Sinner e Sabalenka apoiam boicote a Grand Slams: "Damos mais do que recebemos"

Jannik é o atual vice de Roland Garros
Jannik é o atual vice de Roland GarrosREUTERS/Claudia Greco

A possibilidade de um boicote aos torneios de Grand Slam ganhou corpo nesta semana após declarações dos líderes dos rankings masculino e feminino. Nesta quinta-feira (7), Jannik Sinner afirmou que os tenistas estão unidos e não descartam boicotar os maiores torneios do circuito.

"É mais sobre respeito. Acho que damos muito mais do que estamos recebendo de volta. Não é apenas para os principais jogadores — é para todos nós, tanto no masculino quanto no feminino. Os dez melhores homens e as dez melhores mulheres escreveram uma carta e não é bom que, após um ano, não estejamos nem perto de uma conclusão", afirmou o italiano em coletiva no Masters de Roma, citando o silêncio de Roland Garros.

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"Se os principais atletas de outros esportes enviam cartas importantes, acredito que em 48 horas você tem não apenas uma resposta, mas uma reunião. Claro que falamos de dinheiro, mas o mais importante é o respeito, e simplesmente não sentimos isto. Entendo os jogadores falando sobre boicote porque precisamos começar de algum lugar. Tem sido um tempo muito longo com essa situação", concluiu.

Aryna: "Em algum momento vamos boicotar"

A número 1 do mundo, Aryna Sabalenka, foi mais enfática ao projetar uma paralisação como a única alternativa restante para os atletas.

"Sinto que o espetáculo depende da gente. Sem nós, não haveria torneio e nem entretenimento. Acredito que em algum momento vamos boicotar. Sinto que essa vai ser a única forma de lutar pelos nossos direitos. Nós, mulheres, podemos facilmente nos unir e lutar por isso, porque algumas coisas realmente são injustas para as jogadoras", disse Sabalenka na terça-feira.

Sabalenka ameaça não jogar Roland Garros
Sabalenka ameaça não jogar Roland GarrosReuters

Divergências entre as tenistas

A adesão a um possível boicote não é unânime entre os principais nomes do circuito. Confira a posição das tenistas que falaram sobre o tema na abertura do WTA 1000 de Roma:

Elena Rybakina (2ª): Afirmou que acompanhará o boicote caso a maioria opte por não jogar. A atleta também ressaltou o impacto dos impostos sobre as premiações recebidas.

Iga Swiatek (3ª): Classificou a ideia de boicote como "um pouco extrema". A polonesa defende a manutenção de canais de comunicação e negociações com as entidades governamentais do esporte antes de medidas drásticas.

Coco Gauff (4ª): Evitou o termo boicote, mas sugeriu a necessidade de uma organização coletiva formal, como um sindicato, para obter progresso real, citando exemplos de outras modalidades esportivas.

Jasmine Paolini (8ª): "Se estivermos todas de acordo, e acho que estamos — homens e mulheres estão unidos agora —, é algo que poderíamos fazer", disse a italiana.

Dados financeiros e calendário

Os atletas do top 10 reivindicam que a premiação total corresponda a 22% da receita gerada pelos torneios, patamar atualmente praticado nos eventos de nível Masters 1000. Segundo comunicado divulgado pelos jogadores, a fatia destinada aos atletas em Roland Garros caiu de 15,5% em 2024 para 14,9% em 2026, apesar do anúncio de um aumento nominal de 9,5% na premiação.

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As reivindicações ocorrem em um cenário de aumento de faturamento dos torneios. No ano passado, Roland Garros gerou 395 milhões de euros, enquanto a premiação total subiu 5,4%. Para 2026, a estimativa é que a receita ultrapasse 400 milhões de euros, mantendo a participação dos jogadores abaixo de 15%.

Além do aspecto financeiro, os tenistas buscam maior participação nas decisões de agendamento de partidas e contribuições para fundos de bem-estar. Sinner indicou que os jogadores aguardam os anúncios das premiações de Wimbledon e do US Open nas próximas semanas para definir os próximos passos do movimento.