Pelé não estava destinado à grandeza. Nascido em uma família pobre em Bauru, o jovem Edson Arantes do Nascimento aprendeu a jogar futebol com uma meia recheada de jornais.
Mas o destino não significava nada para Pelé, que desenvolveu seu jogo no futsal e se tornaria um dos jogadores e das personalidades mais influentes da história do futebol. Afinal, foi Pelé quem batizou e transformou o esporte no “jogo bonito”.
Para celebrar o aniversário de Pelé — ele completaria 86 anos neste 23 de outubro de 2026 —, relembramos os momentos mais icônicos de uma das carreiras mais marcantes da história do futebol.
10: A partida de despedida que fez o céu chorar
Depois de uma extraordinária carreira de 21 anos, Pelé disputou sua última partida em 1º de outubro de 1977. Em um amistoso entre o Santos e o New York Cosmos, “O Rei” representou os dois clubes e, é claro, marcou um gol de falta de cerca de 27 metros para encerrar uma carreira verdadeiramente lendária. A partida, disputada no Giants Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey, reuniu craques como Sir Bobby Moore e Muhammad Ali. Eles abraçaram Pelé e gritaram: “Não se esqueça: somos os maiores do mundo inteiro!”.
75.646 pessoas acompanharam a última partida de Pelé, que foi disputada sob chuva. Os jornais brasileiros sabiam o motivo: “Até o céu estava chorando”, escreveram no dia seguinte.
Pelé adotou uma abordagem diferente em seu discurso antes da partida: “Quero aproveitar esta oportunidade para pedir a vocês, neste momento em que o mundo está olhando para mim, que deem mais atenção aos jovens, às crianças de todo o mundo. Precisamos muito delas... Quero pedir isso porque acredito que o amor é a coisa mais importante que podemos levar da vida. Todo o resto passa. Digam comigo três vezes: Amor! Amor! Amor!”
9: A contratação pelo New York Cosmos
Pelé foi um pioneiro em muitos sentidos. Ele confirmou isso mais uma vez quando encerrou uma carreira de 19 anos no Santos e, após uma breve aposentadoria, assinou com o New York Cosmos em 1975. Assim, tornou-se o primeiro nome mundialmente famoso a se juntar à agonizante North American Soccer League, que distribuía ingressos para as partidas por meio de vouchers do Burger King para atrair público.
Então, de repente, o Cosmos precisou deixar 50 mil torcedores do lado de fora quando jogou em casa, no Downing Stadium. O time se mudou para o Giants Stadium, com capacidade para 76.891 pessoas, onde passou a reunir outros superastros internacionais, como Carlos Alberto, Johan Neeskens e Giorgio Chinaglia. De repente, a NASL estava prosperando. E tudo começou com Pelé.

8: O hat-trick que garantiu a Copa Intercontinental
Não há tempo suficiente em um dia para falar sobre todas as conquistas de Pelé, mas precisamos mencionar a Copa Intercontinental de 1962. O Santos de Pelé enfrentou o campeão europeu Benfica, que havia perdido seu lendário técnico Bela Gutmann apenas alguns meses antes. Depois de vencer por 3 a 2 no Rio de Janeiro, o Santos foi a Lisboa para disputar o segundo jogo no Estádio da Luz, a fortaleza do Benfica, onde ninguém havia vencido em 1961/62.
Mas então surgiu Pelé. A poucos dias de completar 22 anos, o mágico brasileiro protagonizou uma das maiores atuações da história do futebol. Ele soltou uma bomba após cruzamento de Pepe, deixou um defensor no chão e driblou outros dois para marcar o segundo gol. Depois, construiu o 3 a 0 ao passar por quatro adversários e servir Coutinho da linha lateral. Para completar o hat-trick, deu uma caneta em Eusébio na linha do meio-campo e avançou em uma arrancada espetacular, passando por três defensores antes de aproveitar o próprio rebote.
O Santos venceu por 5 a 2, e o goleiro do Benfica, Couto Pereira, não acreditava no que tinha visto: “Cheguei esperando parar um grande homem, mas fui embora convencido de que havia sido derrotado por alguém que não nasceu no mesmo planeta que o resto de nós.”
7: Pelé, o patrimônio nacional oficial
Pelé se tornou um ícone nacional em pouco tempo. Começou a marcar gols assim que pisou no gramado pelo Santos. Para impedir que ele explorasse novas possibilidades e jogasse na Europa, o presidente brasileiro encontrou uma maneira inteligente de mantê-lo no país.
Real Madrid, Milan e Inter queriam contratá-lo depois da famosa conquista do Brasil na Copa do Mundo de 1958. Então, o que fez o presidente Jânio Quadros? Em 1962, declarou Pelé patrimônio nacional. Isso tornou impossível sua transferência para o exterior, já que ele passou a ser considerado um patrimônio nacional não exportável.
6: “As pessoas sempre falam sobre aquele que eu não marquei”
Em 1970, Brasil e Pelé queriam encerrar a carreira do craque na seleção em grande estilo. Para isso, também precisavam superar a poderosa Inglaterra, que contava com Sir Bobby Moore no comando de uma defesa magnífica e com Gordon Banks no gol. E foi Banks quem, ao lado de Pelé, protagonizou as manchetes na fase de grupos.
Aos 10 minutos de jogo, Pelé subiu mais alto que todos e cabeceou no canto direito de Banks, mas o goleiro inglês fez uma defesa verdadeiramente milagrosa para manter o placar zerado. Pelé já havia saído comemorando, gritando “gol!”, mas foi contido quando viu Moore celebrando a defesa.
Foi um momento que Pelé nunca esqueceu: “Marquei mais de mil gols na vida, e aquilo de que as pessoas sempre falam comigo é o gol que não marquei.”
5: O “Gol de Placa” de Pelé
Quão bom é preciso ser para criar um termo em uma nação apaixonada por futebol? Tão bom quanto Pelé, aparentemente, porque seu gol contra o Fluminense foi tão bonito que se tornou referência para todos os gols de rara beleza: um “Gol de Placa”, digno de uma placa.
Aos 40 minutos, Pelé recebeu a bola em seu próprio campo, no icônico Maracanã. “O Rei” arrancou, passou por Pinheiro, Clovis, Altair e Jair Marinho. Depois, concluiu sua obra-prima ao colocar a bola com precisão no ângulo de Castilho. Os torcedores do Fluminense não tinham nenhuma simpatia pelo Santos, mas o gol de Pelé mereceu uma ovação de pé de dois minutos. Alguns chegaram a pedir que o lance valesse por dois gols.
O jornalista Joelmir Beting descreveu o lendário gol, cuja gravação foi perdida, da seguinte forma: “Em uma arrancada tortuosa e angustiante, que durou mais de um minuto e meio com a posse da bola, ele finalmente deu uma caneta no goleiro Castilho e marcou o gol. Os 130 mil torcedores que vaiavam começaram a aplaudir.”
4: “O Milésimo”
19 de novembro de 1969, às 23h23 no horário local, no Rio de Janeiro. Milhares de pessoas se reuniram para o que parecia inevitável: “O Milésimo” gol profissional de Pelé. O Vasco da Gama era o adversário no Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Aos 34 minutos do segundo tempo, o momento finalmente chegou.
Pelé sofreu falta na área do Vasco e ganhou o pênalti que entraria para a história. Aos 29 anos, ele bateu no canto esquerdo de Edgardo Andrada e garantiu seu milésimo gol, uma marca gloriosa. Fotógrafos invadiram o gramado do Maracanã e registraram Pelé, que revelou uma camisa com o número 1.000.
3: O Gol do Século
A Seleção Brasileira de 1970 é frequentemente considerada a melhor da história do futebol. O time era repleto de talentos, com nomes como Pelé, Jairzinho, Rivellino, Tostão e o capitão Carlos Alberto.
Pelé foi o protagonista de sua última Copa do Mundo da FIFA, no México. Na final contra a Itália, encerrou sua trajetória em Mundiais em grande estilo. “O Rei” esteve no centro do maior gol coletivo da história do futebol, iniciado por Tostão, Brito, Wilson Piazza, Clodoaldo, Gérson e Rivellino. Pelé recebeu a bola na entrada da área e, sem olhar, rolou para Carlos Alberto, que vinha em velocidade e acertou um chutaço no canto inferior.
Um gol para a eternidade, marcado por um time eterno.
2: O canto do cisne na Copa do Mundo de 1970
Não importa como você vivencia o esporte: Pelé é um dos maiores nomes que ele já conheceu. Depois de surpreender o mundo em 1958, aos 17 anos, o fenômeno brasileiro voltou a brilhar no palco global pela última vez na Copa do Mundo da FIFA de 1970, no México.
Parte do que é considerado o maior time de futebol de todos os tempos, Pelé disputou um torneio extraordinário. Apesar da defesa de Gordon Banks ser muito lembrada, a campanha de Pelé com o Brasil foi histórica. O Rei participou de 10 dos 19 gols brasileiros no torneio e foi protagonista na final contra a Itália, com um gol e duas assistências na dominante vitória por 4 a 1 sobre os italianos.

Pelé se despediu da seleção internacional na única linguagem que conhecia: com os pés dançando, deixando os defensores perdidos em campo aberto. O ídolo da Inter e defensor da Itália Tarcisio Burgnich, encarregado da ingrata tarefa de marcar Pelé na final, talvez tenha resumido perfeitamente a última Copa do Mundo do craque: “Antes do jogo, eu disse a mim mesmo: ele é feito de carne e osso, como todo mundo. Mas eu estava errado.”
1: O chapéu na final da Copa do Mundo de 1958
O mundo ainda não conhecia Pelé quando ele conduziu o Brasil pela mão na Copa do Mundo de 1958, mas fez questão de que todos se lembrassem de seu nome depois. Aos 17 anos, Pelé marcou 6 gols enquanto o Brasil conquistava seu primeiro título mundial ao derrotar a anfitriã Suécia, que contava com Gunnar Gren e Gunnar Nordahl, dois dos três jogadores que formavam o famoso trio Gre-No-Li.
Depois de marcar um hat-trick contra a França de Just Fontaine na semifinal, o momento mais brilhante de Pelé aconteceu, é claro, na final, em Estocolmo. Aos 10 minutos do segundo tempo, com o Brasil vencendo por 2 a 1, Pelé recebeu um cruzamento e dominou de peito, levantando a bola no ar e se livrando de Sigge Parling. Em seguida, encobriu Bengt Gustavson em um movimento instintivo, que fez Gustavson cravar as travas na cintura de Pelé.
Em vez de cair, Pelé esperou a bola quicar e finalizou de primeira, colocando-a no canto inferior e dando ao Brasil uma vantagem de dois gols sobre os suecos. É até hoje um dos gols mais icônicos da história da Copa do Mundo — e Pelé o marcou aos 17 anos.
FAQ
1. Quantos gols oficiais Pelé marcou na carreira?
De acordo com a RSSSF, Pelé marcou 1.301 gols em 1.390 jogos. Em 840 partidas oficiais, Pelé marcou 775 gols.
2. Quais Copas do Mundo Pelé conquistou com o Brasil?
Pelé venceu a Copa do Mundo em 1958, 1962 e 1970, tornando-se o único jogador a conquistar três Mundiais.
3. Pelé chegou a jogar por algum clube europeu?
Não. Pelé jogou apenas pelo Santos, no Brasil, e pelo New York Cosmos, nos EUA.
4. Quando Pelé marcou seu milésimo gol?
Pelé marcou seu milésimo gol em 19 de novembro de 1969, contra o Vasco.
5. Por que Pelé é chamado de “O Rei”?
Pelé foi chamado de “O Rei” depois da Copa do Mundo de 1958, quando o Brasil se tornou campeão mundial pela primeira vez. Pelé foi, provavelmente, o melhor jogador brasileiro no torneio, marcando seis gols aos 17 anos.
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