Paraguai e França entram em campo no Lincoln Financial Field, às 18h (de Brasília), para um confronto de histórias cruzadas — dentro e fora das quatro linhas — envolvendo a potência europeia, a garra sul-americana e a terra que hoje acolhe a ambos.
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Para além das comemorações da Filadélfia, o destino das três nações possui nós históricos de certa forma profundos.

Enquanto a França é eternamente lembrada por sua aliança crucial na independência dos EUA — uma amizade simbolizada globalmente pela Estátua da Liberdade —, o Paraguai encontrou em solo norte-americano a resposta para a salvação de seu próprio território. O Flashscore conta esta história.

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Agradecimento eterno
Após a devastadora Guerra da Tríplice Aliança no século XIX, as fronteiras paraguaias estiveram sob severo risco. Foi o presidente americano Rutherford B. Hayes quem, em uma arbitragem internacional em 1878, garantiu a soberania do Paraguai sobre a gigantesca região do Chaco. A gratidão é tamanha que a área hoje leva o nome de Departamento de Presidente Hayes, que tem Villa Hayes como capital.

A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho na América do Norte. Veja tudo o que você precisa saber sobre o torneio:
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Reencontro mundialista e gol de ouro
A memória do torcedor não falha. Exatamente 28 anos atrás, na Copa do Mundo de 1998, Paraguai e França se enfrentaram na mesma fase de oitavas de final. Naquela tarde em Lens, a França — que jogava em casa e caminhava para o seu primeiro título mundial — viveu seu maior pesadelo no torneio.

O Paraguai, liderado por Chilavert, um dos maiores ídolos do futebol local, e uma defesa sólida com Gamarra e Ayala, ergueu uma verdadeira muralha. Os franceses agonizaram por 114 minutos e só romperaram a retranca do adversário sul-americano com o primeiro Gol de Ouro da história das Copas, marcado pelo zagueiro Laurent Blanc, após assistência de Robert Pires na prorrogação.

"Aquela partida mudou tudo para o nosso país. O espírito de luta está no nosso DNA. Ainda dói, claro que dói. Mas os próprios franceses disseram que fomos o adversário mais difícil daquela Copa", relembrou o ex-meia paraguaio Carlos Humberto Paredes, que esteve em campo em 1998.
Favoritismo contra os "Devoradores de Gigantes"
O cenário atual traz um forte contraste tático, muito similar ao roteiro daquela Copa da França. Sob o comando de Kylian Mbappé (um dos artilheiros do torneio com 6 gols), os Les Bleus vêm sendo uma máquina — já são 13 gols em quatro jogos — e não perdem para sul-americanos em Copas desde 1978.

Já a Albirroja chega às oitavas de final como a resistência, inclusive como a única seleção que avançou como uma das melhores terceiras colocadas a permanecer na disputa.
Pesa também o fato que os paraguaios proporcionaram a "zebraça" do torneio até o momento, após eliminarem a tetracampeã Alemanha nos pênaltis na fase 16 avos de final.
E olha, esse 'devorador de gigantes' lembrou muito o estilo defensivo da equipe de 1998, tendo finalizado a partida com apenas 24% de posse de bola e suportado 21 finalizações do adversário europeu. Para se ter uma ideia, a Alemanha não perdia para um sul-americano em Copas desde a final do Mundial de 2002, na Coreia do Sul e no Japão, quando o Brasil se sagrou pentacampeão do mundo.

Para quem gosta de mística, o roteiro é perfeito: o mata-mata coloca Paraguai e França frente a frente de novo, justamente na Filadélfia e no dia mais importante do calendário americano. Entre o calor extremo e o aniversário da independência do país, o palco está pronto para um duelo onde a resistência sul-americana tentará estragar a festa da favoritaça França.
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