Morre Oscar Schmidt, o "Mão Santa" e lenda do basquete brasileiro

Oscar Schmidt durante Jogo das Celebridades da NBA em 2017
Oscar Schmidt durante Jogo das Celebridades da NBA em 2017 THEO WARGO / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

O esporte brasileiro está em luto. Oscar Schmidt, o 'Mão Santa' e maior ícone da história do basquete nacional, faleceu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos. O ex-jogador estava internado em um hospital em São Paulo após sofrer um mal-estar súbito. A confirmação da morte foi feita pela assessoria de imprensa do ídolo.

"É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo", inicia o comunicado. 

"Os familiares agradecem, sensibilizados, todas as manifestações de carinho, respeito e solidariedade recebidas, e solicitam a compreensão de todos quanto à necessidade de privacidade neste momento de luto", prossegue. 

"Seu legado permanecerá vivo na memória coletiva e na história do esporte, assim como no coração de todos que foram tocados por sua trajetória", conclui a nota oficial. 

Recentemente, Oscar passou por uma cirurgia que o impediu de comparecer à homenagem realizada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), no último dia 8 de abril, durante a cerimônia do Hall da Fama da entidade.

Na ocasião, ele foi representado pelo filho, Felipe Schmidt, que preferiu não detalhar a natureza do procedimento.

Em 2011, o ex-jogador viveu um dos momentos mais delicados de sua trajetória ao ser diagnosticado com um câncer no cérebro. Embora tenha vencido a batalha contra a doença na época, o ex-atleta passou a enfrentar outros episódios de saúde que exigiam acompanhamento constante.

Um ícone do esporte mundial

O apelido de 'Mão Santa', embora carinhoso, era contestado pelo próprio ídolo: "Minha mão não é santa, ela é treinada". E foi esse treinamento implacável que o transformou em um dos maiores pontuador da história do basquete, com incríveis 49.737 pontos, superando lendas como o norte-americano Kareem Abdul-Jabbar

Oscar cumprimenta Mark Cuban, ex-proprietário do Dallas Mavericks
Oscar cumprimenta Mark Cuban, ex-proprietário do Dallas MavericksJONATHAN BACHMAN / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

Em 2024, LeBron James desbancou o ícone brasileiro e assumiu de forma isolada a condição de maior cestinha da história do basquete mundial. Ainda em atividade, o astro do Los Angeles Lakers já possui mais de 50 mil pontos na carreira. 

Oscar em interação com Magic Johnson, uma das maiores lendas da NBA
Oscar em interação com Magic Johnson, uma das maiores lendas da NBAVANDERLEI ALMEIDA / AFP

Embora jamais tenha atuado na NBA, Oscar sempre despertou a admiração profunda dos astros norte-americanos. O exemplo mais emblemático foi o de Kobe Bryant; o craque do Lakers cresceu assistindo ao brasileiro na Itália — onde seu pai também jogava — e nunca escondeu que Oscar foi uma de suas grandes referências e ídolos de infância.

O divisor de águas: Indianápolis 1987

A importância de Oscar para o basquete mundial foi selada em 23 de agosto de 1987. Na final dos Jogos Pan-Americanos, o Brasil perdia por 14 pontos para os Estados Unidos em pleno solo americano. Liderados por Oscar e Marcel, os brasileiros impuseram a primeira derrota da história da seleção norte-americana jogando em casa.

Oscar anotou 46 pontos naquela tarde, forçando o mundo (e a própria NBA) a admitir que o basquete internacional não era mais "amador". Muitos historiadores do esporte afirmam que aquela derrota foi o embrião que levou os EUA a enviarem o Dream Team para as Olimpíadas de 1992.

O Rei das Olimpíadas

Se a NBA nunca teve o prazer de vê-lo em quadra — Oscar recusou o convite para jogar na liga americana para não perder o direito de defender a Seleção Brasileira, uma regra da época —, as Olimpíadas foram o seu quintal.

Oscar disputa bola com Scottie Pippen durante os Jogos Olímpicos de 1996
Oscar disputa bola com Scottie Pippen durante os Jogos Olímpicos de 1996JEFF HAYNES / AFP

Disputou cinco edições dos Jogos Olímpicos (1980 a 1996). É o maior pontuador da história do torneio masculino (1.093 pontos). Detém o recorde de maior número de pontos em um único jogo olímpico: 55 pontos contra a Espanha em 1988.

Oscar Schmidt é o maior pontuador da história dos Jogos Olímpicos
Oscar Schmidt é o maior pontuador da história dos Jogos OlímpicosANTONIO SCORZA / AFP

Um legado de fidelidade

O que torna Oscar uma lenda global, além dos números, foi sua postura. Ele foi um dos maiores expoentes da escola europeia (brilhando na Itália e na Espanha) e um símbolo de patriotismo. Ao abdicar do glamour e do dinheiro da NBA para vestir a "Amarelinha", Oscar tornou-se o maior embaixador do basquete FIBA.

Oscar ao lado de Fernando Henrique Cardoso, Bill Clinton e Hillary Clinton
Oscar ao lado de Fernando Henrique Cardoso, Bill Clinton e Hillary ClintonLUKE FRAZZA / AFP

Sua entrada para o Naismith Memorial Basketball Hall of Fame em Springfield, em 2013, foi o reconhecimento definitivo. Oscar não precisou da NBA para ser imortal.

OSCAR SCHMIDT

Pontuação total na carreira: 49.737 pontos (2ª maior da história do basquete mundial). 

Média em Jogos Olímpicos: 28,8 pontos por jogo ao longo de cinco edições (recorde de participações olímpica).

Títulos: Seleção Brasileira — Ouro no Pan de 1987, Campeonato Sul-Americano (1977, 1983 e 1985) e Bronze no Mundial de 1978.

Clubes — Copa Interamericana de Basquete (1977), Campeonato Brasileiro (1977, 1979 e 1996), Campeonato Paulista (1974, 1978, 1979 e 1998), Campeonato Carioca (1999 e 2002), Campeonato Paulistano (1974, 1975 e 1976), Torneio de Preparação da FPB (1976 e 1977), Torneio Aniversário da FPB (1976), Campeonato Mundial Interclubes (1979), Campeonato Sul-Americano de Clubes (1979) e Copa da Itália (1988). 

Clubes na carreira: Palmeiras, Sírio, América, JuveCaserta, Pavia, Fórum/Valladolid, Corinthians, Bandeirantes, Mackenzie/Microcamp e Flamengo. 

Oscar é homenageado após bater a marca de 40 mil pontos na carreira
Oscar é homenageado após bater a marca de 40 mil pontos na carreiraMARIE HIPPENMEYER / AFP