Ir para o conteúdo principal

Respeito absoluto e punição dura: brasileiro revela bastidores do futebol sul-coreano

Willyan Barbosa revelou aprendizados no futebol asiático
Willyan Barbosa revelou aprendizados no futebol asiáticoDivulgação/Cheonan

Comidas apimentadas, doramas, tradutor e um canal no YouTube para transmitir partidas de videogame. Esse é um trecho da rotina do atacante Willyan Barbosa, de 26 anos, desde que se mudou para a Coreia do Sul, em 2019. O jogador é o mais novo entrevistado do "Brasileiros pelo Mundo", projeto do Flashscore que conta histórias fora de campo de atletas do país espalhados pelo planeta.

Depois de passar por Itália, Grécia e Portugal, ambientar-se aos costumes locais não foi um grande desafio. O mais difícil mesmo foi a adaptação cultural, principalmente no que diz respeito à hierarquia dos mais velhos, que ditam as regras para os mais novos.

Confira as outras entrevistas do "Brasileiros no Mundo"

“Se uma pessoa mais velha — seja qual for a diferença de idade — disser qualquer coisa, mesmo que seja a maior besteira do mundo, o mais novo precisa aceitar e dizer 'sim, senhor!'. Na cultura sul-coreana, os mais velhos sempre têm razão. Aqui, ao chegarmos ao treino, precisamos baixar a cabeça e cumprimentar o treinador em sinal de respeito, demonstrando que ele é o líder por ser mais velho. Isso vale para todos, seja você estrangeiro ou não”, relatou o atleta.

Defendendo as cores do Cheonan City, da Coreia do Sul, Willyan conta que, diferentemente da tradição do futebol brasileiro, caso um jogador responda ao técnico de forma mais ríspida, a punição é severa: treino intenso em quatro períodos, incluindo a madrugada. O próprio atacante já sentiu na pele as sanções: após reclamar com o treinador do seu antigo clube, foi castigado com um período sem entrar em campo.

Últimos jogos de Willyan Barbosa
Últimos jogos de Willyan BarbosaFlashscore

Chegada e adaptação

Quando chegou à Coreia do Sul para defender as cores do Gwangju, Willyan enfrentou bastante dificuldade na adaptação. Mesmo tendo saído cedo do Brasil, aos 11 anos, rumo à Itália para defender o Torino, e acumulando passagens por Portugal e Grécia, o desafio de viver no país asiático foi gigante — mas a presença de outro brasileiro amenizou a situação.

Resumo da carreira de Willyan Barbosa
Resumo da carreira de Willyan BarbosaFlashscore

“Se chega algum estrangeiro, nós tentamos abraçá-lo o mais rápido possível para que a adaptação seja mais fácil. Eu sei o quanto foi difícil para mim. Havia um brasileiro chamado Felipe que me ajudou bastante no início. A cultura daqui é uma das mais difíceis da Ásia. É preciso ter paciência, porque os coreanos sempre querem as coisas do jeito deles e os mais novos não podem opinar”, relatou o atacante.

Até entre os jogadores a hierarquia prevalece. Segundo Willyan, os atletas mais jovens sequer se aproximam dos mais velhos para tentar conversar. “Os mais novos ficam com os mais novos. Eles apenas reverenciam os mais velhos e depois voltam para a turma deles. E os mais experientes só falam com os mais experientes também”, disse o atleta.

Além de falar inglês e um pouco de italiano, Willyan revelou que conseguiu aprender algumas noções de grego. Contudo, sentiu certa dificuldade com o idioma sul-coreano, apesar de entender boa parte do que é falado. O lado bom foi a facilidade para se adequar ao cardápio local.

“Tem jogador que não aguenta nem três meses por causa da comida, porque eles gostam muito de pimenta. Como moro há muito tempo fora do Brasil, me acostumei rápido. Sobre a língua, o cotidiano facilitou meu aprendizado, e o tradutor do clube também me ajudou bastante”, completou o jogador.

Classificação da J-League 2 da Coreia do Sul
Classificação da J-League 2 da Coreia do SulFlashscore

Segurança impressiona

Um dos fatores que mais chamou a atenção do atacante foi a segurança na Coreia do Sul. Após esquecer a carteira com documentos sobre um caixa eletrônico, Willyan foi surpreendido ao ouvir a campainha de casa:

“Eram umas 20h quando um senhor bateu na minha porta mostrando minha carteira com meu ID — o documento de identificação nacional que contém o endereço do morador. Fiquei impressionado, porque ele viu onde eu morava e veio me devolver tudo intacto. Meus filhos nasceram aqui e o país é extremamente seguro para eles e para nós, pais”, completou.

Doramas e videogames

Fã de videogame desde a adolescência, Willyan aproveita a possibilidade de fazer a concentração em casa para colocar as partidas online com os amigos em dia. Incentivado pelos companheiros gamers do Brasil, o atacante decidiu criar um canal no YouTube para mostrar sua evolução no PUBG, jogo desenvolvido na própria Coreia do Sul.

“Meus amigos do Brasil diziam que eu jogava bem e me aconselharam a fazer lives para mostrar que, além de jogador de futebol, eu mandava bem no videogame, que é meu hobby. Daí decidi criar o canal, as pessoas foram gostando, e olha que eu só jogo uma ou duas horas por dia”, contou o atacante.

Últimos clubes de Willyan Barbosa
Últimos clubes de Willyan BarbosaFlashscore/Divulgação/Cheonan

E se o tempo livre de Willyan é em frente ao videogame, o da esposa é assistindo aos famosos doramas. Fenômeno de audiência global, as séries sul-coreanas — também chamadas de K-dramas — fazem parte da rotina da casa.

“Minha esposa gosta muito de dorama. Quando saímos, ela reconhece vários lugares onde as cenas foram gravadas. Um dia estávamos passeando e ela me fez parar para ver uma escola que foi cenário de um dorama coreano com atores dos Estados Unidos. Eu fiquei sem acreditar”, brincou o atacante.

Willyan marcando o seu primeiro gol com a camisa do Cheonan
Willyan marcando o seu primeiro gol com a camisa do CheonanFlashscore/Divulgação/Cheonan

O sonho de jogar um Re-Pa

Nascido em Monte Alegre, no Pará, Willyan conta que o futebol jogado na Coreia do Sul é muito intenso e veloz, o que compensa a menor qualidade técnica das equipes. Adaptado ao jogo mais corrido, a um país seguro e a uma rotina de alta qualidade de vida, o atacante não esconde o desejo de jogar um clássico entre Remo e Paysandu, mas confessa que teria certa dificuldade para se readequar à realidade brasileira:

“Qual jogador não quer disputar uma Série A ou B no Brasil? Eu gostaria muito de defender as cores do Remo ou do Paysandu, que são os maiores do meu estado. Porém, eu teria dificuldade de adaptação, porque estou fora há muito tempo. Modelo de treino, estilo de jogo, cultura, segurança... é tudo muito diferente. Mas eu me adapto rápido: poderia levar um tempo, mas eu conseguiria”, concluiu Willyan.

Receba todas as notícias sobre seus times e jogadores favoritos

Transferências, entrevistas e mais: agora você pode receber notificações das principais notícias de seus jogadores e times favoritos.

Como ativar as notificações personalizadas?

Você agora pode receber só notícia de seus craques favoritos
Você agora pode receber só notícia de seus craques favoritosFlashscore
Escolha o Flashscore no GoogleVeja nossas matérias com mais frequência
AdicionarAdicionar no Google