Segundo os dados da Opta, até o fim das oitavas de final, o Brasil ainda era o time do Mundial que mais tinha criado chances na competição (9), seguido de Inglaterra, França, México e Noruega, que criaram oito boas oportunidades de marcar.
Mas a boa estatística é anulada por outros dados que reafirmam a falta de qualidade em alguns setores da seleção.
Ataque previsível

Durante toda a Copa, apenas dois jogadores do Brasil conseguiram acertar a meta adversária mais de duas vezes: Vinícius Júnior (11) e Matheus Cunha (5). Casemiro, Bruno Guimarães, Raphinha e Rayan conseguiram atingir o alvo em duas oportunidades.
A pouca presença na área adversária também pode ser vista no mapa de calor do jogo contra a Noruega. Em toda a competição, o Brasil só conseguiu acertar o gol adversário numa finalização de cabeça quatro vezes, e nenhuma delas foi dada por um centroavante — Casemiro (2), Bruno Guimarães (1) e Vini Jr (1).

Uma alternativa para enfrentar a dificuldade de permanecer na área adversária é tentar finalizar à distância, mas nesse quesito o Brasil também pecou. Dos 21 chutes desferidos pelo Brasil de fora da área, apenas 3 acertaram o alvo, totalizando um aproveitamento de apenas 14,28%. Os 10 gols brasileiros foram marcados de dentro da área — e nenhum deles foi de bola parada.
Nenhum jogador brasileiro conseguiu uma taxa de conversão das finalizações em gols superior a 50%. Apenas Gabriel Martinelli e Casemiro transformaram metade das finalizações em gols.
O Brasil deu 16 passes que quebraram as linhas adversárias. Casemiro (4) e Paquetá (4) foram os líderes, seguidos de Endrick, Vinicius Jr e Matheus Cunha, com dois cada, e Marquinhos e Douglas Santos, com um.

O Brasil puxou, ao todo, nove contra-ataques na Copa, mas apenas dois jogadores foram responsáveis pelo feito. Vinícius Jr (5) e Matheus Cunha (4).
Retirando os pênaltis, apenas dois jogadores brasileiros conseguiram um expected goals (xG) superior a 1: Vinícius Jr (4,04) e Matheus Cunha (1,43). As finalizações dos outros jogadores não chegaram a gerar expectativa de um gol sequer.
Pouca criatividade e ousadia

O jogador brasileiro que mais conseguiu completar dribles foi Vinícius Jr, que concluiu 16 dos 42 tentados. Com tantos erros de dribles, a consequência direta foi a perda de bola para o adversário. Ao longo da competição, a bola mudou de dono 74 vezes a partir de uma ação direta do atacante brasileiro.
Rayan completou seis dribles em sete tentativas, e Paquetá acertou cinco das oito vezes que tentou.
O jogador brasileiro que mais sofreu faltas no terço final do campo não foi um atacante, e sim o volante Casemiro com duas faltas sofridas.
O problema dos duelos

Gabriel Magalhães foi o líder na estatística de duelos aéreos, com 22 disputas pelo alto, mas ele perdeu 17, obtendo apenas 22% de aproveitamento nas bolas aéreas. O zagueiro brasileiro também foi o jogador que mais deu passes (430). Destes, apenas 95 foram progressivos.
Em relação aos desarmes, o aproveitamento brasileiro também foi baixo: Casemiro ganhou apenas 4 dos 14 tentados, Bruno Guimarães arriscou 11 e só obteve sucesso em seis. O melhor índice foi o de Douglas Santos, que ganhou 11 dos 18 desarmes tentados em toda a Copa. Já Danilo só conseguiu levar a melhor em duas oportunidades de sete.
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