Um novo personagem pode ajudar nesta missão: Artur Jorge, que faz sua estreia no comando do Cruzeiro em clássicos mineiros.
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O início do português na Toca da Raposa é expressivo, com seis vitórias em nove jogos — aproveitamento de 70,4%. O que chama a atenção é a coincidência estatística: este é exatamente o mesmo desempenho que o técnico teve em seu debute no futebol brasileiro, durante a vitoriosa passagem pelo Botafogo.

É preciso destacar, porém, as circunstâncias de cada desafio. Enquanto no Botafogo Artur Jorge iniciou o Brasileirão desde a primeira rodada, no Cruzeiro a missão foi de reconstrução: o treinador estreou apenas na 9ª jornada (triunfo por 3 a 0 sobre o Vitória) e precisou recuperar a confiança de um elenco que amargava a zona de rebaixamento e uma sequência de resultados negativos.

Apesar dos bons números, o Cruzeiro de Artur Jorge ainda busca um feito inédito nesta temporada: vencer três partidas consecutivas, sem distinção de torneio. Embora venha de uma trinca de vitórias no Brasileirão, tropeços intercalados na Libertadores e na Copa do Brasil impediram, até aqui, uma sequência de triunfos absoluta.
O cenário atual difere daquela arrancada avassaladora pelo Alvinegro carioca, quando o treinador engatou cinco vitórias seguidas em um intervalo de apenas 15 dias, entre 18 de abril e 2 de maio.

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Artur Jorge nunca perdeu clássicos no Brasil
Um dado que inflama a torcida celeste para o clássico deste sábado (2), no Mineirão, é a invencibilidade de Artur Jorge em clássicos no futebol brasileiro. No comando do Botafogo, em 2024, o técnico atingiu o expressivo aproveitamento de 88,9% contra seus rivais cariocas, vencendo todos os confrontos em que foi mandante.

Todos os clássicos de Artur Jorge pelo Botafogo:
Botafogo 3 x 0 Vasco – 32ª rodada do Brasileiro de 2024
Fluminense 0 x 1 Botafogo – 27ª rodada do Brasileiro de 2024
Botafogo 4 x 1 Flamengo – 23ª rodada do Brasileiro de 2024
Vasco 1 x 1 Botafogo – 13ª rodada do Brasileiro de 2024
Botafogo 1 x 0 Fluminense – 8ª rodada do Brasileiro de 2024
Flamengo 0 x 2 Botafogo – 4ª rodada do Brasileiro de 2024
Boas lembranças contra o Atlético-MG
Além do retrospecto regional, o português ostenta o fato de nunca ter perdido para o próprio Atlético-MG. Naquela temporada de 2024, foram três duelos: pelo Brasileirão, uma vitória contundente por 3 a 0 no Rio de Janeiro e um empate sem gols em Belo Horizonte.

Mas o capítulo mais marcante dessa história ocorreu na decisão da Libertadores de 2024. Em uma final apoteótica, o Botafogo de Artur Jorge sagrou-se campeão continental pela primeira vez ao bater o Galo por 3 a 1. O feito tornou-se épico pelas circunstâncias: o Alvinegro carioca jogou praticamente toda a partida com um a menos, após a expulsão do volante Gregore logo no primeiro minuto de jogo.
Crescimento defensivo
Outra amostra da eficiência do trabalho de Artur Jorge é a solidez defensiva. Em apenas nove jogos, o Cruzeiro já alcançou cinco partidas sem sofrer gols. Para se ter ideia da rapidez do ajuste, Tite precisou de 17 jogos à frente da Raposa para atingir a mesma marca estabelecida pelo português.
Sob o comando anterior, a defesa celeste enfrentava dificuldades crônicas. Com Artur Jorge, o sistema foi estabilizado: o time foi vazado nove vezes em nove confrontos, reduzindo a média para 1,0 e garantindo uma segurança que o elenco não demonstrava no início da temporada.

Para alcançar esse equilíbrio, Artur Jorge promoveu mudanças pontuais no setor: Jonathan Jesus assumiu a titularidade na zaga ao lado de Fabrício Bruno, enquanto o veterano Fagner tomou conta da lateral-direita. Com a mudança, o experiente ala desbancou William, que se tornou a terceira opção da posição, atrás também do jovem Kauã Prates.
O processo de estabilização defensiva é ainda mais expressivo diante do impasse no gol celeste. Após a gravíssima lesão de Cássio — que dificilmente voltará a atuar nesta temporada —, o treinador português vem promovendo um revezamento entre Matheus Cunha e Otávio, buscando segurança sob as traves enquanto a titularidade absoluta segue em aberto.

Momentos distintos
Na noite deste sábado, Artur Jorge reencontra o Atlético-MG em um cenário de nítido contraste. O rival chega ferido, vivendo o luto da despedida de Hulk, que rescindiu amigavelmente após anos como referência máxima da torcida alvinegra. Além da perda do ídolo, o Galo busca estabilidade sob o comando de Eduardo Domínguez, que ainda não conseguiu fazer o time engrenar e soma mais tropeços do que vitórias. Nesta batalha de opostos, o português espera fazer valer o retrospecto favorável para confirmar de vez a ascensão celeste na temporada.

