Nesta terça-feira (28), alguns jornalistas muito bem informados revelaram que a FIFA em breve vai anunciar planos para vender participações na Copa do Mundo. Não demorou muito: em duas horas, a FIFA confirmou oficialmente as intenções descritas na polêmica reportagem de Martyn Ziegler, do The Times.
Do que se trata? Hoje, a Copa do Mundo é um projeto organizado exclusivamente pela FIFA como uma entidade independente que administra o futebol mundial. Segundo a nova visão, a FIFA criaria uma empresa separada para gerenciar o torneio (FIFA Forward Enterprise, ou FFE) e venderia participações minoritárias nessa empresa.
Como descreveu Ziegler no The Times, permitir que investidores privados comprem direitos no maior torneio esportivo do mundo garantiria uma fortuna diretamente para Gianni Infantino. Ele seria o responsável pela administração da lucrativa subsidiária e poderia ganhar dezenas de milhões de dólares.
Para "vender" bem o projeto para a imprensa, o comunicado publicado pela FIFA destaca sete vezes que a própria FIFA manteria o controle total do torneio como acionista majoritária. E os minoritários? O principal seria Josh Kushner, irmão do genro de Donald Trump.
UEFA protestou imediatamente
As garantias de "controle" não diminuem as críticas que recaem sobre a entidade máxima do futebol. A UEFA reagiu de forma breve e firme, condenando os planos e pedindo que sejam abandonados.
"Isso ultrapassa um limite que as instituições que administram o futebol nunca deveriam ultrapassar. A UEFA leva isso extremamente a sério. Assim como qualquer federação nacional de futebol. Assim como todos os envolvidos: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governos e todos que se importam com o futuro do futebol", declarou.
"A alma e a gestão do futebol não são ativos que podem ser negociados – especialmente sem transparência sobre quem está lucrando financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. A FIFA não deveria vendê-lo".
O que as federações vão escolher?
O protesto da UEFA, no entanto, não é um teste definitivo para o plano de maior comercialização da Copa do Mundo. Infantino promete valores tão altos para as federações nacionais que, para algumas, isso pode ser argumento suficiente.
Só neste ano, o plano de venda de participações poderia render 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões) em receita, e a FIFA projeta um valor total de 20 bilhões (R$ 102,5 bilhões). Isso permitiria aumentar significativamente o financiamento das federações nacionais pela FIFA.
Até agora, a FIFA era obrigada a repassar 8 milhões de dólares (R$ 41 milhões) para cada uma das 211 federações no período de 2027 a 2030. Agora, o valor prometido sobe para 20 milhões (R$ 102,5 milhões), no próximo ciclo (2031-2034) para US$ 22 milhões (R$ 112,7 milhões), e depois para US$ 24 milhões (R$ 123 milhões) para cada federação nacional. Especialmente para as federações mais dependentes financeiramente da entidade máxima, isso representa uma diferença enorme.
