O problema é que o time já chega envolto em crise. O técnico Dick Advocaat, que classificou Curaçao para a Copa, pediu demissão em fevereiro. O novo treinador, Fred Rutten, durou apenas 2 meses no cargo – ele caiu após revolta dos jogadores e patrocinadores, que queriam o retorno de Advocaat.
Em 12 de maio, a exatamente 1 mês do início da Copa, o ex-comandante da Holanda foi reconduzido ao cargo de treinador de Curaçao.

Advocaat foi contactado pelo Flashscore para falar sobre o time caribenho quando já estava trabalhando como cartola do Feyenoord, mas acabou recusando – provavelmente por conta desta tensão nos bastidores.
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A histórica classificação para 2026 veio com 7 vitórias e 3 empates nas Eliminatórias da CONCACAF.
Esta foi apenas a quarta vez que Curaçao disputou as Eliminatórias para uma Copa. A pequena ilha passou a competir como um país independente apenas após o Mundial de 2010. Seu grande feito antes da classificação para a Copa de 2026 foi atingir as quartas de final da Copa Ouro de 2019.
A missão no Mundial da América do Norte, no entanto, não vai ser fácil, já que Curaçao caiu no Grupo E de Alemanha, Costa do Marfim e Equador.
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"Nós fizemos história. Somos a menor ilha a ir para uma Copa do Mundo. Você vê que todo mundo aqui está feliz. A ilha está feliz. Esta não foi uma jornada normal, foi uma jornada espiritual", disse o veterano Advocaat à TV holandesa Goedemorgen.
Aos 78 anos, o holandês será o mais velho treinador a comandar uma seleção na história das Copas. Ele treinou a Holanda na Copa de 1994 e a Coreia do Sul em 2006.
Estilo de jogo
A "Onda Azul” coroa um projeto de longo prazo focado em convencer jogadores de origem curaçaense – nascidos ou criados na Holanda – a defenderem o país de seus pais ou avós. O resultado foi uma equipe madura e competitiva.
Por ter um elenco quase todo formado nas escolas de base da Holanda, Curaçao tem uma identidade tática muito europeia. O time comandado por Dick Advocaat joga em um esquema 4-3-3 ou 4-2-3-1 bem organizado, focado no controle de espaços e saídas rápidas.

Diferente de seleções que apenas se defendem, Curaçao gosta de colocar a bola no chão. A linha defensiva tem a experiência do goleiro Eloy Room e laterais que apoiam com inteligência. O meio-campo, liderado pelos irmãos Leandro e Juninho Bacuna, é o coração do time, combinando combatividade física e passes rápidos para acionar os pontas.
Por tentar propor mais o jogo, porém, o time não tem uma defesa sólida.
Quem é a estrela do time?
Leandro Bacuna é a alma de Curaçao. O versátil meio-campista de 34 anos, com longa passagem pelo futebol inglês (Aston Villa e Reading) e atuando no futebol turco, é o líder do vestiário.
Enquanto seu irmão Juninho traz muita qualidade na armação, é a liderança, a bola parada e a capacidade de organização de Leandro que ditam as ações da equipe. Ele é o rosto de uma geração que acreditou no projeto curaçaense mesmo quando o amadorismo ainda assombrava a federação.

"Nós viemos de muito longe. Lembro de estar em um aeroporto no passado e não ter nenhum voo marcado para nós. Eu pensava: 'Como vamos voltar para casa depois de um jogo da seleção?'. Mas agora tudo está organizado e temos uma seleção forte. Isso é muito maior que jogar por um clube, é pelo nosso país", disse o capitão à agência Reuters.
O maior artilheiro de todos os tempos de Curaçao é Rangelo Janga. O atacante de 34 anos tem 21 gols com a camisa da seleção, mas não vem sendo muito aproveitado no Eindhoven, time da 2ª divisão holandesa.

Candidato a surpresa
No setor ofensivo, um nome pode surpreender as defesas adversárias: Tahith Chong, atacante do Sheffield United.
O jogador de 26 anos é formado nas categorias de base do Manchester United e tem passagens pelo Werder Bremen e Club Brugge.
Na última temporada pela Championship, Chong teve nota média de 6,5 no Flashscore. Por Curaçao ele balançou a rede duas vezes nos 2 jogos em que entrou.
Como é o clima de Copa no país?
Para entender o clima em Curaçao, basta imaginar uma ilha de cerca de 150 mil habitantes onde o beisebol reinava absoluto, mas que agora foi completamente "abduzida" pelo futebol. A classificação para a Copa virou o maior evento sociopolítico e cultural da história do pequeno território.
As praias, bares de Willemstad e as coloridas ruas históricas da ilha estão mergulhadas em um carnaval fora de época. De acordo com Dick Advocaat, o futebol mudou o clima na nação caribenha: "Há algo que agora os conecta de verdade. O país inteiro está orgulhoso".
Curaçao tem uma pequena liga local com 10 equipes, mas todos os jogadores da seleção vêm de fora.

Agenda de Curaçao na Copa do Mundo
14/6 (domingo)
14h - Alemanha x Curaçao (Houston) - CazéTV e tempo real no Flashscore
19/6 (sexta-feira)
21h - Curaçao x Equador (Kansas City) - CazéTV e tempo real no Flashscore
25/6 (quarta-feira)
17h - Costa do Marfim x Curaçao (Filadélfia) - CazéTV e tempo real no Flashscore
