Relembre os feitos e prêmios de Oscar Schmidt, maior cestinha da história das Olimpíadas

Oscar Schmidt foi homenageado no Hall da Fama do Basquete nos EUA
Oscar Schmidt foi homenageado no Hall da Fama do Basquete nos EUAČTK / AP / Steven Senne

Oscar Schmidt é o 2º maior pontuador da história do basquete mundial, e segurou a liderança do ranking até 2024 – 21 anos depois de ter se aposentado. Com 49.703 pontos em 25 temporadas como profissional, o "Mão Santa" construiu uma trajetória sem precedentes, que passou por Brasil, Itália e Espanha, e deixou uma marca permanente na memória do esporte.

Nascido em Natal, Oscar estreou na Seleção Brasileira em 1977 e jamais parou de pontuar. Ao longo de 326 partidas oficiais pela Canarinho, foram 7.693 pontos e feitos que desafiam a lógica.

Nos Jogos Olímpicos, disputou cinco edições consecutivas: Moscou (1980), Los Angeles (1984), Seul (1988), Barcelona (1992) e Atlanta (1996). Cestinha da competição pela terceira vez em Atlanta, com 219 pontos, o brasileiro se tornou o maior pontuador da história do torneio, com 1.093 pontos.

O feito de Oscar inclui o recorde olímpico em uma única partida, com 55 pontos contra a Espanha em Seul 1988.

O auge pela seleção veio nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis. Oscar liderou o Brasil em uma vitória épica de 120 a 115 sobre os Estados Unidos, a primeira derrota norte-americana em casa na história da competição.

A cena de Oscar dominando os americanos em seu próprio território o transformou em uma lenda do esporte.

Oscar disputa bola com Scottie Pippen durante os Jogos Olímpicos de 1996
Oscar disputa bola com Scottie Pippen durante os Jogos Olímpicos de 1996JEFF HAYNES / AFP

Uma prova de amor

Ainda em 1984, após a Olimpíada de Los Angeles, o New Jersey Nets tentou contratá-lo para a NBA. Oscar recusou. As regras da FIBA eram claras: quem jogasse na liga americana perdia o status de amador e não poderia mais defender seu país.

Por amor ao Brasil, ele abriu mão do sonho. Mais de 30 anos depois, já como Brooklyn Nets, a franquia o homenageou lançando uma camisa com seu nome e número, recebendo Oscar em Nova York como o ídolo que ele é.

Oscar em Seul, 1988
Oscar em Seul, 1988COB

Lenda no exterior

Oscar chegou à Itália em 1982, aos 24 anos, quando o técnico Bogdan Tanjevic foi pessoalmente buscá-lo para defender o Juvecaserta. O que se seguiu foram 11 temporadas europeias (8 pelo Juvecaserta e 3 pelo Pavia), 13.957 pontos anotados no Campeonato Italiano e o status de primeiro jogador a ultrapassar a marca de 10 mil pontos na competição.

Eleito o melhor do basquete no país por múltiplas temporadas, teve a camisa 11 aposentada pelo Pavia e foi eleito um dos cinco melhores estrangeiros de todos os tempos pela liga italiana.

Depois da Itália, ainda encantou os europeus pela segunda vez, desta vez em Valladolid, na Espanha, onde defendeu o Fórum entre 1993 e 1995, ano em que recebeu a Insígnia de Ouro da ACB, a liga espanhola.

Olimpíadas de Atlata, em 1996
Olimpíadas de Atlata, em 1996COB

O retorno e o recorde no Brasil

Após a passagem na Espanha, Oscar voltou ao basquete brasileiro em 1995 e atuou pelo Corinthians, onde ganhou o oitavo título brasileiro de sua carreira em 1996, e depois pelo Banco Bandeirantes, Mackenzie e, finalmente, o Flamengo – clube onde alcançaria o patamar mais alto do esporte.

Foi em 2003, com a camisa rubro-negro, que Oscar Schmidt ultrapassou Kareem Abdul-Jabbar (46.725 pontos) e se tornou o maior pontuador da história do basquete, com 49.737 pontos. Um recorde que atravessou décadas até ser superado por LeBron James, em 2024.

Naquele mesmo ano, Oscar aposentou-se das quadras e pendurou a camisa 14 do Flamengo em sua homenagem. 

Reconhecimento de um ídolo

Em 2013, chegou o reconhecimento máximo: uma vaga no Hall da Fama do Basquete em Springfield, Massachusetts, berço do esporte. Oscar foi apadrinhado por Larry Bird, ganhou um vídeo em sua homenagem e deu um discurso inesquecível diante dos maiores nomes da história do basquete mundial. Poucos brasileiros já foram tão longe em qualquer esporte.

E quando parecia que não havia mais nada a realizar, em 2017 Oscar voltou às quadras para o que faltava em sua carreira: o All-Star Game da NBA, em New Orleans, no Jogo das Celebridades.

Com aproveitamento de 100% em quadra, virou Trending Topic mundial no Twitter e ajudou a campanha a conquistar um Leão de Ouro em Cannes. Um encerramento à altura de uma lenda.

Oscar Schmidt participou do All-Star Game da NBA em 2017
Oscar Schmidt participou do All-Star Game da NBA em 2017THEO WARGO / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

Onde tudo começou

Oscar se tornou uma lenda do esporte depois de brilhar por anos no basquete brasileiro. O Mão Santa conheceu a modalidade com apenas 13 anos, em Brasília, incentivado pelo técnico Zezão, no Clube Unidade Vizinhança. Três anos depois, o jovem jogador foi para São Paulo atuar no infanto-juvenil do Palmeiras.

A ascensão foi rápida. Em 1977, foi eleito melhor pivô do Sul-Americano juvenil, chegou à seleção e, no seguinte, ajudou o Brasil a conquistar o bronze no Mundial das Filipinas. Sua atação chamou atenção do técnico Cláudio Mortari, que o levou para o Sírio, onde, em 1979, Oscar ergueu o título da Copa William Jones, o Mundial Interclubes de basquete.

O legado de Oscar Schmidt vai além dos pontos e dos troféus. É o legado de um homem que escolheu o Brasil quando poderia ter escolhido a fama, que transformou cada quadra que pisou em um palco e que provou, ao longo de décadas, que o basquete brasileiro era capaz de produzir o maior de todos.

Basquete brasileiro se despede de uma lenda
Basquete brasileiro se despede de uma lendaCOB