Tenistas pedem mudanças no antidoping após suspensão pesada de Vondrousova

Vondrousova só pode voltar às quadras em 2030
Vondrousova só pode voltar às quadras em 2030Geoff Burke-Imagn Images / File Photo

A suspensão de quatro anos da ex-campeã de Wimbledon Marketa Vondrousova provocou um pedido da Associação Profissional de Tenistas (PTPA) para que as autoridades antidoping deem aos jogadores maior participação nas regras de testagem.

Vondrousova foi suspensa do tênis por 4 anos, nesta segunda-feira, após a Agência Internacional de Integridade do Tênis (ITIA) informar que a tcheca não forneceu sua amostra quando foi abordada por um agente de controle em sua casa, em dezembro.

A jogadora de 26 anos disse em abril que havia "chegado ao limite após meses de estresse físico e mental" e acrescentou que a chegada de um agente às 20h15 exigindo um teste imediato foi uma invasão séria de sua privacidade.

As autoridades antidoping do esporte vêm enfrentando críticas depois que atletas de alto nível como Jannik Sinner e Iga Swiatek evitaram suspensões longas por falharem em testes antidoping, e a PTPA pediu uma participação mais efetiva dos atletas nas regras que os regem.

"Sem entrar no mérito de culpa ou inocência: uma suspensão de quatro anos para uma jogadora que nunca testou positivo, e que disse ter temido por sua segurança quando uma pessoa não identificada apareceu em sua porta tarde da noite, deveria fazer o esporte refletir," afirmou o grupo de defesa da PTPA em comunicado.

"Defendemos a testagem. Mas os jogadores merecem ter voz real nas regras que os afetam."

No ano passado, a PTPA entrou com uma ação judicial contra as entidades que comandam o tênis, acusando-as de violar o direito à privacidade dos jogadores com testes antidoping aleatórios.

Desde que o tênis passou a seguir o código da Agência Mundial Antidoping, suas regras se alinharam a um sistema aplicado a atletas de todos os esportes.

"Entendemos que o processo de testagem é desconfortável e reconhecemos que é um peso adicional para jogadores que já lidam com muita pressão e escrutínio, mas é essencial para garantir a competição justa," disse a CEO da ITIA, Karen Moorhouse, em comunicado.

Preocupações com segurança

O caso de Vondrousova também reacendeu preocupações sobre a segurança e privacidade das jogadoras durante testes fora de competição, especialmente quando as visitas acontecem em residências fora do horário padrão – questão destacada pela atleta.

A campeã de Wimbledon de 2023 disse que não abriu a porta para o agente, citando medo influenciado pelo ataque com faca sofrido em 2016 por sua compatriota Petra Kvitova em casa.

No entanto, Moorhouse afirmou que os procedimentos são elaborados para proteger os jogadores. "A segurança e o bem-estar dos jogadores e dos nossos agentes de testagem são muito importantes para nós. Nossos agentes são bem treinados, profissionais, e o gênero do responsável pela testagem sempre corresponde ao do atleta," disse ela.

"Eles carregam identificação o tempo todo, e os jogadores podem verificar a identidade deles de outras formas caso tenham dúvidas."

Moorhouse acrescentou que um tribunal independente apoiou, ao final, o princípio de que a testagem imprevisível é fundamental para proteger o esporte do uso de substâncias proibidas.

"Este caso serve como um lembrete importante de que os jogadores podem ser testados a qualquer momento, em qualquer lugar, e que a recusa traz riscos significativos," afirmou.

A ex-número 6 do mundo, Vondrousova, que não compete desde janeiro devido a uma lesão no ombro, pode recorrer da suspensão ao Tribunal Arbitral do Esporte.