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Exclusivo: Do período sem chuteira à Ucrânia, Alisson comemora 1° chamado à Seleção

Alisson foi chamado para jogos do Brasil com Japão e Singapura
Alisson foi chamado para jogos do Brasil com Japão e SingapuraMI News / NurPhoto / NurPhoto via AFP

Aos 21 anos, o atacante Alisson, do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, comemorou nesta quinta-feira (29) sua primeira convocação para a Seleção Brasileira. Um dia antes do chamado, ele conversou com exclusividade com o Flashscore, já sentindo que o sonho de vestir a Amarelinha se aproximava.

Alisson foi negociado pelo Atlético-MG em março de 2025, por 14 milhões de euros (R$ 88 milhões na cotação da época), concretizando um sonho de jogar na Europa.

Atacante Alisson viu expectativa de ser convocado se confirmar após entrevista ao Flashscore

No Shakhtar, ele conta com a companhia de vários brasileiros, que o ajudaram bastante no processo de adaptação. O principal deles é o atacante Pedrinho, que também defendeu o Atlético-MG. No time ucraniano, Alisson vive bom momento, que o fez entrar no radar de Carlo Ancelotti, técnico da Seleção. 

Nesta entrevista exclusiva, ele detalha os aprendizados dentro e fora de campo e afirma que as tensões que muitos podem imaginar, por viver em um país em guerra, não são tão grandes assim. 

Acredito que seja inevitável um período de adaptação em um lugar tão diferente como a Ucrânia, certo?

Realmente foi um pouquinho diferente a questão do clima, da língua, mas dentro de campo acho que foi muito tranquilo para me adaptar. O Shakhtar já tem essa fama de ter muitos brasileiros e isso me ajudou muito. Confesso que o frio aqui é um pouco complicado, mas é um lugar bom de viver, estou me sentindo muito bem aqui.

Você conhecia algum dos brasileiros que jogam aí?

Eu só conhecia o Pedrinho, que jogou no Atlético, além do Kauã Elias. Todos me receberam muito bem, me abraçaram e foi fácil criar essa amizade com eles.

Algum te ajudou mais neste começo de período na Ucrânia?

O Pedrinho foi um paizão aqui pra mim. Teve até casos dele pagar alguma coisa, quando eu ainda não tinha um cartão de crédito, ele me ajudou muito. No inglês, eu falo melhor que ele (rsrs). 

Mas ele foi um dos principais que me ajudaram dentro de campo, sempre me passou atalhos e foi um dos principais que me ajudaram por aqui.

Resumo da carreira de Alisson
Resumo da carreira de AlissonFlashscore

Em quais aspectos seu jogo melhorou desde que você chegou aí?

Acho que eu já melhorei bastante. Claro que eu sou muito novo, ainda tenho bastante coisa para evoluir. Creio que eu estou conseguindo evoluir aos poucos. Uma das coisas que eu estou aprendendo e estou vendo muita diferença no meu jogo é mais objetividade. Normalmente o meu jogo era muito aberto, eu pegava a bola e tentava mostrar minhas habilidades. Agora busco ser mais objetivo, ser mais direto na busca por fazer um gol e dar assistência. Isso foi uma das coisas que o Pedrinho me falou.

Tenho evoluído principalmente contra times da Champions League. Vi bastante diferença nisso, nessa questão de objetividade, de atacar o espaço, de enfrentar o lateral. 

Números de Alisson na atual temporada
Números de Alisson na atual temporadaFlashscore

O Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, está iniciando um novo ciclo na Seleção, convocando atletas de potencial e muitos que são pouco conhecidos. Isso, além da sua boa fase, cria uma expectativa para ser lembrado?

É meu sonho de criança. Tenho essa meta comigo, acho que estou no caminho certo. Preciso fazer as coisas bem feitas no clube. A visibilidade da Champions League ajuda, tenho desempenhado bem meu papel dentro de campo. Sei que a concorrência é grande, mas creio que este objetivo será alcançado. Já estive na base da Seleção e sei como é estar na Granja Comary.

Pensei nesta questão do novo ciclo outro dia. Se eu for convocado, muita gente não me conhece, vou chegar sendo uma surpresa. Estas mudanças que o Ancelotti vem fazendo me motivam, sinto que esta realização está cada vez mais próxima. O novo ciclo é motivo de felicidade para mim e para outros brasileiros do clube, que também têm muito potencial.

Você fez agora, na atual temporada, suas primeiras partidas na carreira em uma Champions League. Como foi vivenciar esta competição?

Quando a gente entra dentro de campo, a gente tem que esquecer essas coisas. Mas na semana da Champions League, assim, eu fico bem ansioso, querendo que chegue logo a hora do jogo. Alguns filmes passam na nossa mente, todas as lembranças, tudo que a gente passou para chegar até aqui. É importante pra saber que está valendo a pena todo o sacrifício. É chegar em um lugar que eu só via na TV, estar ali dentro e sentir aquela atmosfera é muito bom.

Últimos jogos de Alisson
Últimos jogos de AlissonFlashscore

Algum momento mais marcante do seu começo de carreira que você pode compartilhar?

Passei muito perrengue, vim de uma família muito humilde. Mas eu não sentia o tamanho da dificuldade, não sentia ali a pressão de tudo que estava acontecendo. Eu era só uma criança que pensava em jogar e me divertir. Mas teve um período em que eu não tinha chuteira pra jogar.

Eu ficava sentado no banco de reserva esperando alguém da escolinha sair do campo para me emprestar a chuteira para poder treinar. Eu saí de casa muito cedo, não tinha celular, não conseguia falar com a minha família, fiquei muito tempo sem falar com eles. Tem muitas histórias que eu poderia falar, só que eu não lembro do tamanho. Pra mim era normal. Eu não sentia na pele a pressão, não ficava preocupado. O processo foi muito bom, nunca fui rejeitado. Sempre fui abraçado em todos os lugares que eu fui. Mas em questão financeira, passei muita dificuldade. Mas, graças a Deus, as coisas foram acontecendo do jeito certo, no tempo certo, e hoje está tudo bem.

Tem uma situação que é inevitável tocar sobre a guerra entre Ucrânia e Rússia. Já se acostumou com a rotina em um país sob guerra?

Desde que cheguei, não senti esse negócio apocalíptico que muitos pensam. Já teve casos de ouvir sirene em Kiev, ouvir ataques...Durante o dia, sim, você sai na rua, parece tudo normal. Mas chega um determinado horário que todo mundo se fecha. A situação que mais me chamou atenção foi quando fomos jogar em Kiev. Depois do jogo, fomos para uma região próxima que tinha sido atacada. Tinha caído um míssil lá, havia uma cratera no chão, gigantesca. Nas casas em volta tinham vários furos. Fomos numa praça, com um monte de fotos de crianças, das pessoas que morreram no lugar. Teve um momento de silêncio, foi bem emocionante. Foi o contato mais próximo que eu tive com a guerra.

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