Flamengo se sente em casa em Itaquera e tem retrospecto favorável contra o Corinthians

Memphis e Arrascaeta são destaques do clássico entre Corinthians e Flamengo
Memphis e Arrascaeta são destaques do clássico entre Corinthians e FlamengoProfimedia

Ainda com o desfecho da Supercopa Rei fresco na memória, Corinthians e Flamengo voltam a se enfrentar neste domingo (22), na Neo Química Arena, às 20h30.

A partida, que encerra a 8ª rodada da Série A do Brasileirão, apresenta um cenário bem distinto da decisão em Brasília: o Timão amarga um jejum de seis jogos sem vencer no tempo regulamentar, enquanto o Rubro-Negro chega sob nova direção, embalado por um retrospecto na Arena que poucos rivais ostentam e com sede de revanche. Ingredientes que incendeiam o Clássico do Povo.

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A força da Fiel em Itaquera segue sendo o pilar do Timão. Na última temporada, o Corinthians ostentou um aproveitamento de 64,4% na Neo Química Arena, somando 21 vitórias e sofrendo apenas 32 gols em 38 partidas.

Manter essa solidez defensiva (média de 0,84 gols por jogo) será crucial para conter o ímpeto de um Flamengo que, sob o comando de Leonardo Jardim, já marcou oito gols em quatro jogos.

Números do Corinthians na Neo Química Arena em 2025
Números do Corinthians na Neo Química Arena em 2025Opta by Stats Perform / MARCELLO ZAMBRANA / AGIF / AGIF VIA AFP

Sem medo: Flamengo quer mandar em Itaquera

Mas o time carioca sabe muito bem como desafiar o Corinthians na Neo Química Arena. Dados da Opta apontam que das 37 equipes que visitaram o Timão mais de duas vezes em competições oficiais, só uma tem mais vitórias do que derrotas em Itaquera: o Flamengo, com seis triunfos e cinco reveses – além de cinco empates – em 16 jogos. 

O Rubro-Negro também terá a chance de se igualar ao Palmeiras como o visitante mais indigesto da história da Neo Química Arena. Atualmente, o Verdão lidera o ranking com sete vitórias em Itaquera, enquanto o Rubro-Negro aparece logo atrás, com seis triunfos.

Números positivos do Flamengo na Neo Química Arena
Números positivos do Flamengo na Neo Química ArenaOpta by Stats Perform / WAGNER MEIER / GETTY IMAGES SOUTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

No retrospecto geral do confronto no estádio, o equilíbrio é quebrado pelo domínio carioca. O poderio ofensivo da equipe carioca também se destaca, com uma vantagem de 21 a 16 no número de gols marcados.

Revanche da Supercopa

A transformação do Flamengo sob o comando de Leonardo Jardim redefine o favoritismo para o clássico deste domingo. O Rubro-Negro que entra em campo na Neo Química Arena já apresenta características que fogem ao trabalho de Filipe Luis.

Ostentando o título de campeão carioca e embalado por uma sequência de três vitórias consecutivas no Brasileirão, o Flamengo está consolidado na briga pelo topo da tabela — é o 5º colocado com 13 pontos. Este já o segundo melhor início de Brasileirão de pontos corridos, com 13 pontos em seis rodadas (4V 1E 1D), superado apenas pela edição do ano passado, quando tinha um ponto a mais (4V 2E).

A evolução tática e o novo fôlego coletivo sugerem que o Flamengo superou o trauma da capital federal, quando perdeu por 2 a 0 e deixou escapar o primeiro título da temporada.

Mas Dorival já levou a melhor sobre Jardim 

Enfrentar Leonardo Jardim é um desafio que Dorival Júnior já provou ser capaz de superar. Embora o Timão tenha conquistado apenas uma vitória sobre o Cruzeiro em 2025, o triunfo por 1 a 0 no Mineirão foi o alicerce para que o Alvinegro despachasse o rival em Itaquera. Mesmo com a vitória celeste por 2 a 1 na volta, o Corinthians levou a melhor nos pênaltis (5 a 4) e avançou à decisão da Copa do Brasil — onde se sagraria campeão diante do Vasco.

Naquela semifinal, Jardim provou do seu próprio "veneno": o Corinthians de Dorival foi cirúrgico, entregando a posse de bola ao adversário celeste para castigá-lo em transições fatais. Nos dois jogos, o Cruzeiro manteve uma média de 57,5% de posse, mas essa superioridade foi estéril.

A Raposa realizou uma média de 400 passes somando os confrontos, porém 70% deles foram laterais ou no próprio campo defensivo, sem agredir o bloco baixo corintiano.

Dorival conseguiu fazer Jardim provar do próprio veneno
Dorival conseguiu fazer Jardim provar do próprio venenoOpta by Stats Perform / THENEWS2, RONALDO BARRETO / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

O sistema defensivo montado para anular o jogo de aproximação de Jardim forçou o Cruzeiro a abusar dos cruzamentos, área onde o Alvinegro dominou fisicamente. Das 52 bolas alçadas pelo time mineiro na série, a estatística do primeiro confronto impressiona negativamente: foram apenas três acertos em 36 tentativas — um aproveitamento aproximado de 8%.

Essa soberania não se restringiu à defesa; foi também a arma letal do ataque. Os dois gols do Corinthians na eliminatória nasceram justamente no jogo aéreo (uma bola alçada da direita e uma falta da intermediária), selando a classificação com a eficiência que faltou ao adversário.

Calibrando a pontaria

Com apenas seis gols marcados, o ataque do Corinthians é o segundo pior do Brasileirão, atrás do Internacional, com cinco tentos, e empatado com Bragantino e Remo. Se quiser vencer o Flamengo, o Timão não tem outra saída: precisa colocar o pé na forma. Não apenas isso. O Alvinegro precisa finalizar. 

A equipe comandada por Dorival Júnior tem a segunda menor média de finalizações por jogo do Brasileirão (10,3 superando os 7,4 do Botafogo). Além de finalizar pouco, o time aproveita muito mal as chances criadas: a taxa de conversão em gols é de apenas 8%, a probabilidade mais baixa da Série A, segundo o modelo de gols esperados da Opta.

Os piores ataques do Brasileirão
Os piores ataques do BrasileirãoOpta by Stats Perform

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