Japão levou torcida do Brasil ao limite antes de, enfim, rolar a festa em Houston

Torcida brasileira sofreu, mas sorriu por último em Houston
Torcida brasileira sofreu, mas sorriu por último em HoustonReuters/Maria Lysaker

Houston, temos um problema? E um problema gravíssimo. Diferentemente da confiança que o brasileiro sempre ostentou em duelos contra o Japão, o clima nesta segunda-feira (29) de calor escaldante no Texas era inédito. Havia um misto de fé na mística da camisa cinco estrelas e de cautela em relação a um adversário que assustava.

Carlo Ancelotti já havia avisado na coletiva pré-jogo: era preciso ter coração forte para suportar a batalha que se desenharia no gramado. Ainda assim, o torcedor brasileiro não estava preparado para viver, de forma tão agonizante, a primeira disputa de 16 avos da história do time verde e amarelo. 

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Do outro lado, os japoneses que caminhavam em direção ao colossal NRG Stadium traziam consigo o sentimento inverso: a certeza de que era possível derrubar o gigante postado no corner oposto — uma quase batalha saída de um mangá ou de um roteiro caricato de heróis da cultura pop nipônica. E o sentimento era legítimo.

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O silêncio que ninguém esperava

Carregando seus sacos plásticos, prontos para a tradicional coleta de lixo após o apito final, os asiáticos transbordavam esperança. O otimismo virou festa quando Kaishu Sano acertou um chute rasteiro, no canto de Alisson, abrindo o placar em Houston e silenciando a torcida verde-amarela.

O nervosismo do campo logo se refletiu nas arquibancadas. Com cânticos desencontrados ecoando pelo estádio monumental, os brasileiros não encontravam a sintonia. O primeiro tempo seguiu sob essa tensão até o intervalo, deixando a preocupação nitidamente estampada no rosto de cada torcedor.

Casemiro devolve o fôlego

O Brasil precisava ser mais do que apenas o "sabor Brasil". A torcida só ganhou um novo fôlego quando Endrick despontou no gramado para o aquecimento. Ele era o fato novo necessário para acender a faísca de reação, justamente em um dia em que peças individuais importantes não brilhavam. Era o caso de Casemiro.

Alvo de duras críticas dos torcedores — que aproveitavam a pausa para correr pelos corredores atrás de um lanche ou de uma cerveja antes do início dos 45 minutos finais de drama —, o volante parecia fadado ao escrutínio nacional. No entanto, caberia a ele trazer a esperança de volta aos pulmões da arquibancada.

Quando a bola viajou para a área, o movimento no estádio tornou-se um só: milhares de corpos cabecearam junto com o jogador do United. A explosão do gol de empate deu uma nova alma à partida.

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Houston volta a acreditar

O Japão sentiu o golpe. Naquela batalha de heróis que sua cultura tanto celebra, o personagem japonês que antes parecia austero balançou. E os samurais estiveram muito perto de tombar em definitivo quando Vini Jr. desconcertou a cintura do marcador e, por um triz, não assinou o gol da Copa.

Mas o relógio era impiedoso em Houston. O batuque da torcida verde-amarela concentrou-se no tradicional "Vai pra cima deles, Brasil", embora o coro parecesse minguar a cada segundo diante da tensão sufocante que tomava conta do estádio texano. Não havia escolha: era preciso abraçar o medo ou transformá-lo em impulso.

Apesar da idolatria máxima a Neymar, que teve seu nome gritado em uníssono por parte do estádio na etapa final, até mesmo o torcedor mais fervoroso entendia que talvez ainda não fosse o momento de o camisa 10 estar em campo.

E rolou a festa

Tudo dentro daquela arena conspirava para a impaciência. O palco climatizado, de repente, pareceu gelado, mas o Brasil não arrefeceu. A Seleção martelou, concentrou-se, organizou-se e impôs o seu jogo. Nas arquibancadas, a torcida, mesmo apreensiva, finalmente entendeu que a virada era apenas uma questão de tempo.

E o tempo veio nos acréscimos. Martinelli fez o grito entalado saltar do peito de milhões, e o coro de "Brasil" ecoou forte por Houston. Os Samurais Azuis bem que tentaram resistir, mas o time verde-amarelo tinha outros planos. 

Controlando os próprios ânimos e o nervosismo latente, o Brasil buscou a retomada com uma resiliência digna do próprio espírito oriental.

Com o apito final, a explosão catártica das arquibancadas encontrou, enfim, a sintonia perfeita com o gramado. A desilusão agonizante deu lugar ao alívio. No calor escaldante do Texas, o gigante cambaleou, sentiu o golpe, mas provou que continua de pé. Houston, não temos mais um problema. Temos uma festa. E rolou a festa. 

A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções, 104 jogos e será disputado em 16 estádios.

 

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