De que forma essa maratona de viagens afetará o desempenho dos atletas? Para responder a isso, o Flashscore conversou com o preparador físico Bruno Neves, que acumula passagens por clubes do futebol brasileiro.
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Inicialmente, o Irã ficaria hospedado no Arizona, nos Estados Unidos, mas a condição imposta pelo governo dos EUA para aprovar os vistos dos jogadores foi proibir a permanência dos atletas e da comissão técnica no país por mais de um dia.
Os jogos contra Nova Zelândia e Bélgica acontecerão em Los Angeles. Já o compromisso contra o Egito está marcado para Seattle. A distância entre Tijuana e Los Angeles é de 219 km, enquanto o percurso para Seattle será maior: 2.049 km.
“A seleção do Irã vai sofrer muito em relação às outras equipes. Essa logística de viagem faz com que eles se preocupem mais com o deslocamento e menos com o recovery. Num torneio curto como a Copa, isso pesa muito porque o recovery tem que acontecer imediatamente após a partida, para que o atleta se prepare para a próxima. Essa rotina deve fazer eles perderem a performance nos jogos”, explicou Neves.

O recovery se refere a um conjunto de técnicas e procedimentos pós-jogo essenciais para acelerar a regeneração muscular. O objetivo principal é aliviar as dores, restaurar o equilíbrio do organismo e prevenir lesões, garantindo que o atleta esteja pronto para os próximos treinos e desafios.
A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções, 104 jogos e será disputado em 16 estádios.
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Rotina diferente
A seleção Iraniana estreia no dia 15 de junho, quando poderá entrar nos Estados Unidos pela manhã para realizar a partida e sair logo após o jogo, retornando a Tijuana, no México. O trajeto é o menor a ser percorrido pelos Leões Persas na competição.
“Além das viagens, as preocupações com os familiares, as tensões com os vistos, a imprensa repercutindo a guerra o tempo inteiro, que é algo atípico, e outros fatores devem aumentar o desgaste mental dos atletas”, acrescentou Bruno Neves.

O silêncio dos iranianos
Na última terça (9), a Federação de Futebol do Irã divulgou que sua cota de ingressos para a Copa do Mundo foi retirada pelos Estados Unidos dias antes do jogo de abertura do torneio.
A decisão pegou todos de surpresa, já que torcedores ficaram impossibilitados de assistir às partidas da seleção às vésperas do início do Mundial, que sempre teve o objetivo de promover o congraçamento dos povos.

Estratégias para buscar a igualdade
Ao contrário dos rivais, que contam com uma logística organizada e intervalos adequados de descanso, o Irã terá de correr contra o tempo para evitar que a fadiga tire seus atletas de campo. Bruno Neves aponta os caminhos para minimizar os danos físicos:
“Será preciso priorizar a alimentação, a hidratação e, principalmente, o sono, que tem impacto científico provado no rendimento. Eles vão sofrer com a falta de tempo, mas focar na qualidade desses três elementos é o único caminho para não ficarem em tanta desvantagem”, completou.

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