No caso de Seedorf, a Conmebol rejeitou o pedido de reconhecimento de sua licença, apesar de o holandês possuir a UEFA Pro, certificação de nível mais alto para treinadores na Europa. A entidade sul-americana exige pelo menos 36 meses de experiência profissional como treinador, enquanto Seedorf teria acumulado aproximadamente 27 meses em suas passagens por Milan, Shenzhen, Deportivo La Coruña e seleção de Camarões.
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A CBF, por sua vez, informou, em comunicado oficial, que o treinador holandês está apto a seguir no comando do Corinthians. Uma nova documentação foi encaminhada à UEFA, e a entidade brasileira aguarda um posicionamento da Conmebol após o aval da entidade europeia. Dessa forma, enquanto não houver uma nova manifestação da Conmebol, Seedorf está autorizado a permanecer à beira do campo.
O episódio reacendeu o debate sobre as exigências para o exercício da função de treinador e as diferenças entre os critérios de certificação adotados pelas entidades que regulamentam o futebol.
Confira outros casos que ajudam a contextualizar o problema.
Fernando Seabra (Cruzeiro)
Em abril de 2024, Fernando Seabra enfrentou dificuldades para assinar a súmula como treinador do Cruzeiro na Copa Sul-Americana. O técnico não possuía a Licença PRO da Conmebol, exigida pela entidade para comandar equipes em suas competições.
A situação foi contornada inicialmente com uma autorização provisória. Seabra pôde assinar a súmula e conceder entrevistas como treinador na partida contra o Alianza FC, em 11 de abril. A dificuldade voltou a aparecer em jogos posteriores, e o auxiliar Wesley Carvalho foi identificado como treinador na súmula do confronto contra o Boca Juniors, em agosto daquele ano.

Davide Ancelotti (Botafogo)
Davide Ancelotti enfrentou problemas com a licença de treinador quando comandava o Botafogo, em 2025. O italiano tinha licença de treinador da UEFA e estava regularizado pela CBF para disputar competições nacionais. Entretanto, a Conmebol não autorizou seu registro como técnico principal na Libertadores, apesar de ele estar matriculado no curso da Licença PRO da CBF.
Na partida contra a LDU, em 14 de agosto de 2025, pelas oitavas de final da Libertadores, Davide permaneceu à beira do campo, mas Cláudio Caçapa precisou assinar a súmula como treinador do Botafogo. O clube contestou a decisão da Conmebol e alegou falta de clareza nos critérios adotados pela entidade.

António Oliveira (Corinthians)
Em abril de 2024, António Oliveira também teve problemas para exercer formalmente a função de treinador em uma partida da Copa Sul-Americana. O português não pôde assinar a súmula como comandante do Corinthians nem participar da entrevista coletiva após a estreia da equipe na competição.
A função documental foi assumida pelo auxiliar Bruno Lazaroni. O problema estava relacionado à ausência do certificado UEFA Pro exigido para o reconhecimento de sua qualificação pela Conmebol. António já havia concluído os cursos necessários, mas ainda aguardava a emissão do certificado. A restrição não o impediu de trabalhar normalmente à beira do campo.

Vasco Matos (negociação com o Botafogo)
Em fevereiro de 2025, o Botafogo desistiu da contratação do português Vasco Matos, então treinador do Santa Clara, de Portugal, após a negociação esbarrar nas exigências de licenciamento.
Matos possuía a Licença UEFA A, mas não a UEFA Pro, exigida para comandar equipes no nível mais alto das competições sul-americanas. O clube chegou a avaliar a possibilidade de conseguir uma autorização provisória junto à Conmebol, mas a contratação não avançou.

Rúben Amorim (Sporting e Braga)
Antes de se consolidar como um dos treinadores portugueses de maior projeção internacional, Rúben Amorim enfrentou questionamentos sobre suas habilitações para comandar equipes profissionais.
Em 2020, quando trabalhava no Braga, Amorim ainda não possuía o nível de qualificação exigido para exercer formalmente a função de treinador principal. O auxiliar Micael Sequeira aparecia como comandante na ficha de jogo, enquanto Amorim, registrado como adjunto, chegou a ser multado por dar instruções aos jogadores à beira do campo.

A situação voltou a ser discutida quando Amorim assumiu o Sporting. Em 2021, o clube foi punido pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol por questões relacionadas às habilitações do treinador, com multa de 9.563 euros e interdição de um jogo do estádio. A sanção de interdição foi posteriormente suspensa pelo Tribunal Arbitral do Desporto.
João Pereira (Sporting)
Em outro episódio envolvendo o Sporting, o português João Pereira assumiu o comando da equipe principal em 2024, após a saída de Rúben Amorim. Entretanto, não possuía a licença UEFA Pro necessária para exercer formalmente a função de treinador principal na primeira divisão portuguesa.
Na prática, Pereira comandava a equipe, mas Tiago Teixeira aparecia como treinador nas fichas de jogo e nas entrevistas oficiais. Em fevereiro de 2025, a Federação Portuguesa de Futebol anunciou punições relacionadas à falta das habilitações exigidas: o Sporting recebeu multa de 12.750 euros, enquanto Pereira e Teixeira também foram multados.

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