O retrospecto atual contrasta com o período entre 2021 e 2023. Naquelas temporadas, o aproveitamento de Hulk no começo da Série A era de 0,41 gol por jogo, garantindo ao Atlético-MG uma média de cinco gols do seu principal artilheiro a cada 12 rodadas. Porém, desde 2024, ele estagnou em exatamente apenas um tento no primeiro terço do campeonato.
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Na comparação com os tempos de Europa e China, os números atuais no Atlético-MG são os piores de toda a sua trajetória em inícios de liga nacional.

Mesmo em campeonatos competitivos como o português ou o russo — inclusive em anos de adaptação —, o atacante raramente ficava abaixo dos dois ou três gols nas 12 rodadas iniciais.
Para se ter ideia, antes desta sequência no Galo, a única vez que Hulk marcou apenas um gol no começo de um campeonato nacional foi na temporada 2012/13. Na ocasião, ele deixou o Porto rumo ao Zenit e estreou apenas na 6ª rodada da Premier League Russa, balançando a rede uma única vez até a 12ª jornada.
Vale ressaltar, contudo, que o atacante já havia disputado três jogos da Liga Portugal naquele mesmo período, nos quais marcou dois gols. Ou seja: tecnicamente, ele jamais passou por um jejum tão acentuado no início de uma temporada europeia.

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Hulk e o multiverso da ineficiência
Na atual temporada, Hulk não balança a rede pelo Brasileirão desde a terceira rodada, quando marcou seu único gol no torneio até aqui, no empate em 3 a 3 entre Atlético-MG e Remo, na Arena MRV. O atacante, portanto, amarga nove jornadas de jejum — sua segunda pior marca na elite nacional desde que estreou pelo Galo, em 2021.

O número só não é pior que o hiato de 12 rodadas vivido em 2025, quando Hulk enfrentou sua maior seca dentro do Brasileirão. Naquela ocasião, o paraibano encerrou a competição com apenas oito gols, registrando o desempenho mais baixo de sua trajetória na Série A.

Hulk: O ultimato para evitar uma nova seca histórica
O sinal de alerta no Galo não se restringe apenas ao Brasileirão. O jejum de Hulk tornou-se multicompetição: desde o hat-trick contra o Itabirito, em 14 de fevereiro deste ano, o atacante passou em branco por 14 partidas consecutivas, englobando compromissos pelo Campeonato Mineiro, Copa Sul-Americana, Copa do Brasil e as rodadas iniciais do Brasileirão.
Nesse período, o único brilho do camisa 7 foram duas assistências, insuficientes para esconder a proximidade de igualar sua pior marca histórica no Atlético-MG (15 jogos sem balançar as redes entre agosto e outubro de 2025).

Contra o Flamengo, no domingo (26), às 20h30, na Arena MRV, Hulk tenta evitar que essa crise global de gols alcance novamente um patamar indesejado. Mas o atacante está certo de que este não é um problema apenas dele. Muito pelo contrário.
"Nesses 14 jogos, eu queria que você me desse dois, três lances em que tive situações de fazer gols", disparou após a vitória do Atlético-MG sobre o Ceará por 2 a 1, na Arena MRV, pelo jogo de ida da 5ª fase da Copa do Brasil.

Ainda assim, Hulk é o artilheiro do Atlético-MG na temporada, com cinco gols. Os demais goleadores do Galo em 2026 são Reinier, Tomás Cuello e o meio-campista Victor Hugo, com quatro tentos.
Fim de ciclo no Galo?
Aos 39 anos, Hulk esteve por um fio de se transferir para o Fluminense no início da temporada. Apesar do interesse pessoal, o negócio não evoluiu por iniciativa da própria gestão da SAF atleticana, que vetou a possibilidade de perder o ídolo antes do encerramento de contrato, que perdura até o fim deste ano.
Na ocasião, tornou-se público o interesse do Atlético em planejar a aposentadoria do atacante, com propostas que incluíam um percentual da SAF e um documentário nos moldes de 'The Last Dance'. Hulk, contudo, rejeitou a ideia por entender que ainda tinha lenha para queimar. Embora tenha permanecido em Belo Horizonte em respeito à sua trajetória no clube, o jogador não hesitou em manifestar sua insatisfação nas redes sociais.

Agora, depois da vitória do Atlético-MG sobre o Ceará, o atacante voltou a colocar seu futuro no clube mineiro xeque, abrindo caminho para a possibilidade de deixar o Galo até mesmo no meio deste ano. Sempre direto, ele ainda revelou a existência de pendências e que vai se posicionar sobre o tema no tempo certo.

O desabafo de Hulk transforma o jejum de gols em um detalhe diante de uma crise de bastidores muito mais profunda. Ao sugerir que pode antecipar sua despedida para julho, o atacante deixa claro que o 'soro' que mantinha a relação entre ídolo e diretoria perdeu o efeito.
Entre silêncios estratégicos e promessas de revelações futuras, a massa atleticana assiste, apreensiva, ao que pode ser o início do 'Ultimato' de sua maior referência técnica. Se em janeiro o divórcio foi evitado pela SAF, o cenário de abril sugere que, desta vez, o 'The Last Dance' de Hulk pode terminar sem o final feliz que o roteiro original previa.

