"A decisão de retirar o projeto foi absolutamente necessária", afirmou, em comunicado, acrescentando que acredita “firmemente numa FIFA independente, que sirva o futebol com compromisso, transparência e integridade".
O ex-treinador do Arsenal, que integra a FIFA desde 2019, assegurou igualmente que não esteve envolvido na iniciativa e que apenas tomou conhecimento da proposta através da comunicação social.
A FIFA anunciou na sexta-feira (31) o abandono do projeto, três dias após a sua apresentação oficial, com o presidente Gianni Infantino justificando a decisão com as divisões geradas em torno da iniciativa.
O plano previa a criação da FIFA Forward Enterprise, uma subsidiária destinada a gerir os ativos comerciais e eventos da FIFA, incluindo a Copa do Mundo, através da venda de 20% do capital a investidores privados.
A organização pretendia captar até US$ 4,2 milhões (R$ 21,64 milhões), atribuindo à nova empresa uma avaliação de US$ 20 milhões (R$ 103 milhões).
A FIFA negou que o Mundial estivesse à venda e sustentou que a iniciativa apenas avançaria com o apoio da maioria das suas 211 federações-membro, prevendo reforçar o financiamento distribuído através do programa FIFA Forward.
A proposta continua a enfrentar forte oposição tendo levado quatro federações, todas europeias, a retirarem seu apoio à reeleição de Infantino: Finlândia, País de Gales, Sérvia e Suécia.
Presidente da FIFA desde 2016 e reeleito sem oposição em 2019 e 2023, Infantino não tem até o momento candidatos assumidos na corrida eleitoral, cujo prazo para submissão de candidaturas termina em 18 de novembro.
Até o surgimento da polêmica, Infantino contava com o apoio da maioria das 211 federações filiadas.
A UEFA também declarou ter perdido a confiança no presidente da FIFA e estuda avançar com ações legais ou recorrer à arbitragem contra a tentativa de criação do projeto, tendo já exigido formalmente à FIFA a preservação de toda a documentação física e eletrônica associada.
As críticas internas ao projeto defendido por Infantino têm-se multiplicado.
Nesta terça-feira, em e-mail enviado aos funcionários a que a France Presse teve acesso, o secretário-geral do organismo, Mattias Grafström, lamentou a "série de eventos tristes e repreensíveis" que culminaram no cancelamento.
A polêmica motivou a demissão do principal assessor da presidência, Carlos Cordeiro, que se declarou "categoricamente" contra a medida.
