Para Lula Ferreira, Oscar é uma referência fundamental para as novas gerações. Ele abriu mão da oportunidade de jogar na NBA — o topo do basquete mundial — para seguir defendendo a Seleção Brasileira; um exemplo absoluto de patriotismo e amor à camisa verde e amarela.
"Claro que o basquete está muito triste com a perda de um pessoa como o Oscar, de grande impacto para todos nós. Mas o legado que ele deixou é gigantesco. Ele deu exemplo de dedicação e de amor", disse Lula ao Flashscore.

"Muito mais do que ele fez, os quase 50 mil pontos, muito mais do que ser o Mão Santa, o grande exemplo que ele deixou foi o amor pela camisa da Seleção Brasileira, isso para um jovem atleta é muito importante. Naquela época, se um atleta jogasse na NBA, ele não jogaria a Olimpíada, e o Oscar abriu mão disso para continuar defendendo o nosso país", acrescentou Lula.
O comandante recordou a interação que teve com Oscar durante a preparação da Seleção para a disputa dos Jogos Pan-Americanos de 1987. Naquela competição, o ídolo despontou em sua melhor forma pelo time nacional, sendo o símbolo de uma conquista que fez o basquete norte-americano abrir os olhos para a suposta supremacia que o país sustentava com a utilização de atletas amadores.

"Tive uma oportunidade de estar com o Oscar durante a preparação para os Jogos Pan-Americanos de 1987. Naquela época eu era um dos auxiliares e técnico das categorias de base da Seleção, e eu pude constatar que ele era um atleta exemplar. Para um jogador atingir marcas como as que ele conqustou, tudo tem que vir do treinamento. Ele não era simplesmente uma Mão Santa, ele era uma mão treinada", contou Lula Ferreira.
"O Oscar treinava mil arremessos por dia fora do treinamento do time. Eram duas horas a mais todo o dia. Essa persistência em busca da excelência e a gana de ganhar são marcas registradas do Oscar. Claro que estamos todos tristes, mas uma lenda não morre. Ele será para sempre eterno para todos que amam o basquete", concluiu o ex-treinador da Seleção Brasileira.

Onde tudo começou
Oscar se tornou uma lenda do esporte depois de brilhar por anos no basquete brasileiro. O Mão Santa conheceu a modalidade com apenas 13 anos, em Brasília, incentivado pelo técnico Zezão, no Clube Unidade Vizinhança. Três anos depois, o jovem jogador foi para São Paulo atuar no infanto-juvenil do Palmeiras.
A ascensão foi rápida. Em 1977, foi eleito melhor pivô do Sul-Americano juvenil, chegou à seleção e, no seguinte, ajudou o Brasil a conquistar o bronze no Mundial das Filipinas. Sua atação chamou atenção do técnico Cláudio Mortari, que o levou para o Sírio, onde, em 1979, Oscar ergueu o título da Copa William Jones, o Mundial Interclubes de basquete.
O legado de Oscar Schmidt vai além dos pontos e dos troféus. É o legado de um homem que escolheu o Brasil quando poderia ter escolhido a fama, que transformou cada quadra que pisou em um palco e que provou, ao longo de décadas, que o basquete brasileiro era capaz de produzir o maior de todos.

