criar perigo quando Ronaldo é afastado das zonas centrais e não recebe em condições favoráveis e já próximo da pequena área, como aconteceu contra o Uzbequistão, a Argentina precisa evitar que toda a construção ofensiva fique condicionada por um dia em que Messi não esteja tão bem.

Ronaldo continua sendo o alvo preferencial de Portugal para finalizar as jogadas e decidir partidas, enquanto Messi permanece o princípio, o meio e muitas vezes o fim do ataque argentino. Duas lendas, duas formas de carregar uma seleção e uma pergunta antes dos jogos decisivos, já contra Croácia e Cabo Verde, respectivamente: o que acontece quando o principal protagonista deixa de conseguir decidir?
Não fique de fora!
Assista a todos os jogos da Copa do Mundo ao vivo pela CazéTV no plano Premium do Disney+ a R$ 19,90/mês.
Oferta por tempo limitado.

