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US Open tem chance de quebrar incômodo tabu de 43 anos

Yannick Noah ao conquistar Roland Garros em 83
Yannick Noah ao conquistar Roland Garros em 83ČTK / AP / JACQUES LANGEVIN

O US Open começa neste domingo (30) com um tabu difícil de engolir. Enquanto a chave feminina testemunhou a construção de hegemonias de atletas negras nas últimas décadas, o circuito masculino ainda carrega a marca de um longo jejum. 

Neste temporada, completam-se 43 anos desde a última vez que um homem negro venceu um título de Grand Slam em simples — feito alcançado por Yannick Noah em Roland Garros, em 1983.

No entanto, o US Open 2026 acontece uma semana após a primeira final de Masters 1000 entre dois negros na história, e tem 4 favoritos que podem repetir o feito de Noah.

Tiafoe (esq.) e Fils disputaram a final do Masters de Cincinnati
Tiafoe (esq.) e Fils disputaram a final do Masters de CincinnatiReuters

Contraste entre os circuitos

A discrepância entre os dois circuitos ao longo da Era Aberta (iniciada em 1968) é bastante evidente, e mostra como o tênis é historicamente um esporte elitista.

No circuito da ATP, das mais de 230 edições de Grand Slam disputadas na Era Aberta, apenas 4 títulos (aproximadamente 1,7%) foram erguidos por homens negros — 3 de Arthur Ashe e 1 de Yannick Noah.

Apenas 2 dos cerca de 60 campeões distintos na Era Aberta são negros (menos de 3,5%).

No circuito Feminino, o cenário é mais diverso. Mulheres negras conquistaram 37 títulos de Grand Slam (cerca de 16% do total), muito graças às irmãs Williams. Serena ganhou 23 e Venus, 7. Naomi Osaka (4), Sloane Stephens (1) e Coco Gauff (2) completam a lista. Gauff foi a última tenista negra a ganhar um Major (Roland Garros 2025).

Serena voltou ao Arthur Ashe para disputar torneio de duplas mistas
Serena voltou ao Arthur Ashe para disputar torneio de duplas mistasReuters

Sinais de mudança

O último tenista negro a alcançar a final de um Slam no circuito masculino foi o francês Jo-Wilfried Tsonga (FRA), que perdeu a decisão do Australian Open de 2008 para Novak Djokovic.

Mas apesar ainda do domínio branco, o cenário da ATP dá sinais de reconfiguração. O US Open deste ano ocorre logo após um marco histórico: a decisão do Masters 1000 de Cincinnati, disputada entre o francês Arthur Fils e o norte-americano Frances Tiafoe, foi a primeira final 100% negra da história dos torneios nível Masters 1000.

Shelton é o favorito da casa no US Open 2026
Shelton é o favorito da casa no US Open 2026Eric Bolte-Imagn Images

Pela primeira vez na história recente, quatro tenistas negros chegam ao US Open dentro do Top 15 mundial e entre os favoritos ao título:

Félix Auger-Aliassime (4º do ranking): o canadense alcançou a semifinal do US Open duas vezes – incluindo ano passado –, além das quartas de Wimbledon e Roland Garros deste ano. Todos os seus 9 títulos na ATP foram conquistados na quadra rápida.

Ben Shelton (9º): o estadunidense é o atual bicampeão do Masters 1000 do Canadá, torneio que antecede o US Open, e está em grande fase. Shelton tem uma semifinal do US Open e uma do Australian Open no currículo.

Arthur Fils (11º): O francês de 22 anos tem no momenro seu melhor ranking na carreira. Fils conquistou seu maior título da carreira na semana passada, em Cincinnati, mas ainda não passou da 4ª rodada de um Slam. 

Frances Tiafoe (12º): Tiafoe vem do vice-campeonato do Masters de Cincinnati, além de ter conquistado Halle na temporada de grama. O americano já foi semifinalista do US Open em duas ocasiões (2022 e 2024).

Com Jannik Sinner, número 1 do mundo, fora do torneio e Carlos Alcaraz (3º) voltando às quadras após 4 meses de lesão, o US Open pode ter um campeão inédito neste ano – e o primeiro negro campeão de Slam no masculino desde 1983.

O US Open 2026 vai de 30 de agosto a 14 de setembro.