Antes de falar sobre a mudança para a Europa e a adaptação ao frio dinamarquês, Robert relembrou a primeira grande transformação de sua vida: a saída de Pirapora, cidade de cerca de 55 mil habitantes a 350 quilômetros de Belo Horizonte, para a capital mineira, aos 11 anos.
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"Foi muito difícil. Você sair de um interior para uma capital, em questão de vida, de aceitação mesmo, das pessoas, realmente parece outro mundo quando você muda. Mas acredito que foi importante para poder ir criando essa casca, porque a gente sabe como é a vida de jogador", disse o atacante.
Em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pelo Cruzeiro em 2023, Robert começou a ganhar espaço na equipe então comandada por Paulo Autuori. O momento mais marcante foi o gol contra o Goiás, já nos acréscimos, em confronto direto na luta contra o rebaixamento. As boas atuações chamaram a atenção do Copenhague.
"Foi de repente. Se eu falar que tiveram várias conversas, vou estar mentindo. Foi uma coisa que realmente aconteceu. Eu já estava com algumas outras propostas, mas nenhuma tinha chamado tanto a minha atenção e a do Cruzeiro. Foi questão de uma semana até meus empresários me contarem que o Copenhague tinha feito uma proposta e eu estar viajando", contou.

Primeiros dias na Europa: frio e dificuldade com o inglês
Robert chegou à Dinamarca em agosto de 2023. As primeiras impressões foram positivas, apesar dos desafios de adaptação. O atacante gostou da cidade, mas precisou superar a dificuldade com o idioma.
"A cidade é muito bonita realmente. Muito limpa, sabe? Foram as primeiras coisas que eu reparei. Eu lembro que era mais ou menos sete da noite e tava com sol, era finalzinho do verão. Eu cheguei aqui com zero inglês, nada, só falava 'hello' e 'how are you?', só!", relembrou, com bom humor.
O dinamarquês é o idioma oficial do país, mas o inglês também é bastante presente no cotidiano. Segundo Robert, a barreira da comunicação ficou para trás, e hoje ele já consegue conversar com tranquilidade.
O inverno, por outro lado, trouxe um desafio diferente. Além das baixas temperaturas, o atacante estranhou a naturalidade com que os dinamarqueses mantêm a rotina esportiva mesmo quando neva.

"Acho que o mais difícil no inverno é a escuridão. A gente não tem luz do sol, sabe? Ficamos três meses sem ver a luz do sol, escurece às três da tarde e amanhece às nove da manhã, com aquele dia nublado, fechado. É meio depressivo, pra falar a verdade", afirmou.
O frio intenso também teve consequências físicas. Robert contou que as unhas dos pés chegaram a cair repetidas vezes durante o período na Dinamarca. "A minha unha cai duas, três vezes. Cai, nasce de novo, cai de novo, fica nisso", relatou.
A rotina na Dinamarca
Morando com a esposa e recebendo frequentemente a visita de amigos, Robert procura manter hábitos que o aproximam do Brasil. Entre os programas favoritos estão ir a restaurantes, jogar baralho e participar de eventos de samba.
A convivência com os dinamarqueses, no entanto, revelou diferenças culturais. Para o atacante, o estereótipo de que os europeus são mais frios e diretos corresponde à realidade.
"Eles são muito educados, mas são muito frios realmente. Muito fechados. Eles gostam das coisas muito certinhas, não pode sair nem um pouco da linha de nada", afirmou.
Na gastronomia, a preferência também continua sendo brasileira. Robert admitiu que não é muito fã da comida dinamarquesa e sente mais afinidade com os pratos do Brasil.
Se a culinária local não o conquistou, a localização de Copenhague oferece uma vantagem: a facilidade para conhecer outros países europeus nos períodos de folga. O atacante aproveita as pausas na rotina para viajar com a esposa.
"Qualquer tempinho que a gente tem, eu e minha esposa vamos ali em Paris e voltamos. Nessa última Data FIFA, que foi um pouco maior, a gente foi para a Grécia", contou.
A relação da Dinamarca com o futebol
Embora o handebol tenha grande destaque no esporte dinamarquês, o futebol também mobiliza os torcedores. Robert destacou o ambiente nos estádios e a presença constante da torcida, independentemente do adversário.
"O estádio está sempre lotado. Seja jogo contra time pequeno ou grande, a torcida não para de cantar um minuto. É muito bonito", disse.

O carinho dos torcedores também chamou a atenção do brasileiro. Segundo ele, desde a chegada ao clube, os fãs demonstram admiração e chegam a chamá-lo de "Neymar de Copenhague". Atualmente, Robert é o único brasileiro do elenco, mas afirma que o país tem uma relação positiva com o Brasil e seus jogadores.
Dentro de campo, o atacante vê uma liga mais física e direta, sem abrir mão da qualidade técnica. Para ele, subestimar os adversários é um erro, mesmo quando o confronto parece favorável.
"Só quem joga aqui sabe. Às vezes vamos jogar contra um time do interior, 'pô, vai ser tranquilo', esquece! Os times são bons tecnicamente. Se você não ficar esperto, você vai tomar gol e vai perder", alertou.
Quando o assunto é a dimensão do Copenhague no futebol nacional, Robert não hesita: considera o clube o maior do país "disparado!". Com a maior torcida e o maior estádio, a equipe carrega sempre a expectativa de conquistar títulos, uma pressão que faz parte da rotina do atacante.

Distância não apaga a ligação com o Cruzeiro
Apesar da vida construída na Dinamarca, Robert mantém o vínculo com o clube que o formou. Cruzeirense desde a infância, o atacante segue acompanhando os jogos da Raposa sempre que consegue, embora o fuso horário seja um obstáculo.
De um menino que precisou deixar o interior mineiro ainda aos 11 anos a um atacante que já marcou na Champions League, sua trajetória segue atravessando fronteiras.
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