Nascido em Natal, Oscar estreou na Seleção Brasileira em 1977 e jamais parou de pontuar. Ao longo de 326 partidas oficiais pela Canarinho, foram 7.693 pontos e feitos que desafiam a lógica.
Nos Jogos Olímpicos, disputou cinco edições consecutivas: Moscou (1980), Los Angeles (1984), Seul (1988), Barcelona (1992) e Atlanta (1996). Cestinha da competição pela terceira vez em Atlanta, com 219 pontos, o brasileiro se tornou o maior pontuador da história do torneio, com 1.093 pontos.
O feito de Oscar inclui o recorde olímpico em uma única partida, com 55 pontos contra a Espanha em Seul 1988.
O auge pela seleção veio nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis. Oscar liderou o Brasil em uma vitória épica de 120 a 115 sobre os Estados Unidos, a primeira derrota norte-americana em casa na história da competição.
A cena de Oscar dominando os americanos em seu próprio território o transformou em uma lenda do esporte.

Uma prova de amor
Ainda em 1984, após a Olimpíada de Los Angeles, o New Jersey Nets tentou contratá-lo para a NBA. Oscar recusou. As regras da FIBA eram claras: quem jogasse na liga americana perdia o status de amador e não poderia mais defender seu país.
Por amor ao Brasil, ele abriu mão do sonho. Mais de 30 anos depois, já como Brooklyn Nets, a franquia o homenageou lançando uma camisa com seu nome e número, recebendo Oscar em Nova York como o ídolo que ele é.

Lenda no exterior
Oscar chegou à Itália em 1982, aos 24 anos, quando o técnico Bogdan Tanjevic foi pessoalmente buscá-lo para defender o Juvecaserta. O que se seguiu foram 11 temporadas europeias (8 pelo Juvecaserta e 3 pelo Pavia), 13.957 pontos anotados no Campeonato Italiano e o status de primeiro jogador a ultrapassar a marca de 10 mil pontos na competição.
Eleito o melhor do basquete no país por múltiplas temporadas, teve a camisa 11 aposentada pelo Pavia e foi eleito um dos cinco melhores estrangeiros de todos os tempos pela liga italiana.
Depois da Itália, ainda encantou os europeus pela segunda vez, desta vez em Valladolid, na Espanha, onde defendeu o Fórum entre 1993 e 1995, ano em que recebeu a Insígnia de Ouro da ACB, a liga espanhola.

O retorno e o recorde no Brasil
Após a passagem na Espanha, Oscar voltou ao basquete brasileiro em 1995 e atuou pelo Corinthians, onde ganhou o oitavo título brasileiro de sua carreira em 1996, e depois pelo Banco Bandeirantes, Mackenzie e, finalmente, o Flamengo – clube onde alcançaria o patamar mais alto do esporte.
Foi em 2003, com a camisa rubro-negro, que Oscar Schmidt ultrapassou Kareem Abdul-Jabbar (46.725 pontos) e se tornou o maior pontuador da história do basquete, com 49.737 pontos. Um recorde que atravessou décadas até ser superado por LeBron James, em 2024.
Naquele mesmo ano, Oscar aposentou-se das quadras e pendurou a camisa 14 do Flamengo em sua homenagem.
Reconhecimento de um ídolo
Em 2013, chegou o reconhecimento máximo: uma vaga no Hall da Fama do Basquete em Springfield, Massachusetts, berço do esporte. Oscar foi apadrinhado por Larry Bird, ganhou um vídeo em sua homenagem e deu um discurso inesquecível diante dos maiores nomes da história do basquete mundial. Poucos brasileiros já foram tão longe em qualquer esporte.
E quando parecia que não havia mais nada a realizar, em 2017 Oscar voltou às quadras para o que faltava em sua carreira: o All-Star Game da NBA, em New Orleans, no Jogo das Celebridades.
Com aproveitamento de 100% em quadra, virou Trending Topic mundial no Twitter e ajudou a campanha a conquistar um Leão de Ouro em Cannes. Um encerramento à altura de uma lenda.

Onde tudo começou
Oscar se tornou uma lenda do esporte depois de brilhar por anos no basquete brasileiro. O Mão Santa conheceu a modalidade com apenas 13 anos, em Brasília, incentivado pelo técnico Zezão, no Clube Unidade Vizinhança. Três anos depois, o jovem jogador foi para São Paulo atuar no infanto-juvenil do Palmeiras.
A ascensão foi rápida. Em 1977, foi eleito melhor pivô do Sul-Americano juvenil, chegou à seleção e, no seguinte, ajudou o Brasil a conquistar o bronze no Mundial das Filipinas. Sua atação chamou atenção do técnico Cláudio Mortari, que o levou para o Sírio, onde, em 1979, Oscar ergueu o título da Copa William Jones, o Mundial Interclubes de basquete.
O legado de Oscar Schmidt vai além dos pontos e dos troféus. É o legado de um homem que escolheu o Brasil quando poderia ter escolhido a fama, que transformou cada quadra que pisou em um palco e que provou, ao longo de décadas, que o basquete brasileiro era capaz de produzir o maior de todos.

